Aumento de crédito de Max e possível conflito de interesses de Alan Belaciano abalam recuperação do Vasco

Polícia investiga fraude no processo de recuperação do Vasco

Delegacia de Defraudações investiga possível fraude em crédito reivindicado pelo ex‑atacante Max na recuperação judicial do Vasco: valor contestado saltou de cerca de R$ 2,5 milhões para mais de R$ 8 milhões, enquanto apura‑se se o dirigente e ex‑advogado Alan Belaciano manteve influência indevida no processo.

Investigação sobre o crédito de Max balança a recuperação judicial do Vasco

A Delegacia de Defraudações do Rio apura se houve fraude a credores envolvendo um crédito reclamado pelo ex‑jogador Max no processo de recuperação judicial do Vasco. O clube questiona um aumento expressivo no montante alegado — de aproximadamente R$ 2,5 milhões para mais de R$ 8 milhões — e a participação do ex‑advogado e dirigente Alan Belaciano no caso.

O que está em análise

A polícia já ouviu o ex‑atleta e reuniu documentos que motivaram a investigação, iniciada em maio. A apuração busca esclarecer se o valor apresentado ao processo foi corretamente calculado e se houve qualquer atuação irregular de Belaciano após ele deixar formalmente a defesa de Max.

Discrepância nos valores: como surgiu a controvérsia

Segundo relatos internos, o crédito que transitou na movimentação contábil do Vasco sofreu variações significativas. A administradora judicial do processo registrou uma dívida próxima de R$ 7,9 milhões, confirmada por novos cálculos que elevaram o montante a cerca de R$ 8 milhões. Por outro lado, o clube e sua SAF passaram a contestar o montante, alegando divergências técnicas.

Depoimento e contexto jurídico

Max afirmou que seus advogados chegaram a indicar que a ação poderia representar cerca de R$ 8 milhões, mas que, pelas regras da recuperação judicial, o montante líquido a receber seria perto de R$ 5 milhões. Esse desalinhamento entre valores potenciais, reconhecidos e efetivamente consolidados é o núcleo do litígio.

Possível conflito de interesses envolvendo Alan Belaciano

Belaciano foi advogado de Max quando a ação foi proposta em 2016 e deixou formalmente a defesa em 2017, embora tenha participado de audiências em 2017 e 2019 a pedido do jogador. A investigação mira se o dirigente manteve atuação nos bastidores do processo depois de cessada a representação e se esse envolvimento conflitou com seu papel institucional no Vasco.

Questionamentos internos e papel do Conselho Fiscal da SAF

Ex‑dirigentes alertaram sobre inclusão do crédito no balanço de 2025 e relataram que Belaciano se apresentou como interlocutor entre o clube e advogados trabalhistas durante acordos. O Conselho Fiscal da SAF também solicitou investigação por potencial conflito de interesses, citando outros seis processos que, juntos, somam cerca de R$ 10,8 milhões contestados na recuperação judicial.

Impacto imediato para o Vasco e a SAF

O caso traz duas consequências concretas e imediatas: pressão adicional sobre a transparência das negociações na recuperação judicial e risco reputacional para a gestão do clube. Controvérsias dessa natureza podem atrasar homologações de acordos com credores e aumentar a vigilância de órgãos internos e externos sobre a governança da SAF.

Risco financeiro e operacional

Se a polícia identificar irregularidades, reivindicações poderão ser recalculadas ou desconsideradas, alterando a base de credores reconhecidos no plano de recuperação. Mesmo sem confirmação de ilícito, a disputa judicial e as revisões contábeis aumentam a incerteza sobre o passivo real do clube.

Próximos passos da investigação

A polícia pretende ouvir Belaciano, o presidente Pedrinho e outros envolvidos antes de concluir o inquérito. Decisões administrativas da SAF e movimentações judiciais subsequentes dependerão do resultado dessas oitivas e da eventual reavaliação dos cálculos apresentados.

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Análise: por que isso importa

Para um clube em recuperação judicial, cada crédito contestado altera o equilíbrio entre pagamentos e viabilidade do plano. Além do aspecto financeiro, a suspeita de conflito de interesses toca diretamente a governança institucional — um ponto sensível para investidores, parceiros e a própria torcida. Gestão transparente não é só compliance; é condição para avançar com serenidade nas negociações de dívidas.

O que pode acontecer a seguir

Caso se confirme irregularidade, o Vasco poderá reaver valores ou renegociar posições com credores, enquanto dirigentes envolvidos enfrentariam consequências administrativas ou legais. Se a investigação não encontrar indícios suficientes, resta ao clube reparar danos reputacionais e reforçar controles internos para evitar novas disputas.

Conclusão

O episódio com o crédito de Max expõe fragilidades na execução da recuperação judicial do Vasco e levanta dúvidas sobre práticas de governança em momentos críticos. A investigação na Delegacia de Defraudações é um teste para a transparência da SAF: o desfecho influenciará não só o montante final das dívidas, mas a credibilidade da gestão do clube no médio prazo.

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