
Corinthians venceu o Internacional por 2 a 1 na Neo Química Arena, mas foi eliminado da Copa do Brasil no agregado (3 a 2). A alteração tática de Fernando Diniz — mais cruzamentos para Pedro Raul — rendeu gol, mas expôs deficiências ofensivas e defensivas que custaram a vaga ao time paulista.
Corinthians eliminado da Copa do Brasil apesar da vitória
Corinthians entrou em campo precisando de dois gols para avançar e cumpriu o dever de vencer por 2 a 1, mas não conseguiu reverter o 2 a 0 sofrido em Porto Alegre. A classificação ficou com o Internacional pelo placar agregado de 3 a 2.
Decisões táticas e mudanças de estilo
Fernando Diniz substituiu Gui Negão por Pedro Raul para ocupar mais a área adversária. A equipe abriu mão de associações curtas e passou a priorizar cruzamentos e bola aérea — uma solução pragmática que funcionou parcialmente. Gustavo Henrique abriu o placar de cabeça, Pedro Raul fez seu primeiro gol na temporada, mas a dependência das bolas longas reduziu a qualidade da construção ofensiva.
Como o jogo se desenrolou
A etapa inicial foi amplamente dominada pelo Corinthians em volume: 10 finalizações contra nenhuma do Inter até o intervalo. O gol de Gustavo Henrique, aos 42 minutos, veio na sequência de escanteio e bateu em Matheus Cunha antes de entrar.
No segundo tempo, o Internacional ajustou a postura, buscou mais posse e, em um lançamento longo, Bernabei marcou aos 13 minutos. O gol dos visitantes foi a segunda finalização que acertou o gol na partida. Pedro Raul respondeu aos 25 minutos com cabeçada após cruzamento de Matheus Bidu, mas o tempo e a vantagem acumulada do Inter foram decisivos.
Momentos-chave
Gustavo Henrique, 42' do 1º tempo: cabeceio após cobrança de falta. Bernabei, 13' do 2º tempo: finalização após erro na recomposição. Pedro Raul, 25' do 2º tempo: cabeceio para reduzir o agregado.
Estatísticas, público e curiosidades
Presença: 44.777 torcedores na Neo Química Arena. Chances: Corinthians terminou com 14 finalizações, apenas quatro no alvo; Inter teve quatro finalizações, duas no alvo. Arbitragem: Felipe Fernandes de Lima. Cartões: Matheuzinho, Gustavo Henrique; Carbonero, Paulinho, Matheus Bahia. Renda: R$ 3.371.710,00.
O que a eliminação significa para o Corinthians
A queda elimina o atual campeão da Copa do Brasil e reforça a tese de que o time ainda busca identidade consistente nesta temporada. A mudança tática para explorar Pedro Raul mostrou pragmatismo, mas também escancarou limitações: falta de mobilidade para criar superioridade numérica e eficiência ruim nas finalizações.
Essa derrota evidencia necessidade de ajustes em dois pilares: finalização e transição defensiva. Enquanto o ataque dependeu demais de cruzamentos previsíveis, a defesa vacilou em lances isolados que custaram caro no confronto de ida.
Impacto na confiança e avaliação técnica
Vencer e mesmo assim ser eliminado corrói confiança e amplia pressão sobre comissão técnica e elenco. Para Diniz, fica o desafio de conciliar seu modelo de jogo com soluções pragmáticas sem abrir mão da construção. Jogadores como Pedro Raul ganham crédito por esforço e posicionamento, mas a eficácia coletiva precisa subir.
Próximos jogos e implicações imediatas
A equipe volta o foco ao Campeonato Brasileiro: Corinthians enfrenta o Red Bull Bragantino no domingo, em Bragança Paulista. Em seguida virá a estreia nas oitavas de final da Libertadores contra o Rosario Central. Com a Copa do Brasil encerrada, o clube terá que administrar elenco e ajustar rotinas para recuperar consistência em duas frentes ainda prioritárias.
O que observar nas próximas partidas
Evolução na construção ofensiva: menos cruzamentos previsíveis, mais infiltrações e variações. Compactação defensiva: evitar erros individuais que geram contra-ataques letais. Rendimento de Pedro Raul: transformar o bônus do gol em presença mais constante e complementar ao jogo coletivo.
Escalações (resumo)
Corinthians: Hugo Souza; Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique, Matheus Bidu; Raniele, André (Jesse Lingard), Breno Bidon (André Carrillo), Rodrigo Garro; Kaio César (Matheus Pereira) e Pedro Raul. Técnico: Fernando Diniz.
Internacional: Matheus Cunha; Bruno Gomes, Mercado, Maripán, Matheus Bahia (Braian Aguirre); Paulinho (Ronaldo), Bruno Henrique (Juninho), Alan Patrick (Alerrandro); Vitinho, Bernabei e Carbonero (Allex). Técnico: Paulo Pezzolano.
Conclusão
A eliminação expõe um Corinthians em transição, capaz de vencer jogos, mas ainda preso a inconsistências que o impedem de avançar em mata-matas. O diagnóstico é claro: há talento no elenco, mas faltam soluções ofensivas mais criativas e solidez defensiva nos momentos decisivos. As próximas semanas serão cruciais para ver se Diniz e o time transformam as lições em respostas imediatas.
Estadao Br



