
Os últimos jogos do Botafogo mostram um time desorganizado, sem um padrão definido e que parece ter perdido a identidade dentro de campo. Um dos fatores que mais chama a atenção é o desempenho dos jogadores que entram ao longo das partidas. Em diversas ocasiões, eles aparentam produzir mais do que os titulares. Porém, quando ganham uma oportunidade entre os onze iniciais, apresentam rendimento inferior ou semelhante ao jogador que anteriormente ocupava a posição.
O momento é preocupante, e a próxima quinta-feira pode ser decisiva para o futuro do clube na temporada.
Gabriel de Alba é esperado no Brasil
Entre hoje e amanhã, Gabriel de Alba é esperado no Brasil. O empresário mexicano tem em seu know-how a recuperação de empresas em situação financeira delicada, com experiências em processos de reestruturação de grandes negócios, como o Cirque du Soleil.
Convidado por John Textor, De Alba se uniu a João Paulo Magalhães Lins e vem participando dos processos administrativos do Botafogo.
O primeiro passo foi o pagamento dos salários dos jogadores, que chegaram a acumular dois meses de atraso. O segundo foi a extensão do contrato e o aumento salarial do técnico Franclim Carvalho e de sua comissão técnica.
O treinador português havia recebido sondagens do Vasco durante o período de pausa para a Copa do Mundo. Por se tratar de uma aposta, Franclim tinha uma multa rescisória considerada baixa, fato que despertou o interesse do clube cruz-maltino, que havia acabado de demitir Renato Portaluppi.
Agora, pouco mais de um mês após a renovação contratual, Franclim voltou a sofrer pressão da torcida e do clube associativo, que já questionam sua permanência no comando da equipe.
De uma boa atuação à completa involução
Os últimos resultados negativos e a queda drástica de rendimento dos jogadores são fatores que aumentam ainda mais a pressão.
Nesse período, o Botafogo conseguiu uma importante vitória sobre o Cruzeiro, de Artur Jorge, no Mineirão. Depois, veio um empate lamentável contra o Fluminense, que atuou com um elenco reserva, em um momento no qual Franclim Carvalho já balançava no cargo.
O clássico terminou em 1 a 1 no Estádio Nilton Santos. O Botafogo teve dez dias para treinar, enquanto o Fluminense havia disputado duas partidas contra o Vasco pela Copa do Brasil.
A comparação deixa o cenário ainda mais preocupante. O Botafogo foi eliminado da Copa do Brasil pela Chapecoense, lanterna da competição, enquanto o Fluminense se preparava para um compromisso importante pela Libertadores contra o Rivadavia, da Argentina.
Em poucos dias, o Botafogo passou de uma atuação taticamente consistente contra o Cruzeiro para uma partida extremamente pobre diante de um Fluminense com time alternativo.
Na altitude de Cusco, veio o golpe mais duro: a pior derrota da história do Botafogo em competições internacionais. O Alvinegro foi goleado pelo Cienciano na primeira partida das oitavas de final da Copa Sul-Americana.
A viagem foi casada com o compromisso pelo Campeonato Brasileiro. Apenas três dias depois, o Botafogo entrou em campo contra o Vitória, em Salvador, e voltou para o Rio de Janeiro com mais uma derrota: Vitória 1 a 0 Botafogo.
O problema parece ser o próprio Botafogo
Para a próxima quinta-feira, o sentimento predominante entre os torcedores é de desânimo.
Não porque o Cienciano seja um time espetacular, mas porque o maior temor do torcedor é o próprio Botafogo.
O time parece ser capaz de sentir o próprio gol.
Contra o Fluminense, por exemplo, o Botafogo fazia uma partida razoável até marcar o primeiro gol, no fim do primeiro tempo. Depois do intervalo, o adversário aumentou a pressão, empurrou o Alvinegro para dentro de sua própria área e, após cerca de 15 minutos de domínio, conseguiu o empate.
Contra o Cienciano, depois de um primeiro tempo inenarrável, no qual sofreu quatro gols em 45 minutos, o Botafogo voltou melhor para a segunda etapa. Porém, quando conseguiu marcar seu gol — situação que normalmente provoca uma reação anímica positiva em uma equipe — o Alvinegro pareceu entrar em estado de letargia.
O time se perdeu novamente.
No domingo, contra o Vitória, talvez pelo desejo de responder à goleada sofrida no Peru, os jogadores entraram pilhados. Com apenas dois minutos de partida, Huguinho, que retornava de suspensão automática pelo Campeonato Brasileiro, já estava pendurado.
Aos 27 minutos, em um lance polêmico, cometeu o pênalti que definiu o placar. Na sequência, foi substituído por Júnior Santos.
Uma semana que pode definir o futuro
O Botafogo decidirá boa parte do seu futuro nesta semana.
A GDA Luma assume oficialmente o controle do clube?
Franclim Carvalho será demitido?
O time conseguirá reverter a vantagem do Cienciano e avançar às quartas de final da Copa Sul-Americana?
São perguntas que terão suas respostas nos próximos dias.
Enquanto isso, o torcedor alvinegro segue tentando encontrar explicações para um time que, rodada após rodada, parece cada vez mais distante daquele que começou a temporada com expectativas tão altas.
Enfim, o torcedor do Botafogo não tem um dia de paz.
Resenha do Bairro
Sérgio Nascimento
Foto: Vitor Silva/Flickr.com Botafogo




