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Em toda derrota (ou vitória apertada) do Manchester United, a comunidade red devil nas redes sociais levanta os mesmos questionamentos de sempre: Amorim é bom o suficiente? Por que não abre mão dos três zagueiros? Esse sistema é fracassado e não condiz com a história do clube! E por aí vai...
Não entrarei aqui no mérito de que o United teve, nos últimos 12 anos, sete treinadores diferentes, com estilos diferentes, bagagens diferentes e, mesmo assim, não conseguiu repetir o sucesso de outrora. Também considero desnecessário mencionar que Ruben Amorim era, no ato de sua contratação, o mais promissor treinador do planeta Terra (ao lado de Xabi Alonso), tendo feito chover em Lisboa no comando do seu Sporting. Hoje debateremos como o esquema favorito do treinador português vem dando certo em outros times na Europa.
Nesta semana que se passou, vimos na Champions League uma das partidas mais divertidas dos últimos tempos: um 4x4 eletrizante entre Juventus e Borussia Dortmund, pela primeira rodada do torneio continental. Curiosamente, ambas as equipes jogaram no mesmo esquema: o famigerado 3-4-3!
Pelo lado italiano, O técnico Igor Tudor levou a campo Di Gregório; Kalulu, Bremer e Kelly; Mckennie, Koopmeiners, Thuram e Cambiasso; Yıldız, Openda e David. Já os alemães foram escalados por Niko Kovac da seguinte forma: Kobel; Ryerson, Anton e Bensebaini; Yan Couto, Sabitzer, Nmecha e Svensson; Adeyemi, Beier e Guirassy.
O mesmo esquema tático, tão criticado na Inglaterra, deu muito certo em ambos os times que, inclusive, mostraram grandes variações no jeito de jogar.
A Juve utilizou um trio de ataque formado por um meia-atacante (Yildiz) e dois atacantes de movimentação (Openda e David), sem que nenhum deles atuasse diretamente como referência. O resultado dessa combinação de características foi que o meia turco vinha da esquerda para dentro, se posicionando às costas dos companheiros de ataque que, por sua vez usavam sua mobilidade para explorar as costas da zaga alemã. No meio de campo, outra diferença crucial: os volantes com funções muito bem estabelecidas e características complementares: Enquanto Koopmeiners atuava de forma mais posicional, à frente da zaga e distribuindo o jogo com muita qualidade, coube a Thuram "caçar" os adversários em campo, se mover por todos os lados e buscar os combates físicos.
Já Kovac pensou seu meio de campo de maneira diferente: nos Aurinegros, Sabitzer e Nmecha são dois segundos volantes, que marcam e atacam e se revezavam nas funções. Enquanto um se movia pelo campo, o outro guardava posição. No ataque, as posições foram melhor definidas, com Guirassy jogando como referência, Adeyemi pela direita e Beier pela esquerda.
Mesmo atuando com o mesmo esquema, os dois times jogaram de maneira bastante diferente, como pudemos concluir na análise anterior. Isso se dá porque o esquema influencia muito menos no jeito de jogar de uma equipe do que se pensa, cabendo, na verdade, à proposta de jogo definir como o time atuará efetivamente. O Manchester United tem jogadores para jogar de quase todas as formas (não possui um volante habilidoso e físico como o Thuram, o que dificulta montar um meio de campo como o da Juventus). Basta agora que o treinador português encontre o melhor casamento de características possível para potencializar o talento que já existe no elenco.




