
Foto: Divulgação São Paulo
Há uma "regra" no jornalismo esportivo que diz que as histórias sempre devem ser contadas pelo ponto de vista de quem venceu. Como quase nada na editoria de esportes segue qualquer tipo de convenção, também não seguirei e falarei do Choque-Rei disputado no último domingo, no Morumbis, pelo ponto de vista de quem perdeu: o São Paulo.
É preciso, antes de tudo, ter muito cuidado para não creditarmos a derrota à péssima arbitragem do domingo. O São Paulo não perdeu pelo pênalti não-assinalado, como também não foi eliminado pela LDU por causa da altitude, ou foi derrotado pelo Ceará por seja qual for a desculpa da vez. O Tricolor vem perdendo jogos seguidamente porque não consegue se manter competitivo por toda a partida e esse é um problema que o técnico Hernan Crespo não parece muito dedicado a resolver.
A história do clássico de ontem é a seguinte: O São Paulo, que não vence o Palmeiras em seus domínios desde 2017, que nesse ano sequer havia marcado contra o vizinho de muro, fez um primeiro tempo muito mais brigado do que jogado e foi para o intervalo vencendo por 2x0. Qualquer time teria escondido a bola no segundo tempo, não deixado o jogo correr, vencido a partida e reclamado muito da arbitragem nas entrevistas pós jogo, mas o São Paulo não é "qualquer time".
Logo no início da segunda etapa, Allan escorreu na área a acertou Tapia. Pênalti, que o juiz não deu. Dali em diante, como se estivesse protestando contra a má decisão da arbitragem, o Tricolor parou de jogar e viu o rival marcar três vez, virando a partida.
Vale lembrar que o Palmeiras também teve atuação medíocre, se livrando da bola o tempo todo e preferindo tomar faltas a prosseguir nas jogadas. Mas, nas poucas vezes em que colocou a bola no chão, fez o rival sofrer.
A verdade é que não existe a possibilidade de um time, em seus domínios, tomar uma virada dessas! O São Paulo não aprendeu nada com o Corinthians, que recentemente eliminou o Palmeiras jogando bem menos que o rival, mas sabendo segurar o resultado construído, sabendo competir, sabendo vencer jogos, muito diferente do que vimos na tarde de ontem.
O São Paulo mostrou (e vem mostrando há algum tempo) ser uma equipe imatura e incapaz de enfrentar os melhores, mesmo tendo um elenco com peças que lhe permitiriam jