
Vitória SC confirmou o insucesso do objetivo europeu ao terminar nono na I Liga, decisão que acelerou a demissão da direção e a marcação de eleições para 13 de junho. A temporada ficou marcada pela aposta em jovens, duas trocas de treinador e a contradição entre a conquista inesperada da Taça da Liga e um campeonato marcado por inconsciência ofensiva e instabilidade institucional.
Vitória SC falha apuramento e direção demite-se
Vitória SC terminou a I Liga no 9.º lugar, somando 42 pontos, o pior desempenho desde 2017/18. A posição ficou abaixo das expectativas criadas pelo presidente António Miguel Cardoso, que em 30 de agosto de 2025 prometera demitir‑se caso a equipa ficasse abaixo do quinto lugar — promessa cumprida a 14 de abril e que levou à convocação de eleições para 13 de junho.
A temporada teve um contraste flagrante: a inédita conquista da Taça da Liga a 10 de janeiro versus um campeonato permeado por instabilidade e resultados irregulares.
Classificação, números e protagonistas
Vitória somou 42 pontos — 28 em casa e apenas 14 fora — e apresentou debilidades ofensivas notórias, sendo o segundo pior ataque fora de portas com apenas 13 golos. Samu destacou‑se como a referência criativa e goleadora, com sete golos e três assistências. João Mendes foi o jogador mais utilizado, reflexo de uma base defensiva que procurou consistência num elenco jovem.
As performances foram inconsistentes: boas fases intermédias contrapuseram‑se a cadeias de jogos sem vitórias que condicionaram ambições europeias.
Treinadores e mudanças táticas
Luís Pinto chegou após vencer a II Liga com o Tondela e iniciou a pré‑época com um 3-4-3, sistema que acabou por abandonar no final de agosto em favor do 4-3-3 clássico do clube. A equipa começou a época com apenas três vitórias nas primeiras dez jornadas, recuperou na fase intermédia somando 10 pontos entre as jornadas 11 e 14 e fechou a primeira volta em 7.º com 25 pontos.
Aos sinais de instabilidade na segunda volta somou‑se uma troca no banco: Gil Lameiras, promovido da equipa B (Liga 3), substituiu Luís Pinto. Lameiras somou 10 pontos nas nove jornadas finais, mas não conseguiu elevar o nível competitivo o suficiente para garantir o apuramento europeu.
Aposta jovem: mérito e limitações
A temporada foi marcada pela aposta em 11 jogadores com 22 anos ou menos, muitos formados no clube — entre eles Noah Saviolo, Diogo Sousa, Gonçalo Nogueira e Miguel Nogueira — e por reforços como Oumar Camara e Tony Strata. Essa aposta reforça a identidade formadora do Vitória, mas expôs falta de experiência em momentos cruciais.
Saídas tardias na janela de verão — incluindo Borevkovic, Tomás Händel, Tiago Silva e Nuno Santos — aceleraram uma reconstrução do onze que resultou em oscilação de rendimento. A curto prazo, a juventude trouxe energia; a longo prazo, exigirá equilíbrio com elementos mais experientes.
Por que isto importa
A falha no apuramento tem impacto desportivo e financeiro imediato: menor visibilidade europeia, necessidade de ajustar a política de contratações e pressão por resultados rápidos. A Taça da Liga, porém, oferece um activo emocional e desportivo: é prova de que a equipa tem qualidade para triunfar em competições a eliminatória e serve como argumento para construir confiança.
O que vem a seguir
O Vitória terá de decidir entre consolidar a aposta jovem ou reforçar com experiência para estabilizar resultados. O mercado de verão e as eleições de 13 de junho serão determinantes: a nova direção terá que definir prioridade entre sustentabilidade financeira, venda de ativos e ambição imediata. Retenção de jogadores-chave como Samu e reforço do ataque fora de portas são prioridades óbvias.
Conclusão
A época do Vitória SC fica marcada pela contradição: glória efémera na Taça da Liga e desilusão no campeonato. A demissão da direção é sinal de responsabilidade, mas também de oportunidade para reordenar estratégias. A decisão que sair das urnas em junho e as escolhas no mercado definirão se o clube consegue transformar potencial jovem em estabilidade competitiva.
Jornal O Minho



