
Antes dos grandes estádios e da era milionária do futebol, o Rio de Janeiro tinha clubes que representavam bairros inteiros. Um deles foi o Andarahy Athletico Club, símbolo do Andaraí e personagem importante da história do futebol carioca.
Fundado em 9 de novembro de 1909, o Andarahy Athletico Club nasceu no coração do bairro do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Vestindo verde e branco e conhecido pelo mascote Periquito, o clube fez parte de uma época em que o futebol ainda construía suas primeiras grandes tradições na cidade.

Mais do que um time de futebol, o Andarahy era um ponto de encontro para os moradores da região. Seu espaço esportivo representava diversão, convivência e, principalmente, um sentimento de pertencimento ao bairro. Pesquisas acadêmicas sobre o clube destacam justamente essa relação entre o campo, a comunidade e a identidade local.
Um clube entre os grandes do futebol carioca
O Andarahy começou a disputar as competições da cidade e alcançou a elite do futebol carioca. Em 1915, conquistou o Campeonato Carioca da Segunda Divisão e garantiu seu espaço entre os principais clubes da época. Dez anos depois, voltou a conquistar a competição, em 1925.
Na Primeira Divisão, o clube também conseguiu campanhas expressivas. Em 1921, terminou o Campeonato Carioca na terceira colocação. O mesmo aconteceu em 1932 e 1933.
Mas foi em 1934 que o Andarahy chegou mais perto do título da elite. O clube terminou o Campeonato Carioca como vice-campeão, atrás do Botafogo. No ano seguinte, voltou a fazer uma boa campanha e terminou na quarta posição.
Era um período em que enfrentar Andarahy significava encarar um adversário tradicional do futebol do Rio.
O campo do Andarahy

A relação entre o clube e o bairro também passava pelo seu estádio.
O campo original ficava na região da Rua Prefeito Serzedello Corrêa, atualmente Rua Barão de São Francisco. O local tornou-se uma importante praça esportiva do Andaraí e ajudou a consolidar a ligação entre o clube e a comunidade.
Com o passar dos anos, porém, o Andarahy perdeu a posse de seu campo original. O clube ainda tentou reconstruir essa relação com a comunidade esportiva, chegando a construir outro estádio em terreno próximo à sua sede.
Em 1961, o terreno foi adquirido pelo America Football Club, que posteriormente construiu ali o estádio que recebeu o nome de Wolney Braune. O local ficava na Rua Barão de São Francisco, esquina com a Rua Teodoro da Silva.
Don-Don, o jogador que virou samba

Se existe um personagem que mantém o Andarahy vivo na memória popular do Rio, seu nome é Antônio de Paula Filho, o Don-Don.
O jogador se tornou uma das figuras mais conhecidas da história do clube e acabou entrando definitivamente na cultura carioca graças ao samba “Tempo de Don Don”, composição de Nei Lopes.
O verso que relembra os tempos em que Don-Don jogava pelo Andarahy transformou o antigo clube em referência para uma geração que talvez nunca tenha visto o Periquito entrar em campo.
A música foi posteriormente popularizada por nomes como Zeca Pagodinho, ajudando a levar o nome do Andarahy para muito além dos limites do futebol.
É uma das histórias mais curiosas do futebol carioca: um clube desapareceu, mas seu nome continuou sendo cantado.
O fim de uma era
O futebol carioca passou por profundas transformações durante a década de 1930. A profissionalização, as disputas entre ligas e a reorganização das entidades esportivas mudaram completamente o cenário.
Em 1937, com a união da Liga Carioca de Football e da Federação Metropolitana de Desportos, o Andarahy deixou de disputar o Campeonato Carioca.
Aquele seria o fim da participação do clube na elite do futebol carioca.
O Andarahy ainda existiria por décadas, mas já distante do protagonismo que havia conquistado nas primeiras décadas do século XX.
Em 1973, o clube foi definitivamente extinto.
O Andarahy não morreu na memória
Embora não exista mais como clube, o Andarahy permanece como parte da história esportiva e cultural do Rio de Janeiro.
Sua camisa verde e branca, o Periquito, o campo no Andaraí, as campanhas no Campeonato Carioca e, principalmente, a figura de Don-Don fazem parte de uma época em que os clubes eram profundamente ligados aos bairros que representavam.

O Andarahy foi vice-campeão carioca, revelou jogadores, enfrentou os gigantes do futebol da época e construiu uma identidade própria.
Mas talvez sua maior vitória tenha acontecido depois do fim.
Décadas após desaparecer, o nome Andarahy continua sendo lembrado no futebol, nos livros, nas pesquisas históricas e no samba.
Porque no Rio de Janeiro, onde futebol e música caminham lado a lado, alguns clubes deixam de existir nos gramados, mas continuam jogando na memória.
Andarahy, verde e branco, o Periquito do Andaraí — um clube que o tempo não conseguiu apagar.
O Outro Rio
Redação: ChatGPT (IA)
Fotos: Arquivo Jornal dos Sports
Vídeo: Jorginho, o lendário
Camisa: Coleção Particular de Jorginho, o Lendário




