
A FIFA retirou o polêmico projeto Fifa Forward Enterprise (FFE) depois de forte reação de confederações e dirigentes; Arsène Wenger disse que a retirada era “absolutamente necessária” e a UEFA declarou ter perdido a confiança em Gianni Infantino — um revés que expõe uma crise de credibilidade e complica a estratégia política do presidente rumo às eleições de 2027.
FIFA recua e abandona o Fifa Forward Enterprise
A FIFA anunciou a retirada do projeto Fifa Forward Enterprise (FFE) após uma semana de críticas intensas. O plano previa abrir a gestão comercial das competições principais, incluindo a Copa do Mundo, a investidores privados, com a venda de até 20% das receitas via uma nova empresa. O recuo foi provocado pela rejeição de ao menos três confederações e pela pressão pública de instâncias importantes do futebol mundial.
O papel de Arsène Wenger
Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento do futebol na FIFA desde 2019, declarou que não esteve envolvido no projeto e que tomou conhecimento das propostas pela imprensa. Wenger afirmou que a retirada do FFE era “absolutamente necessária” e defendeu uma FIFA independente, comprometida com transparência e integridade. Seu posicionamento acrescenta peso institucional à oposição ao plano e realça a preocupação com a governança da entidade.
Reação das confederações e da UEFA
A oposição incluiu a UEFA, que disse ter perdido a confiança em Gianni Infantino e chegou a ameaçar boicotes às competições da FIFA caso o projeto avançasse. A resistência das federações europeias e de outras confederações expôs uma fissura política significativa dentro da governança do futebol, forçando um recuo rápido do executivo.
O que era o FFE e por que gerou controvérsia
O Fifa Forward Enterprise propunha transformar parte das receitas das competições mais lucrativas em ativos gerenciados por uma entidade com capital privado. A ideia buscava captar investimentos externos e profissionalizar a exploração comercial da Copa do Mundo e eventos correlatos, mas levantou questões sobre independência, propriedade dos direitos e o papel das federações nacionais.

Preocupações centrais
Principais preocupações incluíram risco de mercantilização excessiva, perda de controle das federações sobre competições globais e falta de transparência no processo de criação da nova estrutura. Para muitas associações, o modelo representava uma mudança estrutural sem debate amplo ou garantias suficientes sobre governança.
Implicações políticas para Gianni Infantino
O episódio é um golpe político para Gianni Infantino. Embora ainda seja, por ora, o único candidato anunciado para 2027, a perda de apoio visível de blocos importantes reduz sua margem de manobra. Para se reeleger, precisará do apoio de 106 das 211 federações — um objetivo agora mais difícil caso a desconfiança persista.
Saída de apoio da FA amplia crise e testa as chances de Infantino para 2027
O que isso significa para a FIFA
O recuo evidencia fragilidade na condução de uma proposta estratégica e oferece aos críticos argumentos sobre falta de consulta e transparência. A crise aumenta a pressão por maior diálogo interno, revisão de procedimentos decisórios e possíveis mudanças nas prioridades de financiamento da FIFA.
O que vem a seguir
Infantino precisa reconstruir confiança: diálogo com confederações, esclarecimento público sobre alternativas de financiamento e garantias de governança serão passos essenciais. A FIFA, por sua vez, enfrenta a necessidade de demonstrar que decisões dessa magnitude serão tomadas com mais participação e transparência. Em curto prazo, espere debates internos ampliados e vigília política até as próximas eleições.
Contexto mais amplo
A controvérsia sobre o FFE não é apenas técnica; revela um choque entre modelos de gestão corporativa e a tradição associativa do futebol. A forma como a FIFA resolverá esse impasse definirá não só a trajetória política de Infantino, mas também o equilíbrio entre interesses comerciais e a tutela do esporte global nas próximas temporadas.
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