Botafogo é asfixiado na altitude de Cusco: derrota por 6 a 1 é a maior da história do clube em torneios internacionais

Botafogo é asfixiado na altitude de Cusco: derrota por 6 a 1 é a maior da história do clube em torneios internacionais

Perder por 4 a 0 para o Santos de Pelé, campeão da Libertadores e do mundo em 1963, pode até ser uma história para contar. Afinal, era um dos maiores times de todos os tempos. Aquela derrota, por décadas, foi a pior do Botafogo em competições internacionais.

Em 2014, em meio ao caos administrativo que deixou jogadores cinco meses sem receber os direitos de imagem — cerca de 60% dos salários —, o Alvinegro ainda levou 3 a 0 do San Lorenzo, que viria a conquistar a Libertadores daquele ano. Foi uma atuação ruim.

Mas o que aconteceu ontem em Cusco... sinceramente, nem o dicionário encontrou uma palavra que definisse. Foi um passeio, um atropelo, um tutorial de como não jogar futebol na altitude.

Escalação

Na tentativa de povoar o meio-campo e reforçar as laterais para conter a principal arma do Cienciano — os cruzamentos, justamente a maior deficiência do Botafogo desde a volta da Copa do Mundo, evidenciada nos gols sofridos contra Santos e Fluminense —, Franclim Carvalho escalou:

Warleson; Mateo Ponte, Ferraresi, Justino e Marçal; Huguinho, Medina, Danilo e Montoro; Matheus Martins e Kadir Barría.

No papel fazia sentido. No gramado... o papel amassou.

A vergonha (sim, o jogo)

O plano era sobreviver aos primeiros 15 minutos de pressão do time peruano. E, curiosamente, isso aconteceu. Pena que o restante da partida também aconteceu.

Aos 17 minutos, Hohberg cruzou da intermediária e Succar apareceu entre os zagueiros para abrir o placar de cabeça.

Dois minutos depois veio um dos lances mais confusos da noite. Após cobrança de falta, Hohberg levantou novamente na área. Amondarain escorou para o meio e, no mesmo lance, havia um possível impedimento, um toque de mão e, por fim, a bola bateu na coxa de Bandiera antes de entrar. Cinco minutos de revisão... e o VAR decidiu que estava tudo absolutamente normal no universo. Gol confirmado: 2 a 0.

Vergonha pouca é bobagem.

Aos 29, novo cruzamento, desta vez pela esquerda. Succar cabeceou, Warleson saiu mal, rebateu pior ainda, e a bola voltou para o atacante, que teve tempo de dominar, girar, tomar um café e finalizar. A bola ainda desviou em Huguinho antes de morrer lentamente nas redes. O goleiro alvinegro apenas assistiu. 3 a 0.

Como se ainda faltasse sofrimento, aos 35 minutos Hohberg encontrou Martinich pela direita. O meia acertou um chute espetacular no ângulo esquerdo.

Uau... aliás, Warleson nem viu a cor da bola.

Era 4 a 0 ainda no primeiro tempo.

Até aquele momento, o Cienciano havia finalizado cinco vezes no alvo e convertido quatro delas. O Botafogo? Nenhuma. A equipe peruana percebeu rapidamente que qualquer chute poderia virar gol e passou a arriscar de todos os lugares.

Aos 37, tentando estancar o naufrágio antes que o Titanic parecesse uma boa gestão de crise, Franclim lançou Arthur Cabral e Kauan Toledo nas vagas de Kadir Barría e Montoro, que praticamente não participaram da partida, claramente sentindo os efeitos da altitude. Faltou oxigênio, mas sobrou falta de atitude.

No primeiro tempo, o Cienciano finalizou 14 vezes. O Botafogo, apenas três.

Segundo tempo: quando parecia impossível...

O Botafogo voltou um pouco melhor.

Logo aos 49 minutos, Matheus Martins cobrou falta com categoria e marcou o gol de honra.

Aos 56, Marçal escapou de uma expulsão que parecia inevitável. Após um possível pênalti cometido por Justino, o lateral ainda acertou uma cabeçada em um adversário.

O VAR? Digamos que estava apreciando a paisagem dos Andes.

Pouco depois, Huguinho e Arthur Cabral ainda criaram boas oportunidades.

Mas aos 62 minutos Hohberg deu mais uma assistência. Bandiera saiu cara a cara com Warleson, tocou na saída do goleiro e fez o quinto.

Aos 64, Franclim promoveu as entradas de Edenílson e Santi Rodríguez nas vagas de Danilo e Medina.

Daí em diante, só existiu um time em campo.

Aos 78, Cristin Souza cruzou da direita e Succar antecipou novamente a saída de Warleson para completar seu hat-trick.

Nota 10 no Sofascore.

Craque da partida.

E, convenhamos, com enorme justiça.

Nos acréscimos, Edenílson ainda marcou um belo gol, corretamente anulado por impedimento.

Fim de jogo.

Cienciano 6 x 1 Botafogo.

A maior derrota da história do Botafogo em competições internacionais.

Agora, no jogo da volta, o Alvinegro precisará vencer por cinco gols de diferença para levar a decisão aos pênaltis ou por seis para conseguir uma classificação que, hoje, parece estar guardada ao lado do mapa do tesouro de Jack Sparrow.

Craque do Bairro

Os jornalistas Thiago Franklin (Canal TF) e Pedro Brandino (Arena Alvinegra), que enfrentaram uma verdadeira maratona logística para chegar a Cusco e foram, praticamente, a única equipe brasileira realizando cobertura jornalística no local.

Os Bagres do Bairro

Dentro de campo, Warleson foi o pior jogador da partida.

Fora dele, Franclim Carvalho também merece destaque negativo. Abatido na coletiva, reconheceu que "é um dia que nos envergonha e ficará para sempre na história".

Ficará mesmo.

O treinador não conseguiu encontrar nenhuma solução para o principal ponto forte do adversário: os cruzamentos. Justamente a característica que o Cienciano já havia demonstrado contra o Lanús e que o Botafogo insistiu em ignorar.

Próximos compromissos

Antes de tentar o milagre da classificação, o Botafogo visita o Vitória, no domingo, pelo Campeonato Brasileiro, no Barradão.

Na próxima quinta-feira, recebe o Cienciano precisando de uma vitória por cinco gols para levar a decisão aos pênaltis ou por seis para avançar diretamente às quartas de final.

Depois do que aconteceu em Cusco, a pergunta deixou de ser "dá para classificar?"

A dúvida agora é se o Botafogo conseguirá, primeiro, recuperar o próprio orgulho.

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