O Clássico da Rivalidade: do “agora vai” ao “não é possível”

O Clássico da Rivalidade: do “agora vai” ao “não é possível”

✍️ Sérgio Nascimento

Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 2026

Uma crônica de um clássico que começou no canto e terminou no silêncio

Entre o samba da Sapucaí e o apito final no Estádio Nilton Santos, a história se repetiu — com diálogo, ironia e frustração nas arquibancadas. Enquanto o Rio de Janeiro dividia atenções entre o brilho do Carnaval e o peso do futebol, o Botafogo recebeu o Flamengo para mais um capítulo de uma rivalidade que atravessa séculos.

— Hoje o futebol vai disputar atenção com o Carnaval.

— Disputar nada. Clássico é clássico.

Uma rivalidade que nasce no século XIX

Fundado em 1894, o Botafogo ganhou projeção primeiro nas regatas da enseada que levava seu nome. O sucesso despertou admiração — e também incômodo. Um ano depois, em 1895, surgia o Flamengo. Do remo ao futebol, a tensão só cresceu.

O primeiro confronto nos gramados aconteceu em 1913, com vitória alvinegra por 1 a 0. Desde então, são centenas de jogos, estatísticas debatidas à exaustão e nenhuma trégua definitiva.

— Três séculos se olhando torto.

Primeiro tempo: pressão, vaias e um velho roteiro

A bola rolou e o Flamengo impôs marcação alta, sufocando a saída do Botafogo desde os primeiros minutos.

— Vieram pra amassar.

— Calma, uma bola resolve.

Aos 13’, o Fogão respirou. Montoro encontrou Barrera pela direita, escanteio. Alex Telles cobrou, Danilo desviou e a bola seguiu viva. Pulgar ganhou a primeira, mas Barrera se recuperou no lance seguinte.

— Dá pra jogar.

Aos 18’, veio o castigo. Bruno Henrique encontrou Paquetá, que finalizou no canto: 1 a 0.

— Vacilo paga.

Andrew passou a ser vaiado a cada toque. O motivo vinha de fora do campo: alvo de negociações frustradas com o Botafogo nas últimas janelas, o goleiro chegou a ser dado como próximo de um acerto, mas optou pelo Flamengo quando as conversas ainda estavam em curso.

— Isso a torcida não esquece.

As arquibancadas viraram mesa-redonda:

— Villalba errando cruzamento já é melhor que o Reborn, cutucou Marcelo Pontes.

— Esse lance foi escanteio pra gente!

— O Neto é ruim demais.

— Ele não vai em bola nenhuma, completou Rodriguinho. Essa saída com o Neto não dá.

Ironia do futebol: justo o Neto iniciou a melhor jogada do Botafogo no primeiro tempo. Aos 34’, Barrera deixou Matheus Martins cara a cara com Andrew. O chute saiu para fora.

— Clássico não perdoa.

Aos 38’, Villalba aplicou um drible em Paquetá.

— Agora vai!

— Vai nada…

Novo contra-ataque, domínio ruim de Matheus Martins.

— Centralizado não dá.

— Tá apanhando da bola.

— E o Villalba, tá achando que vai encontrar o Cabral na área? — ironizou Marcelo CMB.

— O atacante tá no banco, pô…

Após um corte na área, Danilo voltou a sentir a virilha — problema já conhecido desde o jogo contra o Fluminense — e deixou o campo. Artur Novaes entrou.

O intervalo chegou com números frios: 55% de posse para o Flamengo, sete finalizações (três no gol). O Botafogo teve duas, uma certa.

— Gol impedido e com falta, e eles vão ganhando…

Marcelo Pontes resumiu:

— Nada muda no Carioca. Deveria jogar o campeonato todo com o Sub-20 mesmo…

Segundo tempo: reação, esperança e frustração

A etapa final começou com a mesma pressão rubro-negra. Aos 45’30”, Bastos sofreu falta ao tentar iniciar jogada. Aos 47’, Carrascal arriscou de fora; a bola passou por cima.

A resposta veio aos 49’. Pressão alvinegra, sobra para Newton, boa defesa de Andrew.

— Rapaz, o Villalba tem muita qualidade!

— Três em cima e ele acha solução!

Marcelo Pontes empolgou:

— O time tem que acreditar mais!

Aos 52’, Villalba foi à linha de fundo, ganhou de Ayrton Lucas e sofreu escanteio. Alex Telles cobrou no segundo pau, Barboza subiu livre.

Gol do Botafogo.

O estádio explodiu em canto:

“Momentos ruins eu já vivi, mas nunca parei de cantar…”

— Mas te falar… esse Andrew não é confiável também não, comentou Rodriguinho.

Na sequência, Villalba ganhou mais uma, achou Matheus Martins, que finalizou em cima de Andrew. Rodrigo Latino avaliou:

— Notícia boa. Maduro, habilidoso, bate bem na bola.

Aos 61’, Barrera deixou Artur Novaes em boa condição, mas o chute foi por cima. Vieram as mudanças: saíram Montoro e Matheus Martins; entraram Arthur Reborn e Arthur Cabral.

— Vamos ver…

Aos 70’, Bastos falhou, Arrascaeta ficou com a sobra, mas o zagueiro se recuperou no último instante.

Falta boba perto da lateral em Everton Cebolinha. Villalba chutou a bola após o apito e recebeu cartão amarelo.

— Retira a maturidade… — criticou Rodrigo Barreto.

— Temos que virar o jogo.

— Porque nos pênaltis o Neto não pega nada.

— Reborn não dá, sentenciou Marcelo CMB.

— A bola queima.

— Quando olho pro Arthur, sinto saudade do Luís Henrique, confessou Rodriguinho.

Bastos voltou a cair.

— Pode estar lesionado.

— Tá sentindo aquele jogo na chuva em São Januário.

Aos 78’, Luiz Araújo chutou da entrada da área. Neto defendeu. Aos 81’, Everton Cebolinha entrou livre, tentou o passe, mas Alex Telles cortou para escanteio.

Aos 83’, Arrascaeta cobrou escanteio. Pulgar cabeceou, Neto rebateu para frente e a bola voltou na cabeça do volante.

Gol do Flamengo.

2 a 1.

— Esse cara não é goleiro!

— Netoooo!

— É inadmissível manter esse cara.

Aos 90’, escanteio para o Botafogo. Neto foi para a área. Alex Telles cobrou, Barboza desviou e a zaga salvou. Aos 91’, novo cruzamento, Arthur Cabral furou, Barrera não alcançou.

Fim de jogo.

Epílogo

O Flamengo seguiu vivo no Campeonato Carioca. O Botafogo chegou à quinta derrota consecutiva e saiu de campo sob vaias.

Os números encerraram a noite: 14 finalizações rubro-negras (cinco no gol), oito do Botafogo (quatro certas). Posse de bola: 55% a 45%.

— Os números explicam.

— Mas não consolam.

A temporada, porém, não permite pausa para lamentos. Na quarta-feira, o Botafogo entra em campo pela Copa Libertadores da América, contra o Nacional Potosí, fora de casa, na partida de ida da fase preliminar.

No domingo, o compromisso é pela Taça Rio, diante do Boavista, valendo vaga na Taça Rio–São Paulo — competição em que o Botafogo é o maior vencedor da história.

O clássico terminou.

A rivalidade, como sempre, não.

Foto destaque: Matheus Martins entre dois marcadores rubro-negros (Reprodução/Vitor Silva/Flickr/Botafogo FR)

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