O Botafogo bipolar: time de Bellão distribui presentes e termina jogo com tapas e socos

O Botafogo bipolar: time de Bellão distribui presentes e termina jogo com tapas e socos

Glorioso reage no fim, mas não evita derrota por 3 a 2 para o Athletico-PR; sequência contra Flamengo e Palmeiras pode definir o futuro de Rodrigo Bellão

O Botafogo entrou em mais uma espiral negativa no Campeonato Brasileiro. Depois da derrota para o Vitória, em Salvador, o Glorioso voltou a ser derrotado, desta vez em casa, por 3 a 2 para o Athletico-PR.

Em uma partida marcada por erros defensivos, reação tardia e confusão após o apito final, o time comandado pelo interino Rodrigo Bellão mostrou novamente sua bipolaridade: distribuiu presentes durante o jogo e terminou a noite distribuindo tapas e socos.

Bellão escalou Gabriel Batista; Vitinho, Justino, Ferraresi e Alex Telles; Allan, Medina, Edenílson e Montoro; Kauan Toledo e Danilo Pereira.

Os presentes

O Botafogo começou melhor. Com apenas seis minutos, já havia finalizado duas vezes, com Alex Telles e Vitinho.

Aos 11 minutos, porém, veio o primeiro presente. Allan recebeu a bola na defesa e tentou tocar para Medina, mas colocou o companheiro em uma situação complicada. Medina perdeu a posse para Jadson, que finalizou. Gabriel Batista espalmou, mas a bola sobrou para João Cruz, livre de marcação, cabecear para o fundo das redes.

Dois minutos depois, novo erro.

Após mais uma bola perigosa recebida de Allan, Justino precisou se livrar da chamada "batata quente". A bola chegou à intermediária e Danilo Pereira acabou desarmado por Dantas, que encontrou Viveros. O atacante avançou e bateu na saída de Gabriel Batista para fazer 2 a 0.

Allan, que retornava após longo período de inatividade, acabou sendo um dos protagonistas negativos dos dois lances.

Os problemas de Bellão

Bellão fez sua primeira alteração no intervalo. Kauan Toledo, que vinha tendo uma atuação abaixo do esperado, deixou o campo para a entrada de Júnior Santos.

Aos 63 minutos, novas mudanças. Allan e Medina, envolvidos diretamente no primeiro gol do Athletico-PR, saíram para as entradas de Huguinho e Kadir Barría.

Dez minutos depois, Santi Rodríguez entrou no lugar de Edenílson.

O Botafogo passou a ter mais volume ofensivo. A equipe já havia conquistado 11 escanteios, muitos deles cobrados por Alex Telles, que se transformou em uma espécie de especialista nas bolas paradas alvinegras.

Aos 76 minutos, Montoro acertou a trave.

Mas, dois minutos depois, veio outro golpe. Em um contra-ataque rápido, especialidade das equipes comandadas por Odair Hellmann, Kerwin Vargas encontrou Kevin Viveros pela direita. O atacante ganhou de Alex Telles na velocidade e tocou no canto direito de Gabriel Batista: 3 a 0.

Show de Santi Rodríguez

Pressionado por resultados e enfrentando uma sequência contra adversários que brigam na parte de cima da tabela, Bellão apostou na experiência para tentar sustentar seu trabalho.

O treinador não pôde contar com Danilo Santos, que apresentou inchaço na panturrilha, nem com Lucas Monzón, que teve indisposição estomacal.

Edenílson recebeu uma oportunidade entre os titulares e teve atuação razoável. Allan, porém, voltava de um longo período sem atuar e acabou sendo nocivo ao sistema defensivo alvinegro.

A escolha pelos veteranos deixa evidente a preocupação do treinador em buscar respostas imediatas, mas também expõe a dificuldade de encontrar uma formação capaz de dar equilíbrio ao time.

Segundo tempo: reação tardia

Se havia uma notícia positiva na noite alvinegra, ela vestia a camisa 23.

