
Provocação e resposta em campo
Antes mesmo de a bola rolar em São Januário, a torcida do Club de Regatas Vasco da Gama preparou uma recepção provocativa ao Botafogo de Futebol e Regatas.
Com faixas e cartazes, os cruzmaltinos relembraram goleadas históricas, destacaram o famoso gol de Roberto Dinamite em 1976 e reforçaram o discurso de que o rival seria “estação terminal” — além de mencionarem a maior freguesia entre os clássicos.
Mas, como diz o ditado, a soberba precede a queda.
Dentro de campo, o Botafogo mostrou uma postura diferente de outros tempos. Mesmo após sair atrás no placar, a equipe manteve a organização, suportou a pressão e foi letal nos momentos decisivos.
A virada em pleno São Januário não apenas garantiu três pontos importantes, como também serviu como resposta direta às provocações: um time mais maduro, resiliente e disposto a escrever uma nova história no clássico.
Na despedida do treinador interino Rodrigo Bellão, o Botafogo de Futebol e Regatas venceu de virada o Club de Regatas Vasco da Gama no caldeirão de São Januário e ganhou fôlego na luta contra o rebaixamento.
Durante sua passagem, Bellão somou 6 de 9 pontos possíveis, alcançando um aproveitamento de 66,67%, números que dão mais tranquilidade para a chegada da nova comissão técnica comandada por Franclim Carvalho. O treinador retorna agora ao sub-20, onde é reconhecido pelo trabalho na formação e recuperação de jovens talentos do clube.
O jogo
O primeiro tempo foi marcado por intensidade e trocação. O Botafogo teve menos posse de bola, mas foi mais objetivo: finalizou mais vezes com perigo, enquanto o Vasco encontrou dificuldades para converter suas chegadas.
A equipe alvinegra, fiel a um modelo de jogo mais pragmático e de transições rápidas — característica vista desde a era de Luís Castro — optava por ceder a posse ao adversário e explorar os contra-ataques.
Aos 13 minutos, Arthur Cabral fez bela jogada individual, mas finalizou para defesa de Léo Jardim. Pouco depois, o atacante voltou a aparecer, participando de jogada que terminou em chute de Júnior Santos, novamente defendido pelo goleiro vascaíno.
O Vasco até chegava, mas pecava nas finalizações. Já o Botafogo levava mais perigo, principalmente em bolas paradas, como na cabeçada de Alexander Barboza e na cobrança de falta de Edenílson, ambas exigindo boas intervenções de Léo Jardim.
Segundo tempo: pressão, gol vascaíno e virada alvinegra
Na volta do intervalo, o Vasco cresceu na partida e passou a pressionar. A equipe criou boas oportunidades, exigindo defesas importantes do goleiro Raul.
Aos 60 minutos, após cruzamento pela esquerda, David abriu o placar para o Vasco, levando a torcida à loucura em São Januário.
Mas o Botafogo mostrou uma postura diferente de outros tempos e reagiu rapidamente.
Aos 65 minutos, Villalba — que havia acabado de entrar — aproveitou cruzamento de Caio Roque e, de cabeça, encobriu Léo Jardim para empatar a partida.
A virada veio aos 78 minutos, em grande estilo. Matheus Martins fez jogada individual pela esquerda, cortou para o meio e encobriu o goleiro com categoria, marcando um golaço e decretando o 2 a 1 para o Glorioso.
Coletiva de Rodrigo Bellão
Após a partida, Bellão destacou pontos importantes de sua passagem:
Despedida positiva: ressaltou que deixa o clube com “bom ambiente e legado”, valorizando a união do grupo.
Resposta às críticas: defendeu suas escolhas com base no desempenho nos treinos.
Ambiente interno: afirmou que os resultados ajudaram a melhorar o clima no elenco.
Elogios ao grupo: classificou o elenco como “espetacular”, destacando a entrega dos jogadores.
Ajustes táticos: buscou maior equilíbrio defensivo e melhor aproveitamento das características individuais.
Nova comissão: desejou sucesso a Franclim Carvalho.
Arbitragem na mira
Mesmo com a vitória, o Botafogo de Futebol e Regatas saiu de campo com críticas à arbitragem e decidiu agir nos bastidores.
A diretoria alvinegra vai formalizar um ofício junto à Confederação Brasileira de Futebol questionando a não expulsão do zagueiro Alan Saldivia, do Club de Regatas Vasco da Gama.
O lance aconteceu ainda no primeiro tempo, quando Saldivia cometeu falta em Matheus Martins em uma jogada considerada de clara chance de gol. A arbitragem aplicou apenas cartão amarelo, decisão que gerou forte insatisfação por parte do clube.
Internamente, o entendimento é de que o lance era passível de cartão vermelho, e a principal cobrança recai sobre a atuação do VAR, que não recomendou revisão.
O diretor de futebol Léo Coelho destacou que o objetivo não é diminuir a importância da vitória, mas sim buscar maior critério e uniformidade nas decisões da arbitragem ao longo da competição.
Próximo desafio
O Botafogo volta a campo na próxima quinta-feira, quando enfrenta o Caracas Fútbol Club pela estreia na Copa Sul-Americana.
A equipe da Resenha do Bairro estará presente com a melhor cobertura.
✍️ Sérgio Nascimento
📰 Resenha do Bairro
Foto destaque: (Reprodução/Vitor Silva/Flickr/Botafogo)




