
O Cruz-Maltino até conseguiu competir em boa parte do clássico, mas pagou caro pelas falhas defensivas e pela escalação alternativa. A goleada por 4 a 1 aumenta a pressão sobre Pedro Emanuel às vésperas da semifinal da Copa do Brasil contra o Palmeiras.
Por Felipe Rodrigues
Um clássico que começou antes da bola rolar
Boa noite, torcida vascaína! A quinta-feira foi de muita frustração para quem esperava um resultado diferente no Clássico dos Milhões. O Vasco foi goleado pelo Flamengo por 4 a 1, no Estádio Nilton Santos, em uma partida que deixou muitas questões para serem discutidas.
Mais uma vez, o clássico começou muito antes dos 90 minutos. A discussão sobre o local da partida, a possibilidade de realização no Maracanã, a tentativa de levar o confronto para São Januário e, finalmente, a definição do Nilton Santos com divisão igualitária das torcidas movimentaram os bastidores.
Os clássicos do Vasco parecem sempre começar com uma batalha fora de campo. Desta vez, a discussão envolveu a divisão dos ingressos: 90% para uma torcida e 10% para a outra ou o tradicional meio a meio.
A definição foi pelo Nilton Santos, com 50% dos ingressos para cada lado. A expectativa era de que o Flamengo não tivesse a mesma sensação de jogar em casa que costuma experimentar no Maracanã.
Mas, dentro de campo, nada disso fez diferença. O Flamengo venceu com autoridade no placar, aproveitando as oportunidades e mostrando uma capacidade ofensiva que hoje faz falta ao Vasco.
Pedro Emanuel erra na estratégia e paga caro
Na minha avaliação, o principal responsável pelo planejamento equivocado foi Pedro Emanuel.
O treinador optou por preservar jogadores importantes pensando no compromisso contra o Palmeiras, pela semifinal da Copa do Brasil. Uma decisão que considero muito errada.
O Vasco entrou em campo com uma formação alternativa, sem peças importantes como Robert Renan, Sosa e Paulo Henrique, além de outras mudanças na equipe titular.
O problema maior apareceu na defesa. Gabriel Pereira e Lucas Freitas formaram uma dupla que não tinha entrosamento, e enfrentar o ataque do Flamengo nessas condições era colocar os dois em uma situação extremamente complicada.
Gabriel demonstrou algumas qualidades técnicas. É um zagueiro que sabe jogar, tem velocidade e inteligência, mas ainda precisa de adaptação e ritmo de jogo.
Entrou em uma verdadeira fogueira, em um clássico, diante de um ataque muito forte e em um gramado sintético.
A diferença de entrosamento e qualidade defensiva ficou evidente. O Vasco perdeu consistência justamente em um setor que não poderia falhar.
Primeiro tempo: Vasco reage, empata, mas sofre golpe antes do intervalo
O Flamengo começou acelerado e abriu o placar aos nove minutos.
Arrascaeta encontrou Varela em profundidade, e o lateral conseguiu fazer a jogada pela direita. Pedro apareceu bem na área, ganhou da marcação e cabeceou para o fundo das redes.
O Vasco, entretanto, não sentiu o gol como costuma acontecer em outras partidas. Continuou tentando executar sua estratégia de transições rápidas, buscando roubar a bola e atacar os espaços deixados pelo adversário.
E conseguiu chegar ao empate.
Cuiabano participou da construção, Brenner recebeu pela esquerda, avançou e cruzou para trás. A bola encontrou Lescano, que finalizou de primeira, com muita qualidade.
Um belo gol!
Lescano é um jogador que merece destaque. Não é veloz, mas tem inteligência, técnica e capacidade de participar da construção ofensiva. É aquele meio-campista que trabalha de uma área à outra, o famoso box-to-box.
Ele clareia as jogadas com poucos toques, sabe ocupar os espaços e joga para o time.
Na minha opinião, foi o melhor jogador do Vasco em campo.
Depois do empate, o Flamengo tentou reagir e Arrascaeta obrigou Léo Jardim a fazer uma boa defesa.
O Vasco também teve a oportunidade de virar. Em uma jogada muito parecida com a do primeiro gol, Cuiabano encontrou Marino Hinestroza em boa condição, mas o atacante desperdiçou uma chance clara.
E o futebol costuma cobrar caro quando uma equipe não aproveita suas oportunidades.
Aos 40 minutos, Pedro participou da construção ofensiva, Samuel Lino finalizou e Léo Jardim conseguiu defender parcialmente. No rebote, o próprio Pedro apareceu livre para marcar o segundo gol rubro-negro.
Foi um banho de água fria.
O Vasco vinha fazendo uma partida competitiva, conseguia congestionAR o meio-campo e dificultava a construção do Flamengo. Mas a equipe voltou a sofrer com a falta de atenção defensiva.
Segundo tempo: Flamengo aproveita os espaços e constrói a goleada
O Vasco voltou para o segundo tempo sem alterações imediatas.
A equipe até tentou pressionar, mas o jogo mudou de característica. Se no primeiro tempo o Cruz-Maltino procurava explorar os contra-ataques, na etapa final passou a se expor mais na tentativa de buscar o empate.
Aos sete minutos, o Flamengo aproveitou uma recuperação de bola e construiu uma jogada rápida. Depois da participação de Arrascaeta e Varela, a bola sobrou para Samuel Lino, que finalizou e marcou o terceiro.
A partir daí, ficou muito mais difícil buscar uma reação.
O Vasco ainda teve oportunidades. Gabriel Pereira arriscou de longe e a bola passou muito perto da trave. Puma também teve uma chance dentro da área, mas não conseguiu aproveitar.
O problema é que o Vasco não tem a mesma capacidade de definição do Flamengo.
O adversário possui atacantes que precisam de poucas oportunidades para decidir uma partida. O Cruz-Maltino, por outro lado, desperdiça chances e sofre quando precisa correr atrás do resultado.
No final, Léo Ortiz protagonizou uma grande jogada individual, avançou sem encontrar resistência, chegou à entrada da área e acertou o travessão. No rebote, Samuel Lino completou para o gol, fechando o placar em 4 a 1.
Uma goleada que expôs as limitações do elenco vascaíno.
Campeonato Brasileiro também é prioridade
Outro ponto que precisa ser discutido é a situação do Vasco no Campeonato Brasileiro.
Na minha opinião, Pedro Emanuel errou ao tratar o clássico como uma oportunidade para preservar jogadores.
O Vasco ainda não está livre do risco de rebaixamento. A equipe precisa continuar somando pontos e não pode concentrar todas as suas expectativas na Copa do Brasil.
A competição nacional é importante, mas o Campeonato Brasileiro também exige atenção.
Um clássico contra o Flamengo representa muito mais do que três pontos. É uma oportunidade de vencer o maior rival, melhorar a confiança do elenco e dificultar a vida do adversário na disputa pelo título.
Se não fosse possível vencer, pelo menos um empate já seria importante.
Na minha avaliação, o treinador deveria ter utilizado sua força máxima contra o Flamengo e deixado a preservação de jogadores para outra partida.
A escolha foi equivocada e merece cobrança.
A SAF precisa entender que o Vasco necessita de um elenco forte
O Vasco tem um time competitivo, mas não possui um elenco com a mesma qualidade.
Quando os titulares estão em campo, a equipe consegue competir. Entretanto, quando surgem lesões, suspensões ou necessidade de substituições, o nível cai consideravelmente.
O novo investidor precisa entender que não basta montar um bom time titular. É necessário construir um elenco capaz de disputar uma temporada inteira sem perder competitividade.
E existe uma contratação que considero urgente: um camisa 9.
O Vasco precisa de um centroavante que tenha presença de área, saiba se posicionar e transforme oportunidades em gols.
Pedro mostrou exatamente esse tipo de característica no clássico.
O Vasco teve Veggetti, que entregou muitos gols e representava uma referência ofensiva. Atualmente, ainda não encontrou alguém capaz de exercer essa função com a mesma eficiência.
As tentativas com Spinelli, Brenner, Colidio e Bruno Duarte não resolveram o problema.
Brenner tem movimentação e participou do gol de Lescano, mas não é o centroavante de referência que considero necessário. Colidio também não atravessa um bom momento.
A SAF precisa buscar um camisa 9 de peso, titular incontestável, que chegue para resolver. Se possível, dois jogadores com características de centroavante para dar opções ao treinador.
O Vasco é grande demais para continuar improvisando no setor ofensivo.
Craque e baranga do jogo
CRAQUE DO JOGO: LESCANO

O argentino foi, na minha avaliação, o melhor jogador do Vasco. Participou das ações ofensivas, marcou um belo gol e demonstrou inteligência e qualidade técnica.
É um grande achado do Vasco. Espero que tenha uma trajetória longa em São Januário e continue entregando esse futebol.
BARANGA DO JOGO: PEDRO EMANUEL

O treinador foi o principal responsável pelos erros de planejamento e escalação.
Errou ao poupar jogadores em um clássico dessa importância, errou na formação defensiva e demorou a mexer na equipe.
Também não concordo com a insistência em Tchê Tchê, que deixou a desejar em mais uma oportunidade.
O Vasco precisa valorizar seus jovens talentos. Rayan, por exemplo, é uma joia da base, tem qualidade técnica, velocidade e capacidade de participar das jogadas ofensivas.
Não pode perder espaço sem que exista uma justificativa dentro de campo.
Gabriel Pereira também teve uma noite muito difícil, mas considero importante levar em conta a falta de entrosamento e o contexto em que foi colocado para jogar.
Agora é pensar no Palmeiras
A derrota foi decepcionante, mas não existe muito tempo para lamentações.
O Vasco terá pela frente o Palmeiras, pela semifinal da Copa do Brasil, em um confronto que pode representar a oportunidade de salvar a temporada e buscar uma vaga na Libertadores.
Será necessário fazer uma partida praticamente perfeita.
O Palmeiras tem uma equipe tecnicamente superior, mas também possui seus problemas e não está jogando tudo isso. O Vasco precisa entrar em campo com inteligência, suportar a pressão e saber aproveitar as oportunidades.
O primeiro objetivo é conseguir um bom resultado fora de casa para trazer a decisão para São Januário.
A torcida precisa acreditar, mas o time também precisa corresponder.
Caixão fechado: 4 a 1 Flamengo!
O Flamengo mereceu a vitória. Mesmo com o Vasco conseguindo competir em boa parte do confronto, o rival foi muito mais eficiente quando chegou ao ataque.
O Vasco mostrou algumas qualidades, especialmente com Lescano, mas também deixou evidente que precisa melhorar muito seu elenco.
A derrota por 4 a 1 não pode ser tratada apenas como um acidente. Existem erros de planejamento, problemas defensivos e carências ofensivas que precisam ser corrigidos.
Pedro Emanuel será cobrado, e com razão.
Tomara que domingo seja diferente. Tomara que o Vasco consiga fazer uma grande partida contra o Palmeiras e dê uma resposta à torcida.
Porque o Vasco é muito grande para se contentar apenas em competir.
Saudações vascaínas! Um abraço e um beijo no coração de todos!
Notícias da Colina
Por Felipe Rodrigues
Fotos André Durão/ O Globo
Matheus Lima/Vasco