Santi Rodríguez entrou em campo depois de um período turbulento. O meia esteve envolvido em uma polêmica ainda durante o comando de Franclim Carvalho, quando teria se recusado a entrar em campo faltando cerca de 15 minutos para o fim da partida contra o Cruzeiro. Após ser convencido por Marçal, acabou entrando.

Desde então, perdeu espaço. Não foi relacionado contra o Fluminense, entrou na partida contra o Cienciano, em Cusco, e também teve poucos minutos contra o Vitória. Foram apenas 45 minutos somados em duas partidas.

O jogador também teve seu nome ligado ao Columbus Crew, mas a negociação acabou frustrada em meio às pendências envolvendo a MLS nas contratações de Santi Rodríguez e Almada.

Contra o Athletico-PR, porém, Santi precisou de apenas 13 minutos para mudar a história da partida.

Aos 85 minutos, Alex Telles cobrou escanteio. A defesa paranaense afastou parcialmente e a bola sobrou na entrada da área. Santi Rodríguez bateu e marcou seu primeiro gol na temporada.

O Botafogo ganhou confiança.

Aos 90+2, Matheus Martins cobrou o 13º escanteio do Glorioso na partida. A bola encontrou Danilo Pereira na área, que disputou no meio da confusão. No rebote, novamente Santi Rodríguez apareceu para marcar.

3 a 2.

O Botafogo ainda tentou um abafa nos minutos finais em busca do empate, mas a reação começou tarde demais.

O que vem por aí

A derrota por 3 a 2 para o Athletico-PR, terceiro colocado do Campeonato Brasileiro, aumenta ainda mais a pressão sobre Rodrigo Bellão.

O cenário não poderia ser mais complicado.

No próximo domingo, o Botafogo enfrenta o Flamengo, vice-líder, no Maracanã. Depois, recebe o Palmeiras, líder do Brasileirão.

Dois clássicos contra os primeiros colocados da competição que podem ser decisivos para o futuro de Bellão no comando do time principal.

Em entrevista ao canal Arena Alvinegra, o próprio treinador admitiu que ainda não se sente pronto para assumir definitivamente o comando técnico da equipe.

Craque do Bairro

Santi Rodríguez

Entrou do banco e mudou completamente a partida.

Em apenas 13 minutos, marcou dois gols, recolocou o Botafogo no jogo e reacendeu a discussão que já toma conta da torcida: por que Santi Rodríguez não está recebendo mais oportunidades?

O meio-campo alvinegro perdeu produtividade após a Copa, e o uruguaio mostrou que pode ser uma alternativa importante para recuperar criatividade e poder de decisão.

Bagre do Bairro

Allan

Ainda dividido com a atuação de Vitinho — lateral que perde muitos gols, chuta como se estivesse cruzando e cruza como se estivesse chutando —, a redação escolhe Allan como o Bagre do Bairro.

O volante não atuava desde 2 de maio, quando o Botafogo perdeu para o Remo, e sentiu claramente o longo período de inatividade.

Allan colocou os companheiros em situações perigosas nos dois primeiros gols do Athletico-PR. No primeiro lance, ainda trombou com Medina enquanto o companheiro disputava a bola com o adversário.

Na segunda etapa, acabou substituído sob vaias.

Os socos

Como se a derrota não fosse suficiente, o jogo ainda terminou com confusão.

Após o apito final, Marçal voltou a se envolver em uma discussão e partiu para cima de jogadores e integrantes da comissão técnica do Athletico-PR.

A atitude merece críticas.

Jogadores não defendem o clube com braços e punhos, mas com pernas, pés e, principalmente, razão.

O momento do Botafogo é delicado. A equipe tem apenas seis pontos de vantagem para o primeiro clube dentro da zona de rebaixamento, o Mirassol, e terá pela frente uma sequência extremamente difícil.

É hora de todos colocarem a cabeça no lugar.

Dentro de campo, o Botafogo precisa de organização, futebol e equilíbrio. Fora dele, precisa de responsabilidade.

A bipolaridade precisa acabar. O Glorioso não pode continuar entregando presentes durante os 90 minutos e tentando resolver tudo na base dos socos depois do apito final.

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