A Decepção que Não Nos Decepciona: Botafogo e Copa do Brasil, histórias de desencontros

A Decepção que Não Nos Decepciona: Botafogo e Copa do Brasil, histórias de desencontros

O Botafogo de Futebol e Regatas perdeu para a Associação Chapecoense de Futebol por 2 a 0 na Arena Condá e está eliminado de mais uma edição da Copa do Brasil de forma melancólica. Os gols foram marcados por Marcinho, aos 20', e Bolasie, aos 45'+5.

O Craque do Bairro

A torcida alvinegra, que enfrentou uma logística difícil e um horário complicado em pleno dia útil para acompanhar o time em Chapecó, foi novamente o grande destaque da noite. Mesmo diante de uma equipe que oscila bastante durante a temporada, o torcedor esteve presente e apoiou até o fim.

O Bagre do Bairro

Puxados por John Charles Textor, Neto e companhia protagonizam a vilania neste momento conturbado do clube, que vive uma indefinição administrativa e técnica. O torcedor botafoguense precisará de muita resiliência para atravessar mais uma temporada marcada por frustrações.

O Botafogo e a Copa

Na manhã do jogo, ao ler as notícias das eliminações de Esporte Clube Bahia e São Paulo Futebol Clube para Remo e Juventude, além das classificações difíceis de Fluminense Football Club, Club de Regatas Vasco da Gama, Clube Atlético Mineiro, Cruzeiro Esporte Clube e Sport Club Internacional, veio à cabeça o velho roteiro: o clássico tropeço do Botafogo diante de equipes teoricamente inferiores.

E, para a surpresa de ninguém, o Botafogo está fora de mais uma Copa do Brasil. Mais uma eliminação vexatória no torneio que chega à sua 37ª edição.

Desde a criação da competição, em 1989, o clube coleciona histórias que entristecem seus torcedores. Houve episódios como a derrota para o Cori-Sabbá, no Piauí, por 1 a 0, em 1996, gol de Pitônio. O placar foi revertido no Rio com vitória por 3 a 0, mas muitos outros confrontos ficaram eternizados na memória do torcedor alvinegro, que até hoje revisita mentalmente onde tudo deu errado.

1999: o quase título

Na melhor campanha da história do clube na competição, o Botafogo eliminou Paysandu, São Paulo, Athletico-PR e Palmeiras até chegar à final contra o Esporte Clube Juventude.

Na primeira partida, em Caxias do Sul, derrota por 2 a 1, em um jogo marcado por dois gols anulados do Botafogo. No Maracanã, diante de mais de 100 mil torcedores, bastava vencer por 1 a 0 para conquistar o título, já que o critério de desempate era o gol marcado fora de casa.

Mas o roteiro foi cruel: o Juventude segurou o empate e deu a volta olímpica no Maracanã, quase 50 anos após o Maracanazo.

2006: o choque contra o Ipatinga

O revés veio diante do desconhecido Ipatinga Futebol Clube. O clube mineiro venceu o primeiro jogo por 3 a 0, com gols de Diego Silva e Walter Minhoca, e confirmou a classificação no Rio de Janeiro ao derrotar novamente o Botafogo por 3 a 1.

Comandado por Ney Franco, o Ipatinga tinha atletas que posteriormente reforçariam grandes clubes do futebol brasileiro. Antes disso, o Botafogo já havia sido eliminado por Gama, em 2004, e Paulista, em 2005.

2009: o Americano e a rivalidade política

O início dos anos 2000 foi extremamente difícil para o Botafogo. Em tom de deboche, rivais passaram a chamar o clube de “quinta força do Rio”, enquanto o Americano Futebol Clube ganhava notoriedade no cenário estadual.

O clube de Campos era ligado ao então presidente da FERJ, Eduardo Viana, o “Caixa D’Água”, figura polêmica do futebol carioca.

Naquele ano, o Americano venceu em casa por 2 a 1. No Rio, o Botafogo devolveu o placar e levou a decisão para os pênaltis. Nas cobranças, vitória do Alvinegro do Norte Fluminense por 5 a 4 e mais uma eliminação traumática para o torcedor botafoguense.

2013: o vareio no Maracanã

O Botafogo possuía um dos melhores elencos do país, liderado por Clarence Seedorf. Nas quartas de final, enfrentou o Clube de Regatas do Flamengo em dois jogos no Maracanã, já que o Nilton Santos estava interditado para reformas.

Enquanto o Botafogo brigava na parte de cima do Campeonato Brasileiro, o Flamengo flertava com a zona de rebaixamento. Ainda assim, o Alvinegro apenas empatou o primeiro jogo por 1 a 1 e sofreu uma goleada por 4 a 0 na volta, com atuação histórica de Hernane Brocador, autor de um hat-trick.

2018: a Aparecidense e o caos técnico

Após a saída de Jair Ventura, o Botafogo mergulhou em instabilidade. Eduardo Barroca, campeão brasileiro Sub-20 pelo clube, acabou preterido, enquanto Felipe Conceição assumiu o comando técnico.

O início foi ruim: duas vitórias, três empates e quatro derrotas. O treinador caiu após perder para o Flamengo no estadual, mas a crise explodiria de vez na Copa do Brasil.

Contra a Associação Atlética Aparecidense, o empate classificava o Botafogo. Mesmo assim, o clube perdeu por 2 a 1 e caiu ainda na primeira fase.

2021: crise financeira e revolta da torcida

Rebaixado no Brasileirão, o Botafogo precisava desesperadamente da premiação da Copa do Brasil. Com a receita reduzida pela disputa da Série B e os impactos da pandemia da Covid-19, o torneio era visto como caminho financeiro essencial.

Após empate por 1 a 1 no tempo normal, o clube foi eliminado nos pênaltis por 4 a 1 para o ABC Futebol Clube.

Na saída do estádio, torcedores cercaram os jogadores, e o zagueiro Kanu declarou que “o Botafogo estava longe de ser o Real Madrid”, frase que marcou negativamente aquele momento.

2026: mais um capítulo melancólico

Ano novo, eliminação velha.

Por estar na elite do futebol brasileiro, o Botafogo entrou diretamente na quinta fase da competição. O sorteio colocou a Chapecoense no caminho.

A equipe catarinense não vivia grande fase no Brasileirão e havia conquistado recentemente seus primeiros pontos na competição. No primeiro jogo, vitória botafoguense por 1 a 0 no Nilton Santos.

Na volta, bastava um empate.

O final, infelizmente para o torcedor alvinegro, todos já conhecem.

Próximo desafio

O Botafogo recebe o Sport Club Corinthians Paulista no Nilton Santos, em partida que marcará a despedida de Alexander Barboza diante da torcida alvinegra. Negociado com o Sociedade Esportiva Palmeiras, o defensor ainda pode fazer mais uma partida pelo clube antes da abertura da próxima janela.

Na quarta-feira, o Alvinegro sobe o morro para enfrentar o Petrolero, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.

Redação: Resenha do Bairro

Fotos: Vitor Silva

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