Ex-adjunto descreve gestão de minutos de Cristiano Ronaldo

Ricardo Carvalho, antigo internacional e treinador-adjunto de Roberto Martínez na Seleção Portuguesa, afirmou num episódio do podcast The Obi One, conduzido por John Obi Mikel, que Cristiano Ronaldo deveria ter sido retirado do onze mais vezes durante o período em que a equipa técnica esteve em funções, segundo noticiou a A Bola.
Carvalho explicou as dificuldades de gerir um jogador com a ambição e a disponibilidade para jogar de Ronaldo e disse que, na sua opinião, o selecionador deveria ter sido mais assertivo nas substituições. O antigo defesa considerou ainda que essa gestão era complicada porque Cristiano «quer jogar sempre» e acredita que vai marcar em qualquer bola que chegue até ele.
O episódio frente ao Uzbequistão

O ex-treinador-adjunto recordou um momento concreto no Mundial de 2026, na segunda jornada da fase de grupos, quando Portugal venceu o Uzbequistão por 5-0. Portugal vencia por 3-0 e Ronaldo já tinha marcado dois golos quando surgiu a intenção de o tirar do jogo.
Ricardo Carvalho relatou que, nessa altura, o capitão da Seleção manifestou oposição à substituição, afirmando que «ainda agora comecei a marcar golos» e que queria continuar para obter mais tentos. O relato do incidente foi igualmente divulgado pelo Jornal de Notícias e pelo Notícias ao Minuto.
Ambição e gestão do plantel
Na entrevista, Carvalho contextualizou a posição do treinador: reconheceu que Roberto Martínez valorizava muito o contributo de Cristiano ao longo dos três ou quatro anos em que trabalharam com a Seleção e que, por isso, a continuidade do avançado era compreensível.
Ao mesmo tempo, Carvalho alertou para o impacto que um tratamento diferenciado pode ter: disse que nem sempre é possível apoiar todos os jogadores da mesma forma, lembrando que existem 26 elementos no plantel e que a gestão de minutos influencia também as expectativas dos outros avançados.
Reflexão sobre o fim do ciclo
O antigo central afirmou ainda, numa análise pessoal, que com a idade é mais difícil gerir os ritmos de jogo e que, pela sua experiência, «quanto mais tarde sais, pior», defendendo que, no seu entender, Cristiano devia ter saído mais cedo em alguns jogos — opinião que Carvalho deixou clara no podcast.
Apesar das críticas à gestão de tempo de jogo, Carvalho assumiu que a decisão final pertencia a Roberto Martínez e admitiu que acredita que o treinador estará satisfeito com as escolhas tomadas durante o ciclo.
