Centroavante decide vitória sobre a Chapecoense, mas desperdício de chances e queda de rendimento mantêm ressalvas na primeira vitória de Tite
O Botafogo precisou de apenas seis minutos para encontrar o gol. Precisou do restante da partida para confirmar uma vitória que poderia ter construído com mais conforto. Com uma cabeçada de Tiquinho Soares, o Alvinegro venceu a Chapecoense por 1 a 0, neste sábado (17), no Nilton Santos, pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro.
O resultado marcou o primeiro triunfo de Tite à frente da equipe e levou o clube aos 39 pontos, na 12ª colocação ao término do confronto.
Tiquinho faz o que se espera de um camisa 9
O começo ofereceu uma imagem que o torcedor queria voltar a ver: um centroavante bem colocado, pronto para transformar cruzamento em gol. Matheus Martins encontrou Tiquinho na área, e o camisa 9 fez o que um centroavante deve fazer para abrir o placar.
Era uma combinação promissora entre a disposição de quem buscava recuperar a confiança e a presença de quem conhece o caminho da rede.
Matheus foi uma das principais alternativas ofensivas do primeiro tempo. Procurou o jogo, ofereceu profundidade e deu ao ataque uma iniciativa que nem sempre encontrou continuidade nos demais setores. Tiquinho, por sua vez, também participou fora da área, ajudando a construir oportunidades.
Havia qualidade para ampliar. Montoro mostrou isso em um lançamento que deixou Danilo em excelente condição, até a intervenção da defesa catarinense. O argentino enxergava caminhos que o Botafogo nem sempre conseguia percorrer até o fim. Faltava transformar a ideia em conclusão.
Ziyech ofereceu momentos de lucidez com a bola, embora sem converter essa qualidade em uma participação decisiva. Pela direita, Vitinho conseguiu chegar à linha de fundo e cruzar rasteiro, mas faltou alguém atacar o espaço diante do gol. Quando a jogada prosseguiu, a oportunidade terminou em uma finalização de Allan por cima.
Desperdício de chances e erros de passe
O problema alvinegro, porém, ultrapassava o desperdício. Quando perdia a posse, o time deixava espaços e permitia que a Chapecoense avançasse. Allan e Marçal cometeram erros de passe em uma região que exigia segurança.
A equipe visitante encontrava terreno, mas tinha pouca capacidade para transformar essa liberdade em perigo concreto.
Antes do intervalo, Anderson impediu que a superioridade botafoguense aparecesse novamente no placar. Depois de uma bola de Tiquinho para Alex Telles, Matheus Martins completou diante do gol e parou em uma defesa impressionante do goleiro.
O Botafogo foi para o vestiário com vantagem e motivos para lamentar.
Segundo tempo tem queda de rendimento
Na segunda etapa, os cruzamentos continuaram oferecendo uma solução. Tiquinho cabeceou para defesa de Anderson, Alex Telles ganhou participação ofensiva e Danilo também teve oportunidade pelo alto. O segundo gol parecia disponível, mas permanecia fora de alcance.
Aos poucos, o rendimento caiu. O Botafogo passou a encontrar dificuldades para acelerar as transições, enquanto a entrada de Bolasie deu mais iniciativa à Chapecoense.
A inquietação vinha sobretudo do cenário: em casa, diante do lanterna, o Alvinegro aceitava recuar e procurar contra-ataques, mantendo aberta uma partida que tivera condições de resolver.
Allan deixou o campo sob vaias para a entrada de Domingos Andrade. Tiquinho saiu para dar lugar a Danilo Pereira. As mudanças não produziram uma melhora imediata, e o jogo perdeu fluidez. Mais tarde, Medina e Kauan Toledo ajudaram a renovar a ameaça ofensiva.
Na reta final, Anderson voltou a impedir a ampliação, inclusive em uma oportunidade de Medina. Marçal acertou a trave de cabeça, e Kauan Toledo também exigiu boa defesa nos acréscimos.
Houve chances para encerrar a discussão; faltou aproveitá-las.
Tite vê evolução, mas reconhece a tensão

Na entrevista coletiva, Tite apresentou uma leitura mais otimista do que aquela sugerida pela inquietação nas arquibancadas. O treinador destacou o volume ofensivo, a concentração da equipe e as poucas oportunidades concedidas ao adversário.
Também reconheceu o efeito de uma vantagem mínima:
“Quando não faz o segundo gol, fica sempre o sentido de ‘será?’”.
A frase ajuda a explicar uma noite em que a superioridade botafoguense conviveu com o receio de um empate.
O técnico apontou ajustes na saída de bola, com três jogadores na construção, e explicou que pretendia conservar a posse para deslocar a marcação antes de acelerar.
Também elogiou a presença de área de Tiquinho e atribuiu parte das dificuldades de Ziyech à necessidade de melhorar o condicionamento e ganhar ritmo. Na avaliação da comissão, há uma equipe em formação, cujo rendimento ainda depende de encaixes individuais e coletivos.
Vitória importante, mas sem espaço para euforia
Há sinais que permitem algum otimismo. O Botafogo criou oportunidades por diferentes caminhos, encontrou em Tiquinho uma referência para os cruzamentos e teve alternativas no banco para renovar o ataque.
A vitória oferece confiança para desenvolver essas soluções. Ainda assim, o nível do adversário recomenda cautela: vencer a Chapecoense em casa é um passo necessário, mas insuficiente para confirmar uma recuperação consistente.
O avanço mais concreto está na tabela. Ao chegar aos 39 pontos, o Alvinegro abriu, naquele momento, sete de vantagem sobre o Internacional, primeiro clube na zona de rebaixamento. A distância trouxe alívio a um ambiente pressionado, embora ainda estivesse sujeita aos demais resultados da rodada.
Para um time que vinha acumulando frustrações, vencer também significa ganhar uma semana com mais espaço para trabalhar e menos urgência para responder à crise.
Próximos jogos serão o verdadeiro teste
A sequência dará uma medida mais exigente dessa reação. Internacional, no Beira-Rio, e Remo, também fora de casa, antecedem o encontro com o Atlético-MG no Nilton Santos.
Os dois primeiros compromissos têm peso especial na disputa pela permanência: pontuar significa avançar e, ao mesmo tempo, impedir a aproximação de concorrentes diretos.
Nesse cenário, a expectativa é que o Botafogo consiga transportar para os próximos jogos a capacidade de criar chances, reduzindo os erros de passe e os períodos em que perde o controle da partida.
Contra adversários mais eficientes, os espaços concedidos à Chapecoense podem custar caro. A melhora precisará aparecer tanto na proteção da defesa quanto na precisão para transformar oportunidades em gols.
Conclusão: Tiquinho resolveu, agora falta convencer
Tiquinho resolveu o sábado e deu a Tite seu primeiro resultado de alívio. Agora, o desafio é fazer da vitória um ponto de partida.
Contra a Chapecoense, um gol bastou. Para atravessar a reta final com segurança e devolver tranquilidade ao torcedor, o Botafogo precisará transformar os sinais de evolução em regularidade.
Resenha do Bairro
Por: Rodrigo Barreto
Fotos: Vitor Silva/Flickr.com Botafogo





