
Perdeu a final da Taça dos Países Baixos, mas o N.E.C. confirmou-se como a equipa mais emocionante da Europa: 74 golos na Eredivisie, um futebol ultraleve de risco elevado desenhado por Dick Schreuder e protagonistas como Bryan Linssen e Koki Ogawa. A derrota amarga não apaga um projeto tático que atrai olhares e impõe uma nova narrativa sobre coragem ofensiva no futebol moderno.
NEC continua a encantar apesar da derrota na Taça
N.E.C. Nijmegen falhou o troféu, mas a temporada traduz-se num triunfo de identidade. Ocupando o 3.º lugar da Eredivisie, o clube transformou-se numa referência para quem prefere espectáculos com muitos golos e ritmo elevado. A final perdida dói, mas reduzir a época a esse único jogo é perder o sinal mais relevante: um modelo de jogo que está a redefinir expectativas em Gelderland e além.
Goleada como filosofia: 74 golos e um ataque de respeito
O N.E.C. já marcou 74 golos no campeonato — um número só superado por gigantes europeus como Bayern (105), PSV (84), Barcelona (84) e Inter (75). Marcar três ou mais vezes em 13 encontros não é casualidade; é consequência de uma filosofia ofensiva assumida. Esta estatística coloca a equipa no mapa mediático e táctico: não é apenas eficácia isolada, é coerência de ideias que gera entretenimento e resultados.
O modelo táctico de Dick Schreuder
Schreuder estrutura a equipa num 3-4-2-1 que, em fase ofensiva, se converte muitas vezes num 3-2-5 — cinco jogadores claramente adiantados a ocupar toda a largura. O objectivo é sufocar a saída de bola adversária e dominar o espaço ofensivo. É um sistema de alto risco e alta recompensa. A agressividade espacial substitui a posse passiva; a pressão alta e as linhas avançadas são a assinatura do treinador, que traz consigo influências do futebol total, mas sem as cautelas defensivas habituais.
Como funciona na prática
As alas e os interiores comprimem o meio-campo adversário, enquanto os dois ou três avançados exploram desmarcações interiores e largura extrema. O resultado é um caos organizado: muitos remates, transições rápidas e uma constante sensação de perigo para o adversário.
O preço da ousadia: fragilidade defensiva
A retaguarda paga o tributo dessa exposição. O N.E.C. sofreu 48 golos e cedeu três ou mais golos em sete partidas. Esses números aproximam-se dos de equipas que lutam pela permanência, mostrando que o equilíbrio é a linha ténue deste projeto. A leitura é clara: para manter este futebol, o clube terá de gerir desgaste físico, decidir prioridades e ajustar rotinas defensivas sem trair a identidade.
Protagonistas: Linssen, Chery, Ogawa e a mistura internacional
Bryan Linssen, aos 35 anos, assume-se como líder: melhor marcador com 10 golos e também destaque nas assistências (8). A longevidade do veterano é um activo inestimável. Tjaronn Chery (9 golos, 6 assistências) e o jovem Basar Onal trazem criatividade e dinamismo, enquanto Koki Ogawa (8 golos) e Kodai Sano reforçam a presença japonesa e a internacionalização do plantel. Esta combinação de experiência e juventude explica parte da imprevisibilidade ofensiva da equipa.
O que isto significa para a Eredivisie e para o futuro do clube
O N.E.C. altera o discurso da Eredivisie: não é só uma liga de talentos promissores, é também um laboratório tático a céu aberto. A exposição ofensiva vende espectáculo, atrai adeptos e potencia interesse no mercado. A pergunta central para a próxima época é se este modelo é sustentável em termos de resultados a longo prazo — e se a direcção e o treinador conseguem conjugá-lo com melhorias defensivas pontuais.
Possíveis cenários
Manter a identidade e corrigir fragilidades pode tornar o N.E.C. candidato natural a disputar títulos; ceder à prudência pode preservar resultados imediatos but diluir a marca que tornou o clube relevante. Se houver reforços cirúrgicos e gestão física inteligente, a equipa pode crescer sem perder a essência.
Conclusão: entretenimento com consequências
O N.E.C. provou que o futebol pode ser uma festa sem abdicar da ambição competitiva. A derrota na Taça pesa, mas não anula uma temporada que impõe respeito táctico e atrai olhares internacionais. No fim, o maior triunfo de Nijmegen é ter criado um futebol que muitos consideram verdadeiramente divertido — e isso, por si só, tem valor desportivo e cultural.
A Bola



