O Flamengo está nas semifinais da Taça Libertadores, mas o apito final no Maracanã deixou no ar um sabor inegavelmente amargo.

Depois de construir uma vantagem confortável com a vitória em Quito, o Rubro-Negro flertou perigosamente com a eliminação em pleno Rio de Janeiro e só conseguiu confirmar a classificação graças a uma falha bizarra do goleiro Quintana, do Independiente del Valle.
A vaga veio, mas a atuação deixou um alerta.
A sensação predominante ao fim da partida foi de que o Flamengo subestimou o adversário. A vantagem construída no primeiro jogo pareceu dar ao time uma tranquilidade excessiva, que acabou se transformando em uma atuação apática, recheada de erros individuais e coletivos.
Durante boa parte da noite, o Flamengo demonstrou pouco da intensidade que se espera de uma equipe que busca conquistar a América. O time parecia desconectado do tamanho da decisão e permitiu que o Independiente del Valle acreditasse na possibilidade de buscar uma classificação que, antes da bola rolar, parecia distante.
O Maracanã entrou em campo
O cenário começou a mudar depois da expulsão de Jorginho.
Foi naquele momento que a torcida percebeu o tamanho do perigo e decidiu fazer a sua parte. O Maracanã incendiou, a Nação empurrou o time e o caos dentro de campo acabou criando uma conexão entre arquibancada e jogadores.
Quando o Flamengo mais precisou, a Nação se fez presente.
A torcida apoiou até o último minuto e ajudou a equipe a atravessar os momentos de maior tensão da partida. Se dentro de campo faltou futebol em determinados momentos, nas arquibancadas não faltou paixão.
E é preciso reconhecer: a Nação jogou junto.
O alerta para as semifinais
A classificação está garantida e, no futebol, é preciso valorizar uma vaga conquistada em uma competição tão difícil. Mas o Flamengo também precisa entender o recado deixado pelo confronto.
Na reta final da Libertadores, não haverá espaço para acomodação, desatenção ou excesso de confiança.
Se o objetivo é conquistar o pentacampeonato da América, a postura precisa mudar.
O Flamengo tem qualidade, elenco e experiência para disputar o título, mas precisará entrar nas semifinais com a mesma concentração e intensidade que uma decisão desse tamanho exige.
A classificação veio.
A Nação fez sua parte.
Agora, fica o alerta: para chegar ao penta, será preciso muito mais do que apenas sobreviver aos jogos.
A América não perdoa distrações.
Resenha do Malvadão
Por Alain Lucas
Fotos Luccas Oliveira/CNN Brasil
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