
Gianluca Rocchi, chefe da escala de arbitragem das Séries A e B da Itália, anunciou sua autossuspensão imediata em meio a um inquérito por suposta fraude esportiva que investiga pressão sobre o VAR em partidas da Serie A. A decisão visa preservar a serenidade da CAN enquanto o Ministério Público de Milão apura denúncias que envolvem jogos da Internazionale e da Udinese.
Rocchi se afasta temporariamente da CAN enquanto inquérito avança
Gianluca Rocchi, responsável pela Comissão de Árbitros Nacionais (CAN), informou no sábado que se autossuspendeu com efeito imediato para permitir o regular prosseguimento do processo judicial. A medida foi apresentada como uma escolha difícil, tomada pelo bem da CAN e da serenidade operacional da arbitragem italiana. Rocchi afirmou estar confiante de que sairá ileso das investigações.
O que motivou a investigação do Ministério Público de Milão
O inquérito nasceu de uma denúncia feita por um ex-assistente, que afirma ter testemunhado pressões sobre a equipe de VAR para alterar decisões tomadas em campo. As alegações centram-se na possibilidade de influência indevida sobre revisões de lances em partidas da Serie A sob a supervisão de Rocchi. A acusação levou a uma investigação formal por suspeita de fraude esportiva.
Jogos citados na acusação
Dois confrontos aparecem na mira do Ministério Público: Internazionale 2–1 Hellas Verona, em 6 de janeiro de 2024, e Udinese 1–0 Parma, em 1º de março de 2025. No caso do jogo da Inter, a controvérsia gira em torno de um cotovelo de Alessandro Bastoni sobre Ondrej Duda que não foi revisado pelo VAR, apesar de debate acalorado entre a sala de vídeo e o árbitro de campo. No duelo Udinese–Parma, a acusação aponta que a sala de VAR teria sido pressionada a forçar uma revisão de um toque de braço dentro da área, resultando em pênalti e no gol da vitória.

Por que isso importa para a Serie A e a confiança no VAR
A autossuspensão de Rocchi ocorre num momento sensível para a arbitragem italiana, cuja credibilidade depende da transparência dos procedimentos de VAR. Se comprovadas, as alegações não apenas mancham a reputação de figuras de alto escalão, mas também ampliam a desconfiança de clubes e torcedores sobre a imparcialidade das decisões que podem decidir títulos e posições na tabela. A situação coloca em foco a necessidade de protocolos mais rígidos e de independência nas comunicações entre CAN, salas de VAR e árbitros de campo.
Impacto institucional e repercussão imediata
A saída temporária de Rocchi deve acelerar debates internos na AIA sobre governança e supervisão da arbitragem. Clubes e dirigentes provavelmente exigirão respostas e medidas para restaurar a confiança pública. Ao mesmo tempo, a CAN precisará garantir continuidade operacional nas escalas e no treinamento de árbitros durante o processo.
Análise: o que pode acontecer a seguir
A investigação do Ministério Público de Milão seguirá com coleta de depoimentos e análise das comunicações entre a sala de VAR e a arbitragem de campo. Se surgirem provas robustas, a consequência pode ir além de sanções disciplinares, alcançando implicações judiciais e administrativas para envolvidos. Mesmo na ausência de condenações, o episódio provavelmente impulsionará reformas na supervisão do VAR e maior transparência nos procedimentos de revisão de lances.
Conclusão
A autossuspensão de Gianluca Rocchi é um gesto que busca preservar a imagem da arbitragem enquanto questões graves são apuradas. Para a Serie A, o caso é um alerta: a tecnologia do VAR trouxe avanços, mas também novas vulnerabilidades institucionais que exigem respostas firmes para proteger a integridade do jogo.
Terra



