Camisa 10 do Flamengo sofreu fratura no punho esquerdo durante amistoso do Uruguai contra a Coreia do Sul e tem indicação de cirurgia; lesão pode tirá-lo da semifinal da Libertadores
A lesão de Giorgian De Arrascaeta durante o amistoso entre Uruguai e Coreia do Sul, nesta segunda-feira (28), reacendeu uma discussão antiga no futebol brasileiro: até que ponto os clubes são prejudicados quando cedem seus principais jogadores às seleções justamente na reta decisiva da temporada?
Arrascaeta foi um dos destaques da vitória uruguaia por 4 a 1, com gol e assistência, mas precisou deixar o campo aos 32 minutos do segundo tempo depois de cair e apoiar a mão esquerda no gramado. Os exames realizados na Coreia do Sul confirmaram fratura no punho esquerdo, com indicação cirúrgica. O jogador retornará ao Brasil para nova avaliação antes do procedimento.
Ainda não existe um prazo oficial para o retorno. A avaliação inicial, porém, já coloca em risco a participação do camisa 10 nos confrontos contra o Estudiantes, pelas semifinais da Libertadores.
O debate: quem paga a conta?
A discussão surgiu justamente porque os clubes brasileiros estão entrando na reta decisiva da temporada, enquanto as seleções disputam amistosos durante a Data Fifa.
A pergunta levantada no debate é direta: por que um clube que investe milhões em um jogador pode ficar sem contar com ele em uma semifinal de Libertadores por causa de uma partida da seleção?
A situação de Arrascaeta é um exemplo emblemático. O Flamengo não perde apenas um jogador do elenco. Perde um atleta considerado peça importante no funcionamento ofensivo da equipe em um momento decisivo da temporada.
Por outro lado, também foi lembrado que lesões fazem parte do futebol e podem acontecer em qualquer partida. Um dos participantes resumiu esse entendimento dizendo que "lesão é puro azar, pode acontecer até subindo no ônibus".
E veio a ponderação: "Menos mal que foi jogador do Flamengo. Lembrando que não desejo mal a ninguém. Mas antes lá (no Flamengo) que aqui." (no Botafogo)
A declaração resume uma realidade curiosa do torcedor: ninguém deseja uma lesão, mas existe sempre a preocupação de que um jogador importante do próprio clube seja o prejudicado.
"O ciclo sempre existiu"
Outro ponto levantado foi que o calendário internacional não é exatamente uma novidade.
"O ciclo sempre existiu. Não acredito que diminuindo os jogos entre as Copas, tornarão o nível da própria Copa melhor."
O argumento é que a existência das Datas Fifa faz parte do calendário do futebol mundial e que simplesmente reduzir os períodos de jogos entre Copas do Mundo não necessariamente resolveria o problema.
A questão, portanto, passa menos pela existência das seleções e mais pela forma como o calendário é organizado e pelo impacto sobre os clubes que disputam competições decisivas.
E quem paga o prejuízo?
Outro questionamento surgiu durante a discussão: existe compensação financeira quando um jogador se machuca defendendo sua seleção?
A resposta é que existem mecanismos de compensação em determinadas situações e dentro de regras específicas, mas a avaliação feita no debate foi de que o valor financeiro não necessariamente corresponde ao prejuízo esportivo causado pela ausência de um jogador decisivo.
No caso de Arrascaeta, por exemplo, o problema não é apenas financeiro. Se o uruguaio realmente ficar fora das semifinais, o Flamengo terá de encontrar uma solução esportiva para substituí-lo.
Flamengo tem elenco, mas Arrascaeta é diferente
Foi justamente aí que a discussão ganhou outro capítulo.
Uma das opiniões defendidas foi de que o Flamengo possui elenco suficiente para fazer uma composição e minimizar a ausência do camisa 10.
"Flamengo tem elenco. E esse ano ele nem está na melhor forma. Ano passado, quando ele queria renovar o contrato, estava voando."
Mas houve discordância.
"Discordo. Ano passado foi acima da média. Este ano ele está sendo decisivo."
E essa diferença de opinião talvez seja o ponto mais interessante da discussão.
Mesmo quando um clube possui várias opções, substituir um jogador com as características de Arrascaeta não significa simplesmente colocar outro atleta na mesma posição.
Jorginho, Paquetá e a comparação
Durante o debate, surgiu a pergunta:
"O Jorginho não joga na faixa do Arrascaeta?"
A resposta foi que quem pode ocupar uma função mais próxima nesse contexto é Paquetá, mas sem necessariamente oferecer a mesma eficiência e as mesmas características.
Também foi lembrado que Arrascaeta sequer foi titular contra o Botafogo no primeiro turno, quando começou aquela partida no banco.
Outro nome citado foi Lescano, que teria sido uma tentativa do Flamengo de encontrar uma opção para fazer sombra ao camisa 10.
"Jogador igual a ele só o Matheus do Cruzeiro"
A discussão chegou ao ponto principal: mesmo com elenco, existe jogador que não possui substituto direto.
Uma das opiniões foi contundente:
"Jogador igual a ele só o Matheus do Cruzeiro."
A ideia defendida é que o problema não está apenas em substituir uma posição, mas em substituir o talento e a capacidade de decidir jogos.
Foi lembrado também que a situação seria ainda mais complicada em outros clubes.
"Se o Vasco perde o Lescano, o Botafogo o Danilo, o prejuízo é bem maior."
Ou seja, a discussão não se limita ao Flamengo. Cada clube sente de maneira diferente a ausência de seus principais jogadores.
"Se fosse o Villalba..."
Em tom de brincadeira, apareceu ainda uma comparação envolvendo Villalba:
"Se fosse o Villalba... todo quebrado."(ponta direita do Botafogo convocado para a seleção do Uruguai).
E, no final, uma provocação típica das discussões entre torcedores:
"Enquanto isso os 'velhinhos' (do Flamengo) estão brincando."
A frase resume o humor que costuma acompanhar o debate futebolístico, mas a questão central permanece.
O problema é o calendário?
Arrascaeta se machucou em uma partida que, para o torcedor brasileiro, tinha pouca importância esportiva imediata. Para o Uruguai, entretanto, o amistoso fazia parte do processo da seleção.
O problema aparece quando os interesses se chocam.
De um lado, a seleção precisa preparar sua equipe e manter seus jogadores em atividade. Do outro, os clubes pagam salários, estruturam elencos e disputam competições que podem ser decididas em poucos jogos.
No caso do Flamengo, a coincidência é especialmente delicada: a lesão aconteceu a pouco mais de duas semanas da semifinal da Libertadores contra o Estudiantes.
O debate, portanto, não é simplesmente seleção contra clube.
É sobre como construir um calendário em que o futebol de seleções continue existindo sem transformar os clubes, principalmente aqueles envolvidos em decisões, nos maiores prejudicados quando uma lesão acontece.
E agora o Flamengo terá de esperar pela cirurgia, pela recuperação e pela evolução do camisa 10 para saber quando poderá contar novamente com Arrascaeta.
Na Rede Carioca
Por Redação
Foto: Jung Yeon-je (AFP)





