
Com vaga assegurada cedo nas Eliminatórias e amistosos de alto nível — incluindo vitórias sobre Brasil e Inglaterra — o Japão chega à Copa do Mundo em seu melhor ciclo histórico. Apesar da campanha frustrante na Copa da Ásia, a seleção de Hajime Moriyasu e a forma de Takefusa Kubo colocam os Samurais como candidatos à surpresa do torneio.
Japão chega ao Mundial como candidato à surpresa
A seleção japonesa entra na Copa do Mundo em ascendência: classificação antecipada, longo período de preparação e resultados internacionais relevantes. Os Samurais mostraram capacidade ofensiva e organização tática ao longo do ciclo, mas mantêm dúvidas sobre a consistência em momentos decisivos após a campanha irregular na Copa da Ásia.
Classificação e preparação — domínio nas Eliminatórias
O Japão foi a primeira seleção a garantir vaga via Eliminatórias, confirmando a liderança do grupo com várias goleadas e apenas quatro derrotas no ciclo. Essa classificação precoce deu mais de um ano de preparação, aproveitado com amistosos de alto nível: vitórias sobre Brasil e Inglaterra e derrota isolada para os Estados Unidos.
O que os resultados dizem
As vitórias contra seleções de elite validam a evolução tática e a confiança do elenco. A sequência de goleadas exibiu poder ofensivo coletivo; a questão é traduzir esse volume em rendimento nos mata-matas, onde o Japão historicamente tropeçou.

Copa da Ásia — frustração que virou cobrança
A campanha na Copa da Ásia deixou um gosto amargo. Após oscilações e uma eliminação precoce nas quartas para o Irã, ficou a sensação de que o time ainda não amadureceu plenamente para decisões. Essa frustração, contudo, parece ter servido como motor motivacional para as Eliminatórias seguintes.
Takefusa Kubo — o talento que pode decidir
Takefusa Kubo chega em alta forma. Titular frequente na Real Sociedad, Kubo combina velocidade, drible e visão de jogo — atributos que o colocam como a principal ameaça ofensiva japonesa. Recuperado de lesão no início do ano, sua capacidade de desequilibrar entre linhas é vital para o plano de Moriyasu, especialmente contra defesas organizadas da Europa.
Hajime Moriyasu — mãos firmes, estilo pragmático
No comando desde 2018, Hajime Moriyasu consolidou uma identidade: equilíbrio entre defesa coletiva e transições rápidas. Moriyasu já mostrou habilidade em extrair máximo de grupos limitados tecnicamente, priorizando organização tática. Resta a ele ajustar a tomada de decisões em jogos decisivos, algo que pode determinar a campanha japonesa.
Histórico em Copas — evolução e limitações
O Japão acumula participações regulares desde 1998, alternando eliminações na fase de grupos e avanços às oitavas. As duas últimas campanhas (2018 e 2022) terminaram nas oitavas por detalhes — revezes que ilustram proximidade do salto qualitativo, mas também a dificuldade em fechar jogos de alta pressão.
Time-base e opções táticas
Provável formação
Zion Suzuki; Watanabe, Taniguchi, Yoshida; Doan, Endo, Kamada, Kubo, Maeda; Ito, Mitoma. A equipe tende a operar em um 4-2-3-1 ou 4-3-3 flexível. Endo oferece equilíbrio físico e cobertura; Kamada e Doan aparecem como articuladores, enquanto Mitoma e Ito trazem largura e ruptura pelos flancos.
Forças, fraquezas e o que monitorar
Forças: organização tática, mobilidade ofensiva, criatividade individual de Kubo e Mitoma, preparação longa e confiança adquirida em amistosos de alto nível. Fraquezas: inconsistência em jogos decisivos, vulnerabilidade em bola parada e necessidade de maior contundência física contra seleções europeias. Monitorar: a comunicação defensiva nas transições e a capacidade de Moriyasu de variar leituras táticas durante partidas truncadas.
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O que isso significa para o Grupo da Morte
No grupo com Holanda, Suécia e Tunísia, o Japão parte com chances reais de briga pela liderança — sobretudo por causa da qualidade no primeiro terço do campo e capacidade de surpreender em confrontos de alta posse. Para avançar além das oitavas, os Samurais precisarão manter concentração máxima e converter criatividade em gols nas oportunidades-chave.
Conclusão
O Japão chega ao Mundial mais preparado e mais perigoso do que em edições anteriores. A combinação de um ciclo consistente, o momento de Kubo e a mão de Moriyasu transforma a seleção em candidata à surpresa. A pergunta que persiste é se a equipe tem maturidade suficiente para transformar potencial em resultados em mata-matas.
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