
Roberto Martínez chega ao Mundial2026 com saldo misto: depois de críticas pelo fraco rendimento no Euro2024, recuperou prestígio ao conquistar a Liga das Nações e garantiu Portugal no torneio. O técnico espanhol, aos 52 anos e à procura do terceiro Mundial da carreira, enfrenta dúvidas tácticas e altas expectativas no Grupo K frente à República Democrática do Congo, Uzbequistão e Colômbia.
Roberto Martínez e Portugal rumo ao Mundial2026: o contexto
Roberto Martínez prepara-se para o seu terceiro Mundial como treinador, aos 52 anos. A sua carreira em selecções é marcada por extremos: levou a Bélgica ao melhor resultado de sempre (3.º lugar em 2018) e levou Portugal a um troféu oficial — a Liga das Nações — depois de um percurso qualificativo avassalador.
Por que este Mundial é decisivo para Martínez
Após um ciclo em que alternou excelência em qualificação com torneios de rendimento irregular, Martínez chega aos EUA/Canadá/México com reputação renovada, mas sem dissipar críticas sobre a identidade da equipa. O Mundial2026 será uma prova de fogo para consolidar um legado que oscila entre a eficácia a longo prazo e a incapacidade de dominar fases finais.
Trajectória internacional: Bélgica e Portugal
Na Bélgica, Martínez comandou a geração dos "Diabos Vermelhos" que alcançou as meias-finais do Mundial2018, batendo o Brasil nos quartos (2-1) e cedendo apenas à França na meia-final. Apesar do topo do ranking FIFA e de qualificação sólida, faltaram títulos.
Com Portugal, nomeado em 2023, começou por impressionar: 10 vitórias em 10 jogos rumo ao Euro2024, com 36 golos marcados e apenas dois sofridos — e a maior goleada da história em apuramentos (9-1 ao Luxemburgo). No entanto, o Euro ficou aquém das expectativas, com a humilhante derrota frente à Geórgia e eliminação contra a França nos penáltis.
Redenção: a conquista da Liga das Nações
A vitória na Liga das Nações devolveu crédito a Martínez. Portugal superou a Alemanha nas meias (2-1) e bateu a Espanha na final após penáltis, um trajecto que forçou muitos críticos a recuar. Na prática, o troféu mostrou que Martínez consegue manobrar emocionalmente a equipa em momentos decisivos e adaptar-se a adversários de alto nível.
O que significou tácticamente
Martínez tem preferido sistemas com três centrais e laterais ativos, valorizando posse e construção pelo meio. Essa abordagem garantiu domínio em qualificações, mas, em torneios, por vezes foi criticada pela falta de intensidade e profundidade nas transições defensivas. A Liga das Nações revelou uma versão mais pragmática e resoluta da equipa.
Qualificação para o Mundial2026: altos e baixos
Portugal arrancou a qualificação com goleadas (5-0 à Arménia) e resultados sólidos (3-2 na Hungria), mas perdeu fulgor e só selou o apuramento na última jornada, insuflando moral com um 9-1 na recepção à Arménia no Dragão. O balanço revela talento ofensivo e alguma vulnerabilidade competitiva quando o ritmo cai.
Grupo K do Mundial2026: calendário e implicações
Portugal integra o Grupo K, com início a 17 de junho contra a República Democrática do Congo, em Houston (12:00 locais / 18:00 Lisboa). Segue-se o estreante Uzbequistão a 23 de junho, também em Houston (12:00 locais / 18:00 Lisboa). O grupo fecha a 27 de junho em Miami contra a Colômbia (19:30 locais / 00:30 Lisboa).
Enfrentar equipas com estilos distintos — Congo físico e rápido, Uzbequistão organizado e técnico, Colômbia com intensidade e transições — obriga Portugal a versatilidade. A fase de grupos é favorável no papel, mas exige foco e tacticamente evitar surpresas.
Análise: pontos fortes e riscos
Pontos fortes: - Ataque remanescente de qualidade, com capacidade para marcar muitos golos. - Experiência de Martínez em gerir gerações com talento e em impor-se em qualificação. - Moral reforçado pela conquista da Liga das Nações.
Riscos:
Inconsistência em torneios curtos; performances abaixo do ideal no Euro2024 são um alerta.
Dependência de momentos individuais e dificuldade ocasional em manter intensidade defensiva.
Necessidade de equilíbrio entre criatividade ofensiva e solidez defensiva contra adversários físicos.
O que pode acontecer no Mundial
Num cenário ideal, Martínez ajusta a equipa para maiores transições rápidas e melhora a agressividade defensiva sem perder criatividade. Isso transforma Portugal numa ameaça real nas fases eliminatórias. Se não o fizer, a equipa arrisca repetir o padrão de se afirmar em qualificação e falhar nos jogos decisivos do torneio.
Conclusão — expectativas e legado
Roberto Martínez chega a 2026 com argumentos para ser julgado de forma contraditória: técnico que produz resultados e um troféu, mas ainda alvo de dúvidas quanto à consistência em torneios. O Mundial será um termómetro claro: confirmar a evolução táctico-competitiva cimentará o seu lugar na história da seleção; falhar poderá reabrir o debate sobre o rumo da equipa nacional.
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