O principal objetivo da temporada tricolor chega ao fim.
Por: Blog do Fernando - Rio de Janeiro
22/10/2026

Ontem (21), o Fluminense venceu o Palmeiras no Nubank Parque, mas acabou eliminado nas penalidades após fazer um jogo franco com o clube paulista. Prioridade declarada pela direção tricolor, a busca pelo torneio continental chega ao fim. E agora, o que aguarda o clube de Laranjeiras? Quais são as lições mais importantes que esta temporada deixa para que o Flu tenha um 2027 mais produtivo?
Fluminense e Palmeiras fizeram dois jogos de puro equilíbrio. Com um investimento superior e um trabalho consolidado, o Palmeiras foi eficiente o suficiente para garantir sua 7ª final de Libertadores. Aos tricolores, ficou a impressão de que era possível ter ido mais longe, apesar da campanha instável do clube na primeira fase. Enquanto Abel Ferreira está prestes a encerrar sua sétima temporada pelo Verdão, Marcão tem apenas alguns jogos à frente do Fluminense, após a demissão do argentino Luis Zubeldía logo depois do primeiro jogo das oitavas de final.
O jogo em si foi parelho, embora o Palmeiras contasse com peças mais decisivas — o que ficou evidente desde o confronto de ida no Maracanã, vencido pelos paulistas por 2 a 1. Hércules foi o grande personagem da partida: além do gol, foi citado ironicamente pelo técnico alviverde em sua coletiva. Vale lembrar que o volante foi cobiçado por Palmeiras e Flamengo, mas optou por desembarcar no CT Carlos Castilho. Ao sofrer o gol, o organizado time de Abel sentiu o golpe, mas o Flu não teve a objetividade necessária para liquidar a fatura no tempo regulamentar. Por fim, a experiência em decisões e o fator casa pesaram para o Palmeiras avançar. Ao Flu, apesar de ter mostrado muita determinação, faltou transformar a dedicação em gols.
Mas a minha principal indagação é: e agora? Como fica o Tricolor para o restante da temporada e o que o aguarda em 2027?
O principal objetivo traçado pela gestão de Mário Bittencourt / Mattheus Montenegro era claramente a Libertadores, e isso teve um preço alto. Para tentar garantir um bom desempenho da equipe — uma das mais experientes do futebol sul-americano —, o Tricolor abriu mão de pontos valiosos no Brasileirão. Pontos preciosos foram desperdiçados contra equipes como Coritiba e Mirassol no primeiro turno, além de tropeços contra Flamengo e Santos no returno jogando com o time alternativo. Como publicamos aqui no blog, o adiamento do clássico contra o Flamengo no primeiro turno deixou a diretoria em maus lençóis ao explicar o favorecimento ao maior rival que, na ocasião, tomou a segunda posição do Flu.
Fla vence e Flu perde mais do que três pontos
A primeira fase na Libertadores foi errante, beirando um vexame histórico. Mesmo visivelmente perdido, Zubeldía seguia no cargo garantindo que o Tricolor avançaria — o que aconteceu quase por milagre. Nas fases seguintes, o caminho parecia facilitado ao encarar dois clubes da segunda prateleira do futebol argentino, mas foi apenas com muito suor, sacrifício e atuações salvadoras do goleiro Fábio que o time alcançou as semifinais. Em contrapartida, no Brasileirão, faltou sensibilidade à comissão para entender que o campeonato mais viável era o nacional. Ao insistir no torneio internacional com um time cambaleante, o Fluminense talvez tenha desprezado o Brasileirão mais acessível dos últimos 14 anos.
É inegável que algumas peças indicam um fim de ciclo Laranjeiras. Otávio e Igor Rabello, vindos do Atlético, tiveram pouquíssimas oportunidades. As situações de Freytes, Ignácio, Guilherme Arana e Guga precisam ser reavaliadas. Até mesmo ídolos como Samuel Xavier, Germán Cano e Ganso precisam definir seus futuros. Além de enxugar a inflada folha salarial, é preciso abrir espaço para a nova geração: Wesley Natan foi fundamental nas últimas partidas e pede passagem, deixando para trás medalhões como Soteldo e Savarino.
Outro ponto crucial para repensar é o modelo de contratações. Dos reforços das últimas duas temporadas, apenas Agustín Canobbio firmou-se como titular absoluto. Mesmo com dificuldades no último terço do campo, o ponta é fundamental no sistema de transição da equipe. O Fluminense precisa garimpar peças eficientes com os recursos que possui — que tendem a ser limitados, ainda mais com as indefinições do cenário das BETs no Brasil. Mais do que nunca, a gestão administrativa precisa sair da inércia e definir se o clube manterá o modelo associativo ou migrará para a SAF.
Há muito trabalho pela frente e a diretoria de futebol têm decisões importantes a tomar: O falecimento do diretor de futebol Paulo Angione deixa uma lacuna junto ao mercado, e o clube ainda vive um impasse sobre o próximo treinador. Com a vaga garantida na Libertadores de 2027 ainda distante, o Tricolor terá que lutar na reta final do Brasileirão para se consolidar no G-4.
Existe um horizonte de mudanças. O ano de 2027 será um divisor de águas para definir em qual patamar do futebol nacional o Fluminense estará inserido nas próximas temporadas.




