O jogador que o Botafogo não procurava, mas precisava: A improvável história de Júnior Santos

O jogador que o Botafogo não procurava, mas precisava: A improvável história de Júnior Santos

> “Ele é o herói que Gotham merece, mas não o que ela precisa agora.

Então nós o caçaremos. Porque ele aguenta.

Porque ele não é o nosso herói.

Ele é um guardião silencioso, um protetor atento — um Cavaleiro das Trevas.”

A famosa fala do filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas” resume bem o papel do personagem: não é o herói perfeito, nem o mais celebrado, mas é exatamente o herói que a cidade precisava naquele momento — mesmo que isso signifique ser incompreendido.

No Botafogo, poucos jogadores simbolizam melhor essa ideia do que Júnior Santos.

Quando chegou ao clube, em 14 de agosto de 2022, por empréstimo do Sanfrecce Hiroshima, o atacante não era a prioridade da diretoria. Na verdade, estava longe disso.

O Botafogo negociava com o experiente atacante israelense Eran Zahavi, então no PSV Eindhoven, da Holanda. As conversas avançavam e recuavam constantemente.

Em paralelo, o departamento de scout identificou outro nome: Tiquinho Soares, do Olympiacos, da Grécia.

Ao comunicar a negociação ao então presidente associativo Durcesio Mello, John Textor ouviu a pergunta:

— Quem é Tiquinho?

A resposta do empresário foi direta:

— Se você não sabe quem é Tiquinho, você não entende futebol.

Naquele momento, a maioria da torcida provavelmente estava ao lado de Durcesio.

Mas o destino ainda tinha um capítulo inesperado reservado.

Em um jogo decisivo pela classificação à Liga Europa, Tiquinho sofreu uma lesão justamente quando já estava praticamente acertado com o Botafogo. Com a janela de transferências prestes a fechar e o clube carente de um centroavante — ainda mais após o empréstimo de Erison ao Estoril, de Portugal — a diretoria precisou agir rapidamente.

A solução foi buscar um nome disponível no mercado, sem custos de transferência.

Assim chegou Júnior Santos.

Um jogador que, até os 23 anos, trabalhava como pedreiro e jogava futebol na várzea. Sete anos depois, vestia a camisa do Glorioso.

A chegada e o primeiro impacto

A estreia aconteceu diante do Juventude, em Caxias do Sul, pelo Campeonato Brasileiro.

Logo no primeiro lance, uma chance clara desperdiçada: a bola foi isolada por cima do gol vazio.

Nas redes sociais e arquibancadas, surgiu rapidamente o apelido cruel que o futebol brasileiro costuma dar aos atacantes em momentos assim: “bagre”.

Mas o mesmo jogo trataria de mudar a narrativa.

Ainda na partida, Júnior Santos marcou um belo gol — um lance de categoria que ajudou a selar o empate em 2 a 2. O segundo gol do Botafogo foi de Gabriel Pires.

A partir dali, o rótulo começou a perder força.

Com a recuperação de Tiquinho Soares, Júnior passou a atuar mais aberto, pelas pontas, posição em que sempre afirmou render melhor. Disputava espaço com Vitor Sá e se consolidava como uma peça útil no elenco.

Quando o empréstimo chegou ao fim, porém, surgiu um impasse.

O Sanfrecce Hiroshima pediu cerca de US$ 4 milhões inicialmente para liberar o jogador em definitivo, valor depois reduzido para US$ 3 milhões. O Botafogo considerou a pedida alta e decidiu não avançar.

Sem muitas opções no mercado japonês após o fechamento da janela, o clube asiático acabou negociando o atacante com o Fortaleza, por cerca de US$ 700 mil.

Na capital cearense, Júnior Santos não conseguiu repetir o desempenho esperado.

Meses depois, foi novamente oferecido ao Botafogo.

Dessa vez, o clube carioca o adquiriu por aproximadamente US$ 200 mil — exatamente o valor que considerava justo desde o início.

Uma negociação que acabou sendo vista como um movimento estratégico de John Textor.

O surgimento do “Jacaré”

Em 2023, a torcida alvinegra passou a conhecer os diferentes apelidos do atacante.

Entre os colegas de profissão, ele já era chamado de “Raio”, pela velocidade e pelo estilo de jogo marcado por dribles — ou, no jargão do futebol, por “rabiscar” em campo.

