
Conselho do Santos aprovou as contas de 2025 com 74% de votos, mas a festa é amarga: receita recorde de quase R$680 milhões convive com prejuízo e dívida de R$998,5 milhões. O clube reconheceu R$90,5 milhões a pagar à NR Sports por Neymar, oferecendo o CT Meninos da Vila como garantia, enquanto a pressão do endividamento de curto prazo sufoca o caixa.
Votação do Conselho e panorama imediato
O Conselho Deliberativo aprovou as contas do exercício de 2025 com 109 votos a favor, 37 contra e uma abstenção, validando a gestão de Marcelo Teixeira com 74% de aprovação. A decisão consolida um balanço com números conflitantes: receita histórica ao lado de resultado operacional negativo e endividamento crescente.
Receita recorde, prejuízo e dívida perto de R$1 bilhão
Apesar da receita próxima de R$680 milhões em 2025, o Santos encerrou o ano no vermelho. A dívida total alcançou R$998,5 milhões, comprimindo a capacidade financeira do clube. A situação financeira fica ainda mais crítica pelo volume de obrigações de curto prazo — R$362 milhões a pagar em menos de um ano — que consome grande parte do caixa operacional.
Detalhes do aditivo com a NR Sports e o efeito Neymar
O clube formalizou um aditivo contratual que reconhece R$90,5 milhões a pagar à NR Sports, gestora de imagem de Neymar. Do total, R$26 milhões referem-se a parcelas vencidas, parceladas em cinco prestações mensais de R$5,2 milhões entre janeiro e maio de 2026. Os R$64,5 milhões remanescentes serão pagos em 43 parcelas mensais de R$1,5 milhão após a quitação das parcelas atrasadas. O aditivo prevê vencimento antecipado da dívida em dois cenários: se Marcelo Teixeira não se reeleger em dezembro de 2026 ou se o Santos migrar para a estrutura de SAF.

CT Meninos da Vila empenhado como garantia
Para dar segurança ao credor, o clube ofereceu o CT Meninos da Vila como garantia real, comprometendo um dos seus principais ativos imobiliários. Essa decisão reduz a margem de manobra futura do Santos, tornando mais complexa qualquer operação que envolva o patrimônio do clube.
Pressão sobre caixa e folha salarial
A necessidade de honrar compromissos no curto prazo explica a dificuldade em manter salários e direitos de imagem em dia. Os “salários a pagar” saltaram de R$3 milhões no fim de 2024 para mais de R$14,5 milhões em 2025. Além do aumento da folha, o FGTS devido triplicou, elevando encargos e exigindo gestão de caixa ainda mais rígida. Na prática, o clube depende quase exclusivamente da venda de atletas para evitar paralisia das atividades básicas.
O que isso significa para o Santos agora
O endividamento próximo de R$1 bilhão e a vinculação do CT transformam uma questão contábil em problema estratégico. A cláusula de vencimento antecipado politiza a dívida: a continuidade do modelo de gestão de Marcelo Teixeira passa a influenciar diretamente a liquidez. Se a cláusula for ativada, o clube poderia ser obrigado a pagar dívidas à vista, pressionando por leilões de ativos ou vendas urgentes de jogadores em mercados desfavoráveis.
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Próximos passos plausíveis
No curto prazo, o calendário de pagamentos (incluindo as cinco parcelas de R$5,2 milhões) exigirá caixa imediato. A diretoria terá que buscar renegociações, antecipação de receitas ou operações de capital para alongar prazos. No médio prazo, debates sobre a adoção de SAF, renegociação de contratos e eventuais vendas de ativos ou jogadores serão inevitáveis. Transparência com conselheiros e sócios e medidas para proteger o patrimônio esportivo serão decisivas para evitar erosão maior do clube.
Conclusão
A aprovação das contas deu respaldo político imediato à diretoria, mas expôs um balanço onde receita elevada convive com risco financeiro elevado. O Santos entra em 2026 com pouco espaço de manobra: a combinação de obrigações de curto prazo, cláusulas contratuais sensíveis e o compromisso sobre o CT colocam o clube numa encruzilhada entre ajustes drásticos ou soluções estruturais mais profundas.
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