
Luís Figo lançou críticas ferozes contra Gianni Infantino, afirmando que o presidente da FIFA “tem que sair” após a proposta de vender participação nos direitos comerciais da entidade — um projeto que provocou revolta de confederações como UEFA e CONCACAF e forçou o recuo de Infantino, que convocou uma reunião de crise em Rabat.
Figo pede a saída de Infantino e acusa falta de transparência na FIFA
Luís Figo qualificou o comportamento de Gianni Infantino como "baixo, enganoso e egoísta" e afirmou que a solução para a atual crise da FIFA é simples: Infantino precisa sair. O ex-capitão de Portugal criticou a forma como a proposta para vender fatias dos direitos comerciais da Copa do Mundo foi apresentada às associações filiadas, alegando omissões sobre riscos e benefícios.
Acusações centrais
Figo acusa a diretoria da FIFA de não ter sido transparente quanto aos números e às implicações do projeto Fifa Forward Enterprise (FFE). Segundo o ex-jogador, a entidade omitiu que a operação poderia render cargos e remunerações bilionárias a executivos — uma das críticas foi a informação de que haveria cargos avaliados em cerca de 30 milhões de dólares por ano. Para Figo, a FIFA já dispõe de recursos próprios suficientes e não deveria transferir ativos para capital privado.
O projeto contestado e o recuo
A proposta FFE previa a venda de ações minoritárias de ativos comerciais da FIFA, com potencial de arrecadar até 4,2 bilhões de dólares. A reação de confederações importantes, liderada pela UEFA e seguida pela CONCACAF, foi de forte rejeição e ameaça de boicote a competições organizadas pela FIFA. Diante do isolamento político, Infantino anunciou o abandono do projeto e convocou uma reunião de emergência em Rabat para tentar conter a crise interna.
Por que isso importa para o futebol
A controvérsia expõe um problema estrutural: governança e confiança. A FIFA detém, segundo Figo, cerca de 5 bilhões de dólares em reservas — capital que poderia financiar programas de desenvolvimento, estádios e formação de técnicos em países com menos recursos. A oferta de ativos comerciais a investidores privados levanta dúvidas sobre prioridades: proteger receitas e órgãos dirigentes ou investir diretamente no crescimento do esporte.
Consequências políticas e esportivas
O episódio fragiliza a liderança de Infantino e amplia a pressão política dentro do futebol global. A perda de apoio de confederações como UEFA compromete a capacidade da presidência de implementar reformas ambiciosas. Para federações nacionais e ligas, a disputa sobre direitos comerciais traz incertezas sobre distribuição de receitas e prioridades de investimento nas bases do futebol.
O que pode acontecer a seguir
É provável que a FIFA precise adotar medidas de transparência imediatas para restaurar confiança: divulgação completa dos termos do projeto original, auditoria independente das propostas e um plano claro para canalizar reservas para projetos de desenvolvimento. Para Infantino, o desafio será reconstruir apoio político — algo que passa por diálogo com confederações e clareza sobre remunerações e conflitos de interesse.
Uma oportunidade para redefinir prioridades
A crítica de Figo ecoa um argumento simples e direto: o futebol deve priorizar campos, formação e acesso ao esporte antes de monetizar ativos que definem seu futuro competitivo. Se a FIFA aceitar esse diagnóstico, a crise pode ser um catalisador para mudanças reais na alocação de recursos e na governança — caso contrário, o episódio pode marcar um ponto de inflexão negativo na credibilidade da entidade.
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