
Eliminado no play‑in, o Golden State Warriors vê Gui Santos transformar dificuldades em oportunidade: do banco à titularidade, o ala brasileiro consolidou-se como peça-chave nos últimos 32 jogos, garantiu renovação de três anos por US$15 milhões e encerra a temporada como principal destaque individual da equipe, enquanto a franquia encara incertezas no comando técnico.
Gui Santos: da afirmação à renovação em uma temporada decisiva
Gui Santos encerrou 2025-26 com status renovado no Golden State Warriors depois de uma sequência final que mudou a percepção sobre seu papel na equipe. A eliminação para o Phoenix Suns no play‑in não apaga a trajetória de afirmação do ala brasileiro, que passou de opção de energia a protagonista tático nos meses finais da temporada regular.
O salto nos números e a ascensão ao quinteto
Nos 32 jogos finais, Gui teve médias de 15,2 pontos, 5,6 rebotes, 3,8 assistências e 1,4 roubos. Essas cifras chegam acompanhadas de presença e responsabilidades diferentes: assumiu função próxima à cesta, marcou jogadores altos e também carregou a bola em momentos cruciais. O desempenho lhe valeu a titularidade a partir do fim de janeiro e a confiança da comissão técnica.
Partidas-chave e presença em momentos decisivos
Contra o LA Clippers, no play‑in, Gui mostrou que pode responder em jogos de alta pressão — 20 pontos, 6 rebotes e 5 assistências, comandando a virada no último período. A capacidade de aparecer em momentos decisivos foi uma das razões para o carinho da torcida e a rápida oferta de renovação por parte dos Warriors.
Contrato de três anos: estabilidade que pode sair em conta
Os Warriors asseguraram Gui por três temporadas e US$15 milhões. Para o jogador, é estabilidade financeira e espaço para evoluir. Para a franquia, é um contrato de baixo risco com upside. Se Gui mantiver a produção vista na reta final — ou evoluir nos pontos fracos apontados — o acordo tende a ser um excelente negócio para Golden State.
Onde ainda precisa melhorar
Apesar dos avanços, há metas claras para o verão: aumentar consistência nos arremessos de três (34,8% nos últimos 32 jogos) e melhorar aproveitamento nos lances livres (74%). A irregularidade nos percentuais compromete a previsibilidade ofensiva; trabalhar isso determinará se Gui passa de peça complementar a arma confiável na rotação titular.

Impacto coletivo: papel além dos números
Mais do que estatísticas, Gui ofereceu versatilidade defensiva e intensidade — marca histórica dos Warriors. Sua capacidade de ocupar espaços deixados por Jimmy Butler, disputar por posição com alas altos e ainda ser facilitador no ataque acrescentou camadas ao esquema de Steve Kerr. Para uma equipe que busca equilíbrio entre estrelas e rotação profunda, isso tem valor imediato.
O contexto técnico: Steve Kerr e o futuro do comando
A temporada também trouxe interrogações sobre o futuro do treinador Steve Kerr, que deu sinais de cansaço ao longo do ano e evitou conclusões definitivas após a eliminação. Gui, que foi promovido por Kerr, rasgou elogios ao técnico, destacando a compreensão que ele tem dos jogadores por ter sido atleta. A eventual saída de Kerr reconfiguraria o horizonte dos Warriors e poderia influenciar o desenvolvimento e o papel de jovens peças como Gui.
Legado brasileiro e referências para a nova geração
Gui destacou a importância de ídolos como Oscar Schmidt e o apoio de veteranos brasileiros — Leandrinho, Anderson Varejão e Tiago Splitter — no seu percurso. Com 68 jogos na temporada regular e 1.395 minutos em quadra, ele solidificou-se entre os brasileiros com mais partidas na NBA e cria um caminho aspiracional para nomes como o irmão Edu Santos, de 16 anos, e futuros talentos do NBB.
Relevância de Oscar e reação pública
Gui comentou sobre a morte de Oscar Schmidt e exaltou sua dimensão histórica para o basquete brasileiro, enfatizando recordes e impacto cultural. A declaração gerou debate nas redes, mas aponta para a geração atual reconhecendo referências e buscando ampliar a presença brasileira na NBA.
Próximos passos: offseason e metas individuais
O verão de Gui será de trabalho focado em arremesso, finalização e agressividade ofensiva, conforme suas próprias metas. Isso é crucial: transformar o volume de jogo e a confiança em eficiência real é o divisor entre um contrato barato com bom retorno e um salto salarial futuro bem maior. Para os Warriors, a janela para integrar Gui de forma sustentável no núcleo competitivo ainda está aberta.
Vida pessoal e equilíbrio
Fora das quadras, Gui está noivo de Julia Lawrenz e pretende aproveitar o período entre temporadas para preparar o casamento e aprimorar seu jogo. A manutenção do equilíbrio entre vida pessoal e desenvolvimento profissional será outro fator para seu avanço.
O que isso significa para os Warriors
Gui Santos oferece ao Golden State Warriors uma solução interna com múltiplas funções: energia, defesa, e crescente carga ofensiva. A renovação é lógica e econômica, mas o time precisa decidir se seguirá investindo em desenvolvimento interno ou buscará reforços externos para manter competitividade. A incerteza sobre a continuidade de Kerr e a necessidade de ajustes no elenco tornam as próximas semanas cruciais para o projeto esportivo da franquia.
Espn



