
Infantino busca blindagem na América do Sul após recuo do polêmico projeto FFE; encontro com Alejandro Domínguez em Cali selou apoio da CONMEBOL e tenta neutralizar ofensiva de opositores antes da eleição de 2027.
Contexto da crise na Fifa
Gianni Infantino sofreu forte desgaste após apresentar a proposta da FIFA Financial Excellence (FFE), que previa aportes privados e até 20% de participação comercial nos torneios da entidade. A ideia gerou reação imediata da UEFA e da Concacaf, levando ao recuo do presidente da Fifa e a um pedido público de desculpas pela falta de diálogo prévio com as associações.
O que estava em jogo
A FFE colocou em discussão a governança financeira da Copa do Mundo e outros eventos globais, tocando em direitos centrais de competição e na autonomia das confederações. O choque expôs fissuras entre blocos continentais e reacendeu debates sobre transparência, controle e a direção comercial do futebol mundial.
Reunião em Cali e o apoio da CONMEBOL
Em sequência ao recuo do projeto, Infantino esteve em Cali e se encontrou com Alejandro Domínguez, presidente da CONMEBOL. O encontro também incluiu agenda com Ramón Jesurún, presidente da federação colombiana, e reforçou um bloco sul-americano favorável à manutenção do atual comando na Fifa.
O que o apoio sul-americano significa
A formalização do respaldo da CONMEBOL dá a Infantino uma base política relevante. Para além do gesto simbólico, trata-se de um movimento estratégico para contrabalançar o desgaste provocado por potências europeias e pela Concacaf, preservando votos e influência essenciais para o ciclo eleitoral até 2027.
Reações no continente americano
Algumas federações sul-americanas, incluindo Argentina e Paraguai, declararam apoio explícito ao presidente da Fifa. A Federação Mexicana adotou postura divergente em relação ao bloco norte-americano, mantendo alinhamento com Infantino. Essa divisão evidencia uma América dividida quanto ao rumo financeiro e institucional da Fifa.
Implicações políticas e para o futebol
Consolidar alianças na América do Sul é uma tentativa clara de Infantino de criar uma “zona de estabilidade” política. Isso reduz a margem de manobra da oposição e possibilita maior controle sobre futuras decisões comerciais. Para clubes, seleções e competições como a Copa do Mundo, a disputa interna sinaliza que mudanças estruturais e negociações de direitos seguirão cuidadosamente vigiadas.
Pressupostos e riscos
Manter a coesão sul-americana não elimina a necessidade de reconciliação com a UEFA e outras confederações. Se o diálogo não for ampliado, novas propostas comerciais podem emergir com menos consenso, elevando o risco de bloqueios e litigiosidade internacional.
Caminho até 2027: eleições e cenários
Com a eleição presidencial de 2027 no horizonte, nomes da oposição, como Victor Montagliani, começam a ser mencionados como alternativas viáveis. A movimentação de Infantino indica foco em preservar alianças regionais para chegar à votação com vantagem, mas o episódio da FFE mostra que capital político pode se dissipar rapidamente sem comunicação e consenso.
O que observar a seguir
Ficarão no radar: novas articulações entre confederações, propostas revisadas de governança financeira, e sinais de reconciliação com a Europa. Para federações nacionais e para o torcedor, o episódio lembra que decisões administrativas têm impacto direto em calendário, direitos e formato dos principais eventos do futebol.
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