
Ronaldinho, de 46 anos, regressa ao futebol profissional ao assinar pelo Ravenna, clube da Serie C italiana. Para além de poder jogar, o brasileiro terá papel como investidor e rosto da nova gestão liderada por Ignazio Cipriani — uma contratação que mistura apelo desportivo, comercial e ambição de reconstrução do clube.
Ronaldinho assina pelo Ravenna e anuncia regresso aos relvados
Ronaldinho desembarcou em Itália para se apresentar como novo jogador do Ravenna, equipa que disputa a Serie C. O craque de 46 anos não disputa uma partida oficial desde 2015, época em que representou o Fluminense.
A chegada integra um plano de expansão liderado pelo empresário Ignazio Cipriani, que assumiu o controlo do clube em 2024. Ronaldinho deverá ser inscrito e há intenção de que participe em jogos oficiais ao longo da temporada.
Contrato: jogador, investidor e embaixador
O acordo prevê mais do que minutos em campo: Ronaldinho terá responsabilidades como investidor e acionista e participará em ações de marketing e eventos internacionais para fortalecer a marca Ravenna.
Essa dupla vertente — desportiva e comercial — transforma a contratação numa operação estratégica para aumentar visibilidade, atrair patrocinadores e envolver adeptos locais e globais.
Expectativas desportivas e condicionantes físicas
Apesar do entusiasmo, não se espera que Ronaldinho alinhe já na estreia do Ravenna, frente ao Reggiana. A quantidade de jogos em que participará ainda não foi definida.
Do ponto de vista desportivo, a grande interrogação é o nível físico e competitivo após mais de uma década sem competição profissional. É plausível prever minutos controlados e presença como elemento de rotatividade e liderança dentro do balneário.
História e ambição do Ravenna
Fundado em 1913, o Ravenna tem sede na região da Emília-Romanha e joga no Estádio Bruno Benelli. O clube viveu o seu apogeu nos anos 90, atingindo a Serie B pela primeira vez em 1993, mas desde então alternou entre dificuldades financeiras e registos modestos nas divisões inferiores.
A nova gestão quer recolocar o Ravenna numa trajetória ascendente com o objetivo declarado de regressar à Serie B. A chegada de Ronaldinho é uma aposta de imagem que visa acelerar esse projeto, tanto em termos de receita como de notoriedade.
Carreira de Ronaldinho: o legado antes do regresso
Ronaldinho construiu uma carreira marcada por títulos e brilho técnico: Grêmio, Paris Saint-Germain, Barcelona, AC Milan, Flamengo, Atlético Mineiro e Fluminense. Foi campeão do Mundo com a Seleção Brasileira em 2002, ganhou a Liga dos Campeões com o Barcelona e recebeu o prémio de Melhor Jogador do Mundo em 2005.
O regresso a um clube de menor dimensão Itália é atípico para um vencedor deste calibre, mas encaixa numa tendência contemporânea de ex-glórias que combinam papéis esportivos e institucionais em clubes emergentes.
O que isto significa — análise
Desportivamente, o impacto imediato será limitado; Ronaldinho dificilmente sustentará uma temporada inteira a alto nível. Mas o valor simbólico e comercial é elevado: o Ravenna ganha projeção global instantânea, potencial para receitas de merchandising e maior atenção mediática.
A longo prazo, o sucesso desta operação dependerá da gestão do tempo de jogo, da integridade física do jogador e da capacidade do clube em converter visibilidade em resultados financeiros e desportivos concretos — sobretudo uma subida à Serie B.
Próximos passos
Espera-se a inscrição formal de Ronaldinho no plantel e comunicados sobre a sua disponibilidade competitiva. O desafio para o Ravenna será equilibrar expectativas mediáticas com uma estratégia realista de crescimento desportivo. Para Ronaldinho, trata-se de fechar um capítulo da carreira com uma experiência inédita em Itália — e quem sabe marcar o que poderá ser o último golo da sua carreira.
Gazeta Esportiva



