
IFAB aprovou alterações às Leis do Jogo que permitem cartão vermelho direto a jogadores que tapem a boca em confrontos e sancionam o abandono de campo por protesto; medidas entram em vigor no Mundial 2026 como resposta direta a episódios de discriminação e visam dar maior poder disciplinar a organizadores e árbitros para proteger a integridade das competições.
IFAB endurece regras contra gestos discriminatórios e abandono de campo
A International Football Association Board (IFAB) aprovou por unanimidade duas alterações propostas pela FIFA às Leis do Jogo, destinadas a combater comportamentos discriminatórios e protestos que interrompam partidas. As medidas serão implementadas no Mundial 2026 e comunicadas às 48 seleções participantes nas próximas semanas.
O que muda nas Leis do Jogo
A primeira alteração responsabiliza jogadores que tape m a boca durante confrontos com adversários — gesto frequentemente associado a tentativas de ocultar insultos discriminatórios. A partir de agora, e conforme critério do organizador da competição, esse ato pode resultar em cartão vermelho direto. A segunda mudança pune o abandono do terreno de jogo como forma de protesto contra decisões de arbitragem. Qualquer jogador que saia do campo por esse motivo pode ser expulso; oficiais que incitem essa saída também serão responsabilizados. Em princípio, uma equipa que provoque o abandono corre o risco de perder o jogo por não comparência.
Contexto: reação a incidentes recentes
As alterações chegam na esteira de episódios polémicos em competições europeias, envolvendo confrontos entre Vinícius Júnior (Real Madrid) e Gianluca Prestianni (Benfica) na Champions League. O caso trouxe nova urgência ao debate sobre como o futebol lida com linguagem discriminatória e reações em campo. A UEFA aplicou recentemente uma suspensão a Prestianni por linguagem homofóbica, sublinhando a vontade de sanção disciplinar em contexto internacional.
Por que isto importa
A decisão transmite uma mensagem clara: comportamentos que visem silenciar ou humilhar adversários não serão tolerados. Dar poderes explícitos aos organizadores e árbitros pode dissuadir gestos provocatórios e proteger jogadores vulneráveis. No entanto, a eficácia depende de aplicação consistente e de critérios bem definidos para evitar decisões arbitrárias que possam alterar o curso competitivo de jogos.
Impacto para o Mundial 2026 e para o futebol
No plano operacional, as federações e árbitros terão de ser instruídos sobre os novos procedimentos e critérios de avaliação. Para o Mundial 2026, isto significa um cenário disciplinar mais rígido e potencialmente menos espaço para protestos colectivos que interrompam partidas. A longo prazo, se bem implementadas, as medidas podem elevar o padrão de comportamento dentro e fora das quatro linhas, reforçando a imagem do futebol como palco sem tolerância à discriminação.
O que esperar a seguir
Formação de árbitros e orientações detalhadas aos organizadores serão cruciais para evitar controvérsias e apelos. Haverá também debate sobre o equilíbrio entre punição necessária e risco de decisões excessivamente punitivas em situações ambíguas. No fim, a mudança é um passo decisivo: sinaliza que as instituições do futebol preferem um regime disciplinar mais assertivo em vez de respostas reativas a cada incidente.
A Bola



