Bap sinaliza que perda de receitas patrocinadas ameaça a viabilidade de investimentos como o de Paquetá
Por: Blog do Fernando - Rio de Janeiro
25/09/2026

Em entrevista nesta sexta-feira (25) ao Poder360, o presidente rubro-negro, Luiz Eduardo Baptista, revelou que a rescisão sumária dos contratos de patrocinadores provocada pela medida provisória anunciada por Lula pode inviabilizar grandes investimentos no futebol e gerar cortes dramáticos no clube.
A iminente edição de uma Medida Provisória pelo Governo Federal para restringir ou proibir a atuação de casas de apostas (bets) no Brasil acendeu um alerta vermelho no Flamengo. Em entrevista ao Poder360, o presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista (Bap), fez um diagnóstico contundente do cenário financeiro e alertou para as consequências operacionais e esportivas do que definiu como uma "insegurança jurídica enorme".
Segundo Bap, os contratos firmados entre clubes de futebol e as empresas de apostas contam com cláusulas de rescisão imediata e sem aplicação de multas caso ocorram alterações na legislação do setor. A perda de receita para o Flamengo pode chegar a até R$ 430 milhões por ano, colocando sob forte risco compromissos de longo prazo assumidos pela diretoria.
O drama da contratação de Paquetá e renovações de elenco
Um dos pontos centrais da fala de Bap foi a incerteza gerada sobre investimentos milionários já contratados. O dirigente citou expressamente o caso do meia Lucas Paquetá e de renegociações salariais no elenco principal.
"O problema são os outros contratos que eu assumi. Por exemplo, a contratação do Paquetá, outros compromissos de renovação de contrato de jogadores. Esses, como é que a gente faz? A quem a gente reclama? Como é que a gente faz para cumprir com os contratos que foram assinados em cima de algo que era absolutamente legal e concedido pelo poder público do Brasil? Isso é perturbador e altamente desconfortável."
— Luiz Eduardo Baptista (Bap), presidente do Flamengo.
Perda financeira vai muito além do patrocínio máster
Ao detalhar a dependência orçamentária das casas de apostas, o presidente rubro-negro corrigiu dados preliminares e apontou que os R$ 269 milhões do patrocínio máster da camisa representam apenas uma fatia da verba.
Youtube/@Poder360
A consolidação do prejuízo direto e indireto do Flamengo atinge entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões anuais, englobando:
Espaços de uniforme e licenciamentos: Marcas estampadas na camisa e estoques de produtos já fabricados;
Publicidade em estádios: R$ 60 milhões relativos a placas publicitárias negociadas;
Premiações e torneios: Repasses indiretos do Campeonato Carioca e do Campeonato Brasileiro, cujos naming rights e patrocinadores oficiais pertencem ao setor de apostas.
Bap alertou para um efeito cascata em todo o futebol nacional, cujo ecossistema movimenta cerca de R$ 2,5 bilhões. Para ele, o cancelamento simultâneo desses contratos gerará uma superoferta de espaços publicitários, desvalorizando drasticamente todos os ativos de marketing esportivo do país no curto e médio prazo.
Rejeição a crédito público e cortes nos esportes olímpicos
Em resposta à sinalização do governo de ofertar linhas de crédito com juros reduzidos para amortecer o baque dos clubes, Bap rechaçou a alternativa para o Rubro-Negro. O mandatário destacou que o Flamengo possui situação financeira exemplar, com "dívida zero", e não precisa de recursos estatais.
No entanto, o dirigente admitiu que a perda dessa receita exigirá revisões orçamentárias severas dentro da estrutura da Gávea. As modalidades de base, o futebol feminino e os esportes olímpicos — que custam cerca de R$ 70 milhões anuais ao clube — recebem em torno de R$ 21 milhões do ecossistema das bets (30% da verba do setor).
Com a eventual concretização da medida provisória, a diretoria projeta reduções no quadro de funcionários, readequação de despesas operacionais e possíveis cortes nas categorias amadoras.
Redigido por IA.
Foto destaque: Luiz Eduardo Baptista presidente rubro-negro (Reprodução/Youtube/Poder360)




