
Bem distante dos anos de 2023 e 2024, quando o Botafogo viveu momentos de protagonismo e conquistou títulos importantes no cenário nacional e continental, o Alvinegro de 2026 encara uma realidade completamente diferente.
Restando dez rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro, o objetivo principal é assegurar a permanência na elite do futebol nacional. Uma eventual vaga na Pré-Libertadores ainda aparece no horizonte, mas as chances são remotas: segundo levantamento da UFMG, estão em apenas 0,71%.
Além de fazer a própria parte, o Botafogo ainda dependeria de uma combinação de resultados e da abertura de novas vagas pelo G-8 ou G-9, dependendo dos desfechos da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana.
Diante de tudo o que aconteceu dentro e fora de campo ao longo da temporada, porém, permanecer na Série A já representaria um prêmio importante para o clube.
Dez jogos, uma missão
A reta final reserva ao Botafogo uma sequência que pode definir o futuro do clube. Olhando a tabela de baixo para cima, aparecem confrontos fundamentais na luta contra o rebaixamento.
Chapecoense e Remo estão entre os adversários que o Alvinegro terá pela frente. São partidas em que o Botafogo precisará assumir a responsabilidade e buscar resultados, especialmente nos confrontos contra equipes que também estão envolvidas na luta pela permanência.
Confira os dez últimos jogos do Botafogo no Brasileirão 2026:
- 29ª rodada – 07/10: Botafogo x Vasco — Nilton Santos
- 30ª rodada – 12/10: Coritiba x Botafogo — fora
- 31ª rodada – 18/10: Botafogo x Chapecoense — Nilton Santos
- 32ª rodada – 25/10: Internacional x Botafogo — fora
- 33ª rodada – 28/10: Remo x Botafogo — fora
- 34ª rodada – 04/11: Botafogo x Atlético-MG — Nilton Santos
- 35ª rodada – 18/11: Corinthians x Botafogo — fora
- 36ª rodada – 22/11: Botafogo x São Paulo — Nilton Santos
- 37ª rodada – 29/11: Botafogo x Bahia — Nilton Santos
- 38ª rodada – 02/12: Santos x Botafogo — fora
É uma sequência que mistura confrontos diretos, adversários que brigam na parte de cima e partidas fora de casa que podem aumentar ainda mais a pressão sobre o elenco.
Tempo para o pit stop
A pausa provocada pela Data FIFA chegou em um momento importante.
Na última rodada, contra o Mirassol, o Botafogo teve a estreia de Tite. O resultado e, principalmente, o desempenho apresentado deixaram evidente que o novo treinador terá muito trabalho para ajustar a equipe.
Do duelo contra o Mirassol, em 19 de setembro, até o próximo compromisso, contra o Vasco, em 7 de outubro, são 18 dias de intervalo.
O elenco recebeu três dias de folga e terá aproximadamente 15 dias destinados à preparação.
Para Tite, é uma oportunidade rara de trabalhar conceitos, corrigir problemas e conhecer melhor um elenco que precisa rapidamente responder dentro de campo.
Nômades
O elenco se reapresentou nesta quarta-feira, dia 23, no Espaço Lonier. O treinamento, porém, aconteceu com algumas ausências.
Ferraresi está com a seleção venezuelana, enquanto Danilo e Huguinho foram convocados para as seleções principal e sub-20, respectivamente.
Kaio Pantaleão, Tiquinho Soares e Matheus Martins, que estavam em processo de recuperação física, já haviam retornado aos trabalhos na última terça-feira.
O Botafogo também precisará lidar com uma situação incomum durante esse período de preparação.
O CT Lonier foi cedido para receber atividades relacionadas ao Baltimore Ravens, que fará um confronto da temporada regular da NFL contra o Dallas Cowboys no Maracanã.
Com isso, a programação alvinegra passa por diferentes endereços. Além do Lonier, os treinamentos devem utilizar o campo do Nilton Santos e a estrutura da base do Exército, na Urca.
Um verdadeiro Botafogo nômade em uma temporada na qual estabilidade é justamente o que o clube mais precisa.
Não há tempo para reclamar
Diante de tantos desafios, não existe espaço para lamentação.
A resposta precisa ser dada com trabalho.
Enquanto o clube aguarda os trâmites relacionados à recuperação judicial e tenta reorganizar sua estrutura administrativa e financeira, cada recurso se torna importante.
Um eventual rebaixamento para a Série B teria consequências esportivas e financeiras profundas. Estimativas apontam para uma perda que pode ficar na casa de R$ 80 milhões a R$ 150 milhões em receitas já no primeiro ano fora da elite.
Por isso, os dez jogos que restam não representam apenas pontos na tabela.
Representam dinheiro, planejamento, credibilidade e, principalmente, a possibilidade de começar 2027 novamente na Série A.
O Botafogo precisa ser pragmático
O tempo urge.
Neste momento, a torcida não está preocupada com futebol bonito ou com a manutenção do chamado Botafogo Way construído nos anos de John Textor.
O torcedor quer resultado.
Quer pontos.
Quer segurança.
Depois de uma temporada marcada por problemas dentro e fora das quatro linhas, o Botafogo precisa entender que a prioridade absoluta é sobreviver.
São dez jogos para decidir o futuro.
Dez partidas para evitar um desastre.
E, para o Botafogo de 2026, salvar o ano significa permanecer na Série A.
Resenha do Bairro
Por Sérgio Nascimento
Fotos Vitor Silva




