Por: Sérgio Nascimento - Estádio Nílton Santos - Rio de Janeiro
10/04/2026

Trinta e três anos depois, o Botafogo voltou a enfrentar o Caracas, reeditando o confronto da Copa Conmebol de 1993. Naquela ocasião, o Glorioso levou a melhor com duas vitórias — 3 a 0 no Brasil e 1 a 0 na Venezuela — garantindo a classificação.
Desta vez, o desfecho foi diferente. Em início de trabalho sob o comando de Franclim Carvalho, em sua primeira experiência como técnico principal, o Alvinegro ficou no empate por 1 a 1 com a equipe venezuelana, no Estádio Nilton Santos, pela fase de grupos da Copa Sul-Americana.
Primeiro tempo de pouca inspiração
O Botafogo iniciou a partida com Raul; Vitinho, Bastos, Barboza e Caio Roque; Allan, Danilo, Matheus Martins, Montoro e Santi Rodríguez; Júnior Santos no comando do ataque.
Como prometido pelo treinador, a equipe adotou uma postura ofensiva, mas teve dificuldades para transformar a posse de bola em chances reais de gol. O Caracas assustou primeiro, aos 12 minutos, em cobrança de falta levantada na área, mas Lezama finalizou para fora.
Aos 25, Matheus Martins caiu na área após disputa com o zagueiro, e o árbitro chegou a marcar pênalti. Após revisão do VAR, a decisão foi anulada.
Mesmo com 71% de posse de bola, o Botafogo pouco produziu ofensivamente. E, já na reta final do primeiro tempo, veio o castigo: aos 42’, após cobrança de escanteio, a bola sobrou para Wilfred Correa, que finalizou com precisão no canto, sem chances para Raul.

Foto: Estádio Nílton Santos (Reprodução/João Marcelo)
O Reino dividido
Se dentro de campo faltava inspiração, nas arquibancadas o cenário também chamava atenção. Torcidas do próprio Botafogo protagonizavam uma disputa sonora, cada uma puxando seus cantos e tentando se impor sobre a outra. Um retrato que, de certa forma, reflete o momento institucional do clube: versões diferentes de uma mesma história sendo defendidas com intensidade. No meio disso tudo, o torcedor comum se vê dividido, tentando entender qual voz seguir — e, no fim, apenas querendo apoiar o time em campo.
Reação no segundo tempo
Na volta do intervalo, Franclim promoveu a entrada de Arthur Cabral no lugar de Matheus Martins — mudança que fez efeito imediato.
Logo no início da segunda etapa, Montoro fez boa jogada, encontrou Danilo, que ajeitou para Júnior Santos. A bola sobrou para Arthur Cabral, que empurrou para o fundo das redes e deixou tudo igual.
O Botafogo cresceu na partida e passou a pressionar. Aos 63’, entraram Jordan Barrera e Mateo Ponte nas vagas de Vitinho e Santi Rodríguez, bastante criticados pela torcida. Jhoan Hernández também foi acionado no lugar de Caio Roque.
A melhor chance da virada veio aos 72’. Barboza avançou pelo meio, tabelou com Danilo e encontrou Arthur Cabral na área. O atacante finalizou na trave, levando perigo e levantando a torcida no Nilton Santos.
Apesar da pressão até os minutos finais, o Glorioso não conseguiu transformar o volume em vitória.
Próximos compromissos
O Botafogo agora vira a chave para o Campeonato Brasileiro. O próximo compromisso será contra o Coritiba, no domingo, às 16h, no Estádio Nilton Santos, pela 11ª rodada da competição.
Na sequência, o Alvinegro volta suas atenções para a Copa Sul-Americana. Na quarta-feira (15/04), a equipe enfrenta o Racing, na Argentina, pela segunda rodada do Grupo E.
O time argentino lidera a chave com 3 pontos, após vitória fora de casa sobre o Independiente Petrolero. Já Botafogo e Caracas aparecem empatados na segunda colocação, após o empate na estreia.
A partida será disputada sem a presença da torcida do Racing, que cumpre punição da Conmebol.

Foto: Saída dos torcedores Botafogo x Caracas - Ven (Reprodução/Fernanda Nascimento/Resenha do Bairro)
Destaques da partida
O “Cara do Bairro”, eleito pela Resenha, foi Barboza, com atuação segura na defesa e boa participação ofensiva. Já Vitinho ficou com o “Pereba do Bairro”, após desempenho abaixo do esperado.
Foto destaque: A. Cabral do Botafogo (Reprodução/Vitor Silva/Filckr/Botafogo)




