
Há cheiro de sangue no mar? Prepare-se: os tubarões estão em volta do Botafogo
O Botafogo virou alvo. Quando há sangue na água, o mercado não perdoa — e os tubarões atacam. Em meio a um transfer ban que já dura mais de um mês, o clube vê promessas se acumularem, jogadores valorizados virarem objeto de desejo e o torcedor reviver fantasmas que jurava enterrados desde 2021.
Desde 31 de dezembro de 2025, o Botafogo está impedido de registrar reforços. De lá para cá, o discurso oficial se repetiu em ciclos:
“Esperem a janela abrir.”
“O Botafogo vai investir pesado.”
“Quando o transfer ban atrapalhar, pagaremos.”
“O transfer ban está resolvido.”
Todas promessas atribuídas ao dono da SAF, John Textor. Nenhuma, até agora, concretizada.
Crise institucional e financeira
O cenário se agravou nos bastidores. Em julho de 2025, Textor foi afastado do comando da Eagle Football e, em janeiro de 2026, destituído do cargo de diretor da Eagle Football Holdings, holding que controla clubes como Botafogo e Lyon. A decisão partiu do fundo Ares Management, após o acionista americano demitir dois diretores da empresa e diante do acúmulo de dívidas.
Mesmo afastado, Textor tenta manter o controle operacional do Botafogo por meio de uma liminar judicial.
Do outro lado do Atlântico, Michele Kang, que assumiu o Lyon em julho do ano passado, adotou uma política de asfixia financeira sobre Botafogo e RWDM Brussels. O clube belga ocupa hoje apenas a 10ª posição da Challenger Pro League, a segunda divisão, composta por 17 equipes — muitas delas formadas majoritariamente por jogadores sub-20.
No Botafogo, a crise chegou ao limite: o clube passou quase três meses sem depositar o FGTS dos jogadores, situação que abriria margem para ações trabalhistas e rescisões judiciais, ampliando ainda mais o rombo financeiro.
O mercado sentiu o cheiro
Com o clube fragilizado, os tubarões avançaram.
O Palmeiras levou Marlon Freitas por US$ 6 milhões.
O Fluminense fechou com Savarino por US$ 4,5 milhões.
Vendas dolorosas, mas necessárias para garantir salários e quitar pendências com jogadores que, até o fim, mantiveram postura profissional.
E as investidas não pararam.
O Palmeiras consultou e ofereceu US$ 8 milhões por Danilo, artilheiro do Botafogo na temporada, com 4 gols em 5 jogos. O volante virou símbolo da escassez: quando há talento em um time vulnerável, o mercado ataca.
Outro nome observado é Álvaro Montoro, de apenas 18 anos, contratado em julho do ano passado após se destacar no Vélez Sarsfield. Segundo o Transfermarkt, seu valor de mercado gira em torno de US$ 10 milhões.
Enquanto isso, o Botafogo sequer conseguiu apresentar proposta para manter Cuiabano, lateral-esquerdo que acertou empréstimo com o Vasco até o fim do ano.
Para o torcedor, o golpe é duplo: ver jogadores saindo e ainda torcer pelo fechamento da janela europeia — que termina nesta sexta-feira para o mercado turco e em 3 de março no Brasil — como se isso fosse proteção.
Medidas emergenciais
Diante do risco de colapso, Textor articulou uma saída emergencial: um empréstimo com Gabriel de Alba, investidor internacional e fundador da GDA Luma Capital Management, gestora norte-americana especializada em ativos em dificuldade financeira (distressed assets).
De Alba tem mais de 25 anos de experiência em recapitalização e reestruturação de empresas em crise, com atuação em setores como entretenimento, tecnologia e indústria. Também possui histórico de liderança em empresas globais, como o Cirque du Soleil, além de formação em finanças e economia por instituições como NYU Stern e Columbia University.
O acordo prevê cerca de US$ 50 milhões, divididos em duas parcelas de US$ 25 milhões. A primeira, prevista para fevereiro, depende da aprovação do clube social e de membros da SAF. Parte do valor — cerca de US$ 10 milhões — seria destinada ao pagamento inicial do transfer ban.
A liberação permitiria, enfim, a inscrição de jogadores já contratados e hoje parados, como:
Lucas Villalba, atacante uruguaio
Ythallo, reforço já acertado
Riquelme, outro jogador impedido de atuar
Wallace Davi, volante de 18 anos
Saída ou colisão?
A pergunta que ecoa em General Severiano é simples e cruel: há luz no fim do túnel — ou é um trem em alta velocidade?
O torcedor que, em 2021, acreditou ter deixado para trás palavras como penhora, atraso salarial e venda forçada de jovens talentos, hoje as vê reaparecer, quatro anos depois, com novos personagens, mas velhos problemas.
No mar do futebol, o cheiro de sangue já se espalhou.
Resta saber se o Botafogo conseguirá estancar a ferida — ou se continuará cercado por tubarões.
Foto destaque: Danilo camisa 8 do Botafogo (Reprodução: Vitor Silva/Flickr/Botafogo F. R.)




