
Com três gols sofridos em Porto Alegre, equipe alvinegra amplia sequência negativa sob o comando de Tite. Em cinco partidas, treinador soma apenas uma vitória e aumenta a pressão na reta final do Brasileirão.
O sinal de alerta está ligado em General Severiano. O Botafogo foi derrotado pelo Internacional, em Porto Alegre, e voltou a expor as fragilidades defensivas que vêm marcando a equipe nesta reta final de Campeonato Brasileiro. Com o resultado, o fantasma do rebaixamento ganha força, justamente quando o time tem cada vez menos margem para tropeços.
O pragmatismo de Tite ainda não apareceu
Ao longo da carreira, Tite construiu a imagem de um treinador pragmático, conhecido pela organização tática e pela capacidade de estruturar sistemas defensivos competitivos. O Corinthians de 2015, campeão brasileiro com uma equipe eficiente e capaz de vencer muitas partidas por 1 a 0, é um dos principais exemplos desse perfil.
Era justamente esse equilíbrio que o torcedor alvinegro esperava encontrar com a chegada do treinador. Até agora, porém, a realidade tem sido bem diferente.
Tite assumiu o Botafogo com dez partidas restantes na competição e a missão de afastar o clube da zona de rebaixamento. Naquele momento, a equipe tinha 35 pontos e precisava conquistar mais dez em dez jogos para alcançar a pontuação considerada necessária para escapar do corte.
Passada metade desse percurso, o cenário é preocupante: o Botafogo chegou aos 39 pontos e conquistou apenas quatro dos 15 pontos disputados sob o comando do treinador.
Em cinco partidas, o retrospecto é de uma vitória — diante da Chapecoense, lanterna e já considerada rebaixada no contexto da disputa —, um empate contra o Coritiba, fora de casa, e três derrotas. A única vitória veio com sofrimento, sem transmitir a segurança que se esperava de uma equipe comandada por um técnico reconhecido pela organização defensiva.
Uma defesa que mais acusa do que protege

Para enfrentar o Internacional, Tite montou o Botafogo no esquema 4-2-3-1, com Gabriel Batista; Vitinho, Ferraresi, Marçal e Alex Telles; Allan e Danilo; Medina, Montoro e Matheus Martins; Tiquinho Soares.
A formação, no entanto, não conseguiu oferecer a proteção necessária. Os erros individuais, o posicionamento inadequado e as falhas de cobertura transformaram a defesa alvinegra em uma sequência de problemas que o adversário soube aproveitar.
Na análise dos gols, o colaborador Rodrigo Barreto destacou que as dificuldades não se resumiram à escalação, apontando erros específicos de Vitinho, Marçal, Ferraresi e Alex Telles.
Sobre Vitinho, Rodrigo chamou a atenção para os erros de passe durante a partida.
No primeiro gol do Internacional, porém, o problema mais grave, em sua avaliação, começou com uma intervenção de Marçal.
O lateral raspou a bola para trás, em uma jogada na qual, segundo Rodrigo, o defensor deveria ter adotado outra solução. O desvio acabou prejudicando o posicionamento da linha defensiva e facilitou a conclusão da jogada colorada.
No segundo gol, a crítica recaiu sobre Ferraresi. Para Rodrigo, o zagueiro acompanhou a trajetória da bola e falhou na tentativa de antecipação. Se tivesse pressionado o adversário que recebia de frente, poderia ter dificultado o domínio e obrigado o jogador a proteger a posse em outra posição.
O terceiro gol voltou a expor a falta de cobertura. Rodrigo questionou a presença de Ferraresi no campo ofensivo no momento da transição do Internacional. Com o zagueiro fora de posição, Marçal ficou praticamente sozinho na defesa. Vitinho tentou dar o bote, mas a sequência de passes colorados encontrou espaço para deixar o centroavante em condições de finalizar.
Até mesmo no gol posteriormente anulado, Rodrigo identificou uma falha de Alex Telles, reforçando a percepção de que os problemas defensivos atingem diferentes setores da equipe.
A avaliação do colaborador resume o sentimento de preocupação com o sistema defensivo: o goleiro acaba exposto por erros cometidos à sua frente, sem conseguir evitar todas as consequências das falhas coletivas.
A segunda pior defesa do campeonato
Os números ajudam a explicar a dimensão do problema. Com 51 gols sofridos, o Botafogo tem a segunda pior defesa da competição, ficando à frente apenas da Chapecoense, que já havia sofrido 62 gols.
O dado contrasta com a expectativa criada pela contratação de Tite. Se a organização defensiva era uma das principais credenciais do treinador, o desempenho alvinegro até aqui está longe de corresponder a essa reputação.
A dificuldade não está apenas em sofrer gols, mas na maneira como eles acontecem: erros de posicionamento, falhas de cobertura e desatenções individuais que comprometem o trabalho de toda a equipe.
Na reta final do campeonato, corrigir esses problemas deixou de ser uma questão de desempenho para se tornar uma necessidade urgente de sobrevivência na Série A.
Internacional supera desfalques e conta com atuação segura do goleiro
O cenário torna a derrota ainda mais frustrante para o torcedor botafoguense. O Internacional entrou em campo desfalcado de quatro titulares, suspensos após a partida contra o Mirassol, na rodada anterior.
Mesmo com as ausências, a equipe gaúcha conseguiu explorar as fragilidades do adversário e construir o resultado. O quarto goleiro Kauan também teve participação importante: com quatro defesas, contribuiu para que o Colorado terminasse a partida sem sofrer gols.
O Botafogo até conseguiu criar oportunidades, mas não foi eficiente o suficiente para transformar suas chegadas em gols. Do outro lado, o Internacional demonstrou maior capacidade de aproveitar os espaços concedidos pela defesa alvinegra.
Craque do Bairro: Davi de Oliveira Lacerda

