
A crise na FIFA escalou após a saída de Kevin Lamour e a subsequente retirada de apoio de várias federações e vice-presidentes a Gianni Infantino. A demissão acendeu dúvidas sobre um plano para vender direitos comerciais do Mundial e intensificou a pressão política a poucas semanas da eleição de março, deixando o futuro da presidência e a credibilidade da entidade em xeque.
Infantino perde apoio-chave após demissão de Kevin Lamour
A saída de Kevin Lamour da diretoria de operações virou ponto de ruptura interno, com dirigentes descrevendo o episódio como a “gota d’água” para seu suporte a Gianni Infantino. Várias federações nacionais e membros do conselho passaram a retirar respaldo oficial ao presidente da FIFA, citando preocupações sobre governança, julgamento profissional e falta de transparência no projeto de venda de direitos comerciais.
O que motivou a reação
Lamour havia criticado publicamente o plano de transferir participações dos direitos comerciais do Mundial, afirmando que funcionários foram “enganados” sobre a iniciativa e que ela estaria concentrada nas mãos de uma única pessoa. A demissão inesperada de um executivo visto como guardião de padrões éticos e operacionais alimentou receios sobre decisões centralizadas e práticas de liderança dentro da FIFA.
Quem já questionou Infantino
Nomes influentes do futebol global — incluindo vice-presidentes e presidentes de confederações europeias e asiáticas — manifestaram dúvida sobre a continuidade de Infantino. Dirigentes como Aleksander Čeferin (UEFA), Sheikh Salman (AFC) e Vittorio Montagliani (Concacaf) constam entre os que publicamente expressaram preocupação com a condução da presidência.

Retiradas de apoio por federações
Federações nacionais de diversos países anunciaram que não sustentam mais a candidatura de Infantino. Exemplos incluem a federação do Montenegro e a do País de Gales, enquanto conselhos nacionais em outros países também debateram a posição de seus votos para a eleição vindoura.
Suporte regional e o equilíbrio de poder
Apesar do aumento da oposição em algumas regiões, a FIFA ainda preserva apoios importantes. A Confederação Africana de Futebol (CAF) e a CONMEBOL mantêm respaldo a Infantino, com líderes como Patrice Motsepe defendendo que qualquer mudança deve ocorrer pelo processo democrático das 211 associações.
Por que isso importa para a eleição de março
Infantino enfrenta nova eleição em março; uma vitória garantiria seu quarto mandato até 2031. O realinhamento de federações e vozes críticas dentro do conselho pode reduzir sua margem de segurança, transformar a campanha em batalha política e aumentar a pressão por transparência e reformas antes do voto.
Análise: implicações para a governança da FIFA
A demissão de um executivo de alto escalão por divergências sobre um projeto comercial revela fragilidades na arquitetura de tomada de decisão da entidade. Isso não é apenas um problema pessoal de liderança: questiona-se o modelo de gestão de receitas e o equilíbrio entre interesses comerciais e integridade institucional. Se essas tensões persistirem, a FIFA corre o risco de ver uma erosão de legitimidade junto a algumas associações e parte do público do futebol.
Eleição em Rabat: 211 membros vão decidir o futuro de Infantino e o rumo da FIFA
O que pode acontecer a seguir
Maior escrutínio interno, pedidos por auditorias e exigências de esclarecimentos sobre o projeto de direitos comerciais são prováveis. Se mais vice-presidentes ou federações anunciarem oposição formal, a dinâmica da eleição pode mudar — forçando negociações internas, promessas de reforma ou até a apresentação de candidaturas alternativas.
O que observar nas próximas semanas
Declarações públicas de Infantino sobre transparência e governança. Posicionamentos oficiais das confederações (UEFA, CAF, CONMEBOL, AFC, Concacaf). Novas retiradas de apoio por federações nacionais. Movimentos no conselho da FIFA e eventuais pedidos formais de investigação ou auditoria. Contagens e alinhamentos de voto entre as 211 associações rumo à eleição de março.
Conclusão
A saída de Kevin Lamour funcionou como catalisador de uma crise política dentro da FIFA, expondo uma divisão real entre blocos regionais e levantando dúvidas sobre processos decisórios. A sobrevivência política de Gianni Infantino agora dependerá menos de resultados esportivos e mais de sua capacidade de restaurar confiança e demonstrar transparência nas semanas que antecedem a eleição.
Cnn Brasil



