
De Sul a Norte, o Botafogo foi humilhado por equipes que estão na zona de rebaixamento. A segunda pior defesa do campeonato continua sendo extremamente solícita com os ataques adversários. O GPS alvinegro parece já ter definido o destino: a Série B de 2027.
A escada para o céu… ou para o inferno?
“Há uma senhora que tem certeza de que tudo que reluz é ouro. E ela está comprando uma escada para o céu. Quando ela chega lá, sabe que, se as lojas estiverem todas fechadas…”
O trecho acima faz parte de Stairway to Heaven, canção do Led Zeppelin, lançada em 1971. E a metáfora musical ajuda a explicar o momento do Botafogo.
Em 2024, a gestão de John Textor, à frente da Eagle Football, conquistou dois títulos importantes. Em fevereiro de 2026, Textor foi excluído do quadro de sócios por decisão relacionada a acusações de improbidade administrativa. Na sequência, entrou a GDA, cercada de promessas e expectativas de novas conquistas.
A torcida acreditou que a luz no fim do túnel representava o brilho dos troféus e comprou a escada da GDA para alcançar novos objetivos. O problema é que, ao chegar ao destino, encontrou as portas das competições fechadas.
O Botafogo foi eliminado da Copa do Brasil pela Chapecoense e caiu de forma vergonhosa na Copa Sul-Americana diante do Cienciano, sofrendo uma goleada por 6 a 1 na altitude, um resultado humilhante para o futebol brasileiro.
O Campeonato Brasileiro, que parecia oferecer alguma segurança, agora se transforma em um pesadelo. A luz no fim do túnel pode não ser a glória prometida, mas o farol de um trem vindo na direção do torcedor alvinegro, com destino à Série B de 2027.
Escalação

Tite mandou a Campo: Gabriel Batista; Vitinho, Ferraresi, Marçal e Alex Telles(Paulinho); Domingos Andrade (Edenílson) e Huguinho; Ziyech (Júnior Santos), Medina (Tiquinho Soares) e Matheus Martins (Kauã Toledo); Arthur Cabral
O jogo
O Botafogo teve uma atuação péssima, repetindo um comportamento que já vinha apresentando antes mesmo da chegada de Tite e que foi confirmado sob o comando do treinador.
O Remo abriu o placar aos 8 minutos, com Jajá, e ampliou aos 9 minutos do segundo tempo, com Leonel Picco. Edenílson ainda descontou aos 38 minutos da etapa final, mas a reação parou por aí.
Depois de 12 jogos sem vencer, o Remo encerrou seu jejum justamente contra o Botafogo. Amigo de todos, o Glorioso distribui presentes aos adversários antes mesmo da chegada do Natal. O problema é que, nessa brincadeira, quem fica sem presente é o próprio torcedor alvinegro.
Tite

O treinador ainda não encontrou a equipe ideal. Em seis jogos, foram seis escalações diferentes, sinal de que o trabalho continua sem uma identidade definida.
Com um contrato longo, Tite não deve ser tratado como o único responsável pela crise, mas precisa apresentar respostas urgentes. Sob seu comando, o Botafogo sofreu dez gols e marcou apenas quatro. São números preocupantes para uma equipe que precisa reagir imediatamente.
Com 15 pontos ainda em disputa, o Glorioso precisa conquistar pelo menos seis para alcançar a pontuação necessária à sua permanência. Essa conta depende da classificação e dos resultados dos concorrentes, mas a urgência é evidente: cada rodada se tornou uma decisão.
O time está mal treinado, deixa espaços enormes entre as linhas e demonstra dificuldades para reagir quando sofre um gol. Além disso, os jogadores não parecem conseguir executar o que o treinador pretende. A situação é desesperadora, e o tempo está acabando.
O Craque do Bairro

A torcida alvinegra!
O torcedor do Botafogo precisou esperar desde 2021 para ver novamente o Glorioso jogar em solo paraense. Naquela ocasião, pela Série B do Campeonato Brasileiro, o Fogão venceu o Remo por 1 a 0. Agora, cinco anos depois, as equipes voltaram a se encontrar no Pará, mas o roteiro foi bem diferente.
Se em 2021 a torcida saiu comemorando, desta vez teve de engolir uma derrota dolorosa, justamente em um momento em que o clube mais precisava dar uma resposta dentro de campo.
Por isso, o Craque do Bairro vai para o torcedor alvinegro, que atravessa o país, acompanha o time e mantém sua paixão, mesmo quando os jogadores não correspondem em campo. O Botafogo pode decepcionar, mas sua torcida continua presente!
Bagre do Bairro

João Paulo Magalhães Lins.
A falta de uma direção de futebol experiente para administrar a crise é um dos pontos mais preocupantes do atual cenário. Léo Coelho também não vem conseguindo apresentar uma gestão capaz de tirar o clube dessa situação.
Aparentemente, apostou-se que o nome de Tite seria suficiente para resolver os problemas. Mas contratar um treinador conhecido não substitui planejamento, organização, liderança e, principalmente, um elenco preparado para competir.
O Botafogo precisa de decisões concretas, não de promessas. O relógio está correndo, e a tabela não espera.
Próxima Tortura
Na próxima quarta-feira, o Botafogo recebe o Atlético-MG no Estádio Nilton Santos, às 21h30.
É possível que o Galo utilize uma equipe alternativa, pensando no compromisso de volta pela Copa do Brasil contra o Grêmio. Em condições normais, isso poderia representar uma oportunidade para o Glorioso buscar a recuperação.
Entretanto, o torcedor alvinegro tem motivos de sobra para desconfiar. O Botafogo vem apresentando atuações pífias, não demonstra reação consistente e continua acumulando problemas defensivos e ofensivos.
Os clubes que lutam contra o rebaixamento, com exceção do Corinthians, vêm apresentando sinais de crescimento nas últimas rodadas. Enquanto isso, o Botafogo parece caminhar na direção contrária.
O GPS já tem rota definida. Se ninguém assumir o volante e mudar o percurso, o destino pode ser a Série B de 2027.
Resenha do Bairro
Por Sérgio Nascimento
Fotos Vitor Silva