O árbitro Davi de Oliveira Lacerda, do Espírito Santo, recebe o destaque positivo da partida na avaliação do Resenha do Bairro.
Na análise da atuação, a arbitragem acabou beneficiando o Botafogo em lances nos quais o Internacional poderia ter tido a aplicação da vantagem. Para o torcedor alvinegro, as decisões impediram que o placar pudesse assumir proporções ainda mais desfavoráveis.
Bagre do Bairro: o coletivo alvinegro

O destaque negativo fica com o time do Botafogo. Em Porto Alegre, a equipe não conseguiu apresentar uma atuação à altura da importância do confronto.
A defesa voltou a falhar, o ataque desperdiçou oportunidades e a equipe não demonstrou força suficiente para reagir diante das dificuldades. O resultado foi mais um tropeço em um momento no qual cada ponto pode fazer diferença na luta contra o rebaixamento.
Faltando seis partidas para o encerramento da temporada, não há mais espaço para erros recorrentes. O Botafogo precisa encontrar respostas dentro de campo, e Tite terá de mostrar rapidamente que consegue reorganizar uma equipe que continua sofrendo com problemas básicos de posicionamento e proteção defensiva.
Próximo desafio: Botafogo viaja ao Pará para enfrentar o Remo
O calendário não oferece muito tempo para lamentações. Na quarta-feira, o Botafogo viaja ao Pará para enfrentar o Remo, que ocupa a penúltima colocação do campeonato.
O confronto ganha contornos de decisão para o Alvinegro. Diante de um adversário que também luta na parte inferior da tabela, conquistar pontos será fundamental para evitar que a ameaça do rebaixamento se transforme em uma realidade ainda mais próxima.
A pergunta que fica para a torcida é direta: Tite conseguirá corrigir os erros defensivos e fazer o Botafogo reagir a tempo?
O crédito de confiança diminui a cada rodada, e o campeonato está chegando ao fim. Para o Glorioso, já não basta jogar melhor em alguns momentos. É preciso pontuar, recuperar a confiança e, principalmente, parar de sofrer gols.
Resenha do Bairro
Por Sérgio Nascimento
Colaboração Rodrigo Barreto
Fotos Vitor Silva/Flickr.com Botafogo




