
AVS desceu na temporada 2025/26 apesar de fechar com um empate 1-1 frente ao Sporting e uma vitória memorável sobre o FC Porto (3-1); o final mais digno não apaga uma época marcada por erros de planeamento, mudanças contínuas de treinador e uma defesa permeável que selou um dos piores registos goleadores da I Liga em formato de 18 equipas.
AVS confirma descida apesar de reagir no fecho da época
A derrota do objetivo principal — permanecer na I Liga — ficou carimbada na 30.ª jornada, mas os resultados finais deram alguma dignidade. O empate com o Sporting (1-1) e a vitória sobre o campeão FC Porto (3-1), já após a descida confirmada, atenuaram uma temporada que, em termos práticos, ficou marcada por falhas estruturais e uma sucessão de decisões reativas no futebol do clube.
Trajetória da época: uma queda anunciada
A trajetória competitiva do AVS foi instável desde o arranque. Saídas relevantes e entradas sem impacto imediato comprometeram a qualidade do plantel. A equipa só alcançou a primeira vitória em fevereiro, na 22.ª jornada, contra o Estoril Praia (3-0), uma resposta tardia que não foi suficiente para inverter o destino.
Resultados que disseram mais tarde o que já se sabia
Apesar de um período final mais positivo — incluindo o triunfo sobre o FC Porto — o saldo da época mostra fragilidades claras: um registo pobre em golos marcados e sofridos que confirma erros na planificação desportiva. AVS acabou por evitar ser o pior em pontos desde o Penafiel 2004/05, mas isso pouco consolo traz face à descida.
Rotatividade técnica e impacto no rendimento
A época passou por várias mudanças no comando técnico: Jorge Costa e José Mota estiveram associados a momentos diferentes da trajectória; José Mota saiu após cinco jornadas; Fábio Espinho garantiu a transição para João Pedro Sousa; Armando Roriz assumiu como interino; e João Henriques entrou na 15.ª jornada, mantendo a equipa na luta por objetivos intermédios até ao fim.
Henriques e a reconstrução mental
João Henriques merece crédito por alterar mentalidades e elevar exibicões. Focou-se em etapas concretas — manter a baliza a zeros, obter triunfos pontuais — e conseguiu que a equipa exibisse maior organização. Ainda assim, a melhoria técnica não conseguiu colmatar lacunas defensivas e ofensivas herdadas de erros de mercado e planeamento.
Mercado, opções e jogadores-chave
O plantel sofreu mudanças substanciais: chegaram o guarda‑redes Adriel, o defesa direito Mateus Pivô, o médio Roni e o lateral brasileiro Pedro Lima; saíram cerca de uma dezena de jogadores. Rúben Semedo teve uma passagem curta e praticamente desapareceu das opções. A nomeação de Diogo Boa Alma como diretor‑geral trouxe experiência do trabalho feito no Santa Clara, mas as intervenções de mercado não inverteram a tendência.
Onde o plantel ficou mais curto
A falta de soluções consistentes na defesa e a escassez de capacidade ofensiva foram determinantes. Entradas sem historial na I Liga e saídas de elementos com experiência criaram um desequilíbrio difícil de resolver ao longo da temporada.
Análise: do planeamento à execução
O caso AVS sublinha a diferença entre estratégias reativas e projetos sustentáveis. Mudanças técnicas frequentes e uma política de contratações sem critério de adaptação à realidade da I Liga produziram uma equipa com défices claros em organização defensiva e criatividade ofensiva. A recuperação de final de época indica potencial de resiliência, mas não esconde falhas estruturais.
O que isto significa para o futuro
A descida força uma revisão profunda: estabilidade diretiva, scouting mais eficiente, retenção de talentos e um modelo de jogo coerente. Manter ou atrair nomes como Adriel, Mateus Pivô e Roni pode ser uma base; entretanto, a reestruturação do departamento de futebol e um plano de reforço focado na experiência competitiva serão essenciais para uma possível subida na próxima época.
Conclusão
AVS termina 2025/26 com momentos de brilho tardio, mas com uma folha de erros que custou a permanência. A imagem final é a de um clube com capacidade de reação e liderança técnica capaz de melhorar mentalidades, mas que precisa de decisões mais estratégicas e menos emergenciais para voltar a competir de forma sustentada na I Liga.
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