Vasco e Fluminense: Rivalidade que ultrapassa as quatro linhas

Vasco e Fluminense: Rivalidade que ultrapassa as quatro linhas

O sorteio da Copa do Brasil colocou frente a frente dois rivais históricos do futebol carioca: Mais do que um clássico, o confronto representa décadas de disputas esportivas, políticas e institucionais.

Anos 80: equilíbrio e grandes decisões

Na década de 1980, o Campeonato Carioca possuía um peso muito maior do que nos dias atuais. O Fluminense conquistou quatro estaduais, enquanto o Vasco levantou três taças. Apesar da forte rivalidade, os clubes se enfrentaram em finais apenas em 1980, quando o tricolor saiu campeão.

Em 1984, Vasco e Fluminense protagonizaram a primeira final entre clubes cariocas na história do Campeonato Brasileiro. No primeiro jogo, vitória tricolor por 1 a 0, com gol de Romerito. Na partida decisiva, o empate sem gols garantiu ao Fluminense seu segundo título nacional.

Na Libertadores de 1985, os rivais dividiram o Grupo 1 com Argentinos Juniors e Ferro Carril Oeste. Na época, a vitória valia dois pontos e o empate apenas um. Argentinos e Ferro lideraram com nove pontos cada, enquanto Vasco e Fluminense terminaram empatados com três pontos, após dois clássicos eletrizantes: 0 a 0 e 3 a 3. Ambos acabaram eliminados ainda na primeira fase.

Em 89, o Vasco venceu seu segundo brasileiro frente a outro tricolor, o paulista

Os anos 80 ficaram marcados pelo equilíbrio e por confrontos históricos entre cruzmaltinos e tricolores.

Anos 90: a era vascaína e o sofrimento tricolor

Os anos 90 representaram um dos períodos mais vitoriosos da história recente do Vasco. O clube conquistou a Libertadores de 1998, o Campeonato Brasileiro de 1997, o Rio-São Paulo de 1999 e quatro títulos estaduais.

Enquanto isso, o Fluminense viveu a maior crise de sua trajetória. O tricolor conquistou apenas o Campeonato Carioca de 1995 e acumulou três rebaixamentos consecutivos no Brasileirão entre 1996 e 1998.

Nesse período, o nome de Eurico Miranda passou a fazer parte diretamente da rivalidade política entre os clubes. Vice-presidente do Vasco na época, Eurico foi peça importante na chamada “virada de mesa” que evitou o rebaixamento tricolor em 1996. A imagem de Gil Carneiro de Mendonça abrindo uma garrafa de champanhe após a decisão tornou-se um símbolo doloroso para parte da torcida tricolor.

Em 1999, comandado por Carlos Alberto Parreira, campeão mundial com a Seleção Brasileira em 1994, o Fluminense chegou à semifinal da Copa do Brasil, mas acabou eliminado pelo Juventude, que seria campeão. Na mesma temporada, o clube conquistou o título da Série C do Campeonato Brasileiro.

Anos 2000: caminhos opostos

Nos anos 2000, o Fluminense voltou ao cenário internacional. O clube foi finalista da Libertadores de 2008 e da Copa Sul-Americana de 2009, conquistou sua primeira Copa do Brasil em 2007 e venceu dois estaduais, em 2002 e 2005.

Já o Vasco conquistou o polêmico Campeonato Brasileiro de 2000, organizado pela Copa João Havelange, além da Copa Mercosul do mesmo ano. O cruzmaltino também foi vice-campeão mundial em 2000, mas terminou a década convivendo com o rebaixamento em 2008.

2010: a rivalidade ganha novos capítulos

Com a parceria consolidada com a Unimed, o Fluminense viveu sua melhor década no século XXI. O tricolor conquistou os Campeonatos Brasileiros de 2010 e 2012, além do Carioca de 2012.

O Vasco, por sua vez, conquistou sua primeira Copa do Brasil em 2011 e os Campeonatos Cariocas de 2015 e 2016.

Mas foi fora das quatro linhas que a rivalidade atingiu um novo patamar: a disputa pelo Setor Sul do Maracanã.

O Vasco sustenta o direito histórico conquistado em 1950, quando venceu o primeiro Campeonato Carioca realizado no novo Maracanã e escolheu o lado direito das arquibancadas — atual Setor Sul — por receber menos sol nos jogos da tarde.

Já o Fluminense defende o direito contratual obtido após a reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014. Com contrato firmado para mandar jogos no estádio, o clube passou a reivindicar o Setor Sul como espaço fixo.

A disputa gerou ações judiciais, trocas de provocações e até clássicos disputados sem público por falta de acordo entre as partes.

Anos 2020: títulos tricolores e reencontro decisivo

Na atual década, o Fluminense conquistou a Libertadores de 2023, a Recopa Sul-Americana de 2024 e voltou a levantar dois Campeonatos Cariocas, em 2022 e 2023.

O Vasco, ainda em processo de reconstrução, encontrou justamente no rival um de seus momentos mais simbólicos recentes: a eliminação tricolor na Copa do Brasil, resultado que permanece vivo na memória dos torcedores.

Agora, o destino volta a colocar frente a frente dois clubes que já foram apenas rivais esportivos, mas que hoje carregam uma rivalidade institucional, política e histórica cada vez maior.

Vale vaga nas quartas de final.

Vale orgulho.

Vale história.

E para o vascaíno, vale sempre acreditar.

Vamos Vascão!

Por Álvaro dos Navegantes | Notícias da Colina

Foto Lucas Merçon/ Flickr.com @Fluminense

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