
Mohamed Ouahbi, campeão mundial sub-20, vive o maior desafio da carreira ao comandar Marrocos contra a França nas quartas de final da Copa do Mundo. A ascensão do treinador belga de 49 anos, formado em Anderlecht e responsável por talentos como Bilal El Khannouss, testa se sua metodologia de base funciona em alto nível.
Ouahbi encara França nas quartas da Copa do Mundo
Mohamed Ouahbi prepara Marrocos para um confronto decisivo com a França nesta quinta-feira pelas quartas de final da Copa do Mundo. Desde sua nomeação, em março, o treinador soma dez jogos sem derrotas (seis vitórias e quatro empates) e busca transformar sucesso nas categorias de base em resultados na seleção principal.
Trajetória: da formação em Anderlecht ao título sub-20
Nascido em Schaerbeek, nos arredores de Bruxelas, Ouahbi começou a treinar aos 21 anos nas equipes de base do Anderlecht. Subiu na estrutura do clube, chegou a ser auxiliar na equipe principal e voltou ao trabalho com jovens, onde formou jogadores agora em destaque, como Jeremy Doku, Youri Tielemans e Bilal El Khannouss. Em 2022 consolidou-se como referência das categorias de base marroquinas e conduziu a seleção sub-20 ao título mundial no Chile, eliminando a França na semifinal — um prelúdio interessante para o duelo atual.
Por que sua nomeação foi contestada — e por que vem dando certo
A pouca experiência como treinador principal de equipes profissionais pesava contra Ouahbi quando surgiram rumores sobre sua contratação para o comando da seleção principal após a saída de Walid Regragui. Ainda assim, a federação lhe deu a chance e ele respondeu com resultados e identidade tática. Sua força está na formação de jogadores e na capacidade de motivar um elenco com estrelas e jovens promissores. Ex-integrantes da estrutura de base elogiam seus valores e método de trabalho — elementos que têm se refletido em organização e coesão tática.
Estilo de jogo e impacto tático
Ouahbi tem imposto um padrão claro: Marrocos entra em campo com identidade própria, sem adaptações reativas excessivas ao adversário. A equipe exibiu solidez defensiva e transições bem ensaiadas, sinais de um trabalho que vai além do improviso. Essa filosofia beneficiou a integração de talentos formados por ele, como Bilal El Khannouss, e favoreceu resultados consistentes. Ainda assim, a próxima partida será o teste definitivo de sua capacidade de gerir pressão e ajustar estratégias diante de uma seleção francesa experiente e cheia de recursos.

O que está em jogo
A partida contra a França vale mais que a vaga nas semifinais: é um aval público ao projeto da federação marroquina e ao aproveitamento do trabalho de base na elite do futebol mundial. Uma vitória seria a confirmação de que é possível promover treinadores da formação para o topo com sucesso. Caso Marrocos saia derrotado, a leitura sábia será avaliar a trajetória global — a invencibilidade e as mudanças táticas já representam ganhos tangíveis para a seleção.
O que observar no jogo
A batalha do meio-campo, o papel de Bilal El Khannouss na transição e a capacidade da defesa marroquina de conter os atacantes franceses serão determinantes. Substituições e leitura de jogo no segundo tempo também podem decidir o confronto, cenário no qual a experiência do treinador será crucial.
Perspectiva
Ouahbi chega ao duelo com credenciais sólidas de formação e motivação, mas com a necessidade imediata de demonstrar que esse modelo escala em jogos de altíssimo nível. Independentemente do resultado, sua gestão já alterou a narrativa sobre como Marrocos constrói talento e competitividade — e isso pode ter efeitos duradouros na seleção.
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