
Seis federações árabes — Qatar, Egito, Mauritânia, Líbano, Sudão e Marrocos — subscreveram um apoio público a Gianni Infantino, elogiando o seu papel no desenvolvimento global do futebol. O gesto reforça apoios de CONMEBOL e CAF, mas contrapõe-se à reação de AFC, UEFA e CONCACAF e chega num momento crítico antes das eleições da FIFA em 2027.
Seis federações árabes reforçam apoio a Gianni Infantino
Seis federações do mundo árabe formalizaram um comunicado de apoio a Gianni Infantino, destacando o seu "compromisso contínuo com o desenvolvimento do futebol a nível mundial". Entre os signatários estão Qatar, Egito, Mauritânia, Líbano, Sudão e Marrocos — este último coanfitrião do Mundial 2030 com Portugal e Espanha. Quatro dessas federações integram o Conselho da FIFA, o que confere significado institucional ao gesto.
O que dizem as federações
As federações enfatizam esforços de Infantino em expandir oportunidades regionais e reforçar a presença do futebol árabe no palco global. O comunicado sublinha a expectativa de continuidade da cooperação com a liderança da FIFA para consolidar projetos e infraestruturas na região.
O confronto: apoio vs. rejeição
Ao mesmo tempo, a posição de Infantino enfrenta fortes críticas de parte das confederações. AFC, UEFA e CONCACAF subscreveram uma carta aberta denunciando uma "importante quebra de confiança", acusando o presidente de operar com "engano" ao propor a FIFA Forward Enterprise (FFE). Essa proposta — retirada depois da contestação — previa alienar até 20% das receitas comerciais do Mundial a investidores privados.
Retiradas de apoio na Europa
A vaga de oposição europeia ganhou tração quando a Associação de Futebol da Irlanda (FAI) revogou o apoio à reeleição de Infantino, citando preocupações de governança, transparência e falta de consultas. Inglaterra, Países Baixos, Finlândia, Noruega, Sérvia e Suécia também integraram o grupo de federações que se afastaram do apoio inicial.
Contexto para as eleições da FIFA em 2027
A reeleição de Infantino será decidida em sufrágio entre as 210 federações-membro por maioria simples. O prazo para apresentação de candidaturas termina a 18 de novembro, com a votação marcada para 18 de março de 2027. Apesar de apoios relevantes — incluindo CONMEBOL, CAF e países como Argentina, Bolívia, Equador e Venezuela — a disputa promete ser tensa e pragmática.
Por que isto importa
O resultado influencia diretamente a direção comercial e institucional da FIFA, a relação com confederações como UEFA e AFC, e projetos estratégicos como a própria organização do Mundial de 2030. A polarização entre regiões revela fissuras na governação global do futebol e torna o processo eleitoral um momento decisivo para definir normas de transparência e consulta.
Análise: sinais, riscos e próximas etapas
O apoio das federações árabes mostra que Infantino mantém uma base sólida fora da Europa, reforçada por laços com países anfitriões de competições e pela defesa de investimentos regionais. Contudo, a retirada do apoio de federações europeias e a crítica coletiva de confederações poderosas expõem fragilidades políticas que não podem ser subestimadas.
O que pode acontecer a seguir
É provável que as próximas semanas vejam esforços intensificados de negociação e lobby entre a presidência da FIFA e federações-chave. A decisão sobre candidaturas até novembro e o comportamento de votantes independentes serão cruciais. Se a oposição europeia consolidar alianças com outras regiões, o ambiente de votação poderá tornar a reeleição muito mais competitivo do que o panorama de apoios iniciais sugere.
Conclusão
O apoio público das seis federações árabes é um reforço político para Infantino, mas não resolve a questão central: a perda de confiança junto a blocos institucionais influentes. As eleições de 2027 serão o termómetro dessa tensão entre estratégias comerciais, governança e a luta por influência entre regiões — e o desfecho terá impacto direto na governação do futebol até o ciclo seguinte.
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