
Santos acionou a EQR Capital na Justiça cobrando R$476 mil referentes à última parcela de um patrocínio (julho/2025–julho/2026). A cobrança reforça um padrão de atritos financeiros com empresas que surgiram após o retorno de Neymar ao Brasil, levantando questões sobre due diligence de patrocínios e o impacto reputacional para o clube.
Santos move ação contra EQR Capital por parcela não paga de patrocínio
Santos protocolou nova ação judicial contra a EQR Capital para receber R$476 mil relativos à última parcela de um contrato de patrocínio. O acordo entre clube e empresa abrangia o período de julho de 2025 a julho de 2026, e a parcela final estava prevista para janeiro deste ano.
Valores: diferença entre contrato e cobrança
O processo registra o valor original da parcela em R$450 mil, que cresceu para R$476 mil — reflexo de atualização ou encargos. O clube busca judicialmente a quitação, ao mesmo tempo em que diz manter negociações com a EQR na tentativa de solucionar a pendência sem prolongar o litígio.
Como a EQR chegou ao Santos
A aproximação da EQR com o Alvinegro não foi direta com atletas: a empresa entrou no clube por intermédio do ex-jogador de futsal Falcão, que atuava como embaixador, e do empresário Bruno Avelar. Em negociações anteriores, um contrato de R$5 milhões envolveu comissão de R$500 mil a Avelar, que também mantém ligações com integrantes do entorno do Instituto Neymar Jr. e participou de eventos beneficentes ligados ao craque.
Segundo caso ligado à "era Neymar" — padrão preocupante
Esta é a segunda cobrança judicial do Santos contra empresas que atuaram junto ao clube no período pós-retorno de Neymar ao Brasil. Antes, o Alvinegro moveu ação contra a Tial, responsável pelo suco "Pley by Ney", em execução inicialmente de R$1,7 milhão — valor que o clube afirma ter sido quitado em 28 de agosto, embora a ação permaneça em tramitação. No caso da EQR, a disputa ainda está em negociação.
Riscos reputacionais e impactos financeiros
Para um clube em que receitas comerciais são vitais, cobranças judiciais sucessivas de patrocinadores trazem dois efeitos práticos: perda imediata de receita e desgaste da confiança do mercado. A associação de marcas ao rótulo "era Neymar" atrai visibilidade, mas também expõe o Santos a parceiros com histórico ou estrutura pouco sólidas. A recorrência desses episódios pressiona departamentos comerciais e jurídicos a elevar a rigidez nas contrapartidas e garantias contratuais.
EQR enfrenta outras acusações
Além da cobrança pelo Santos, a EQR Capital responde a outras ações e acusações sobre sua atividade, incluindo suspeitas de operação de pirâmide. Esses elementos complicam a capacidade da empresa de negociar rápida e publicamente uma solução, ampliando a incerteza sobre a recuperação do crédito pelo clube.
O que vem a seguir
Analiticamente, o desfecho mais provável é uma tentativa de acordo extrajudicial para evitar custos e exposição adicionais. Se as negociações falharem, o Santos pode seguir com medidas executórias. Em paralelo, o caso tende a alimentar debates internos sobre critérios de seleção de patrocinadores e sobre o peso de intermediários nas negociações comerciais.
Conclusão: o episódio evidencia um dilema clássico entre exposição comercial e controle de risco — visibilidade trazida por nomes como Neymar pode atrair receitas, mas também parceiros que geram desgaste financeiro e reputacional. Santos precisa equilibrar ambição comercial com maior rigor contratual.
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