Foto: Atletas do Botafogo comemorando (Reprodução: Vitor Silva/Flickr/Instagram)

E o torcedor do Botafogo tem um histórico especial com jogadores que gostam de driblar.

Afinal, foi ali que brilhou Garrincha, o lendário Anjo das Pernas Tortas.

Júnior Santos acabou se tornando, de forma bem-humorada, o “Anjo das Pernas Confusas”.

Uma de suas atuações mais marcantes foi contra o Bahia, na Arena Fonte Nova. Com familiares presentes no estádio, marcou dois gols e garantiu a vitória por 2 a 1.

Mas o apelido que realmente pegou surgiu de uma comemoração curiosa.

Após um gol, contra o Palmeiras no Alianz Parque, Tiquinho Soares o chamou e também Tche Tche para celebrar diante das câmeras. Os três fizeram um gesto com as mãos, simulando garras.

Questionado, Tiquinho preferiu manter o mistério.

Até que o técnico Bruno Lage, em entrevista coletiva, revelou:

— O Jacaré vem pedindo passagem.

O Jacaré era Júnior Santos.

Posteriormente, o próprio atacante explicou que a comemoração havia sido sugerida por Tiquinho, que o incentivou a criar um gesto característico para seus gols.

O ano mágico

O grande capítulo da história de Júnior Santos com o Botafogo viria na Libertadores.

Após mudanças no comando técnico, com Fábio Matias assumindo interinamente a equipe, o clube enfrentou o Aurora, da Bolívia, na fase preliminar da competição.

No jogo de volta, no Nilton Santos, veio uma atuação histórica:

Botafogo 6 x 0 Aurora

Quatro gols de Júnior Santos.

Na fase seguinte, contra o Red Bull Bragantino, o atacante marcou mais três vezes.

Já na fase de grupos, ainda deixaria sua marca contra:

LDU de Quito, no Nilton Santos

Atlético-MG, na grande final no Monumental de Núñez

Com 10 gols, tornou-se o maior artilheiro do Botafogo na história da Libertadores, superando nomes importantes do clube, como:

Jairzinho (7 gols)

Rodrigo Pimpão (5 gols)

O raio caiu em Minas

Com a valorização no mercado, o Botafogo negociou o atacante com o Atlético-MG por cerca de € 7,6 milhões.

Considerando o valor investido anteriormente, o clube carioca obteve um lucro estimado em aproximadamente 1900%.

Em Belo Horizonte, porém, a trajetória foi mais difícil.

Júnior Santos enfrentou lesões frequentes e não conseguiu repetir o mesmo desempenho.

Seus números no Atlético-MG:

28 jogos

2 gols

2 assistências

4 participações em gols

1 título: Campeonato Mineiro de 2025

O retorno

Em 2026, o Botafogo enfrentou um transfer ban da FIFA, que limitou a capacidade do clube de registrar novos jogadores.

Após quitar a pendência, em 6 de fevereiro, a diretoria voltou ao mercado, mas de forma cautelosa devido às limitações financeiras do Grupo Eagle Football.

Os reforços chegaram sem custos de transferência, como:

Lucas Villalba

Jhoan Hernández

Riquelme

Ythallo

Wallace Davi

Com Arthur Cabral e Chris Ramos lidando com lesões, o técnico chegou a improvisar Matheus Martins como referência ofensiva.

Foi nesse cenário que surgiu uma nova oportunidade.

Júnior Santos retornou ao Botafogo por empréstimo, com parte dos salários pagos pelo Atlético-MG.

Pode o raio cair três vezes no mesmo lugar?

Talvez.

Porque, no fim das contas, Júnior Santos nunca foi o herói perfeito.

Mas muitas vezes foi o herói necessário.

O jogador que suportou críticas, piadas e desconfianças — e ainda assim apareceu quando o Botafogo mais precisou.

Talvez seja exatamente isso que o torna especial.

Um jogador improvável.

Um protagonista inesperado.

Um guardião silencioso de General Severiano.

Ou, como diriam nas arquibancadas:

O Anjo das Pernas Confusas.

Foto destaque: Junior Santos atacante do Botafogo (Reprodução: Vitor Silva/Flickr/Botafogo FR)

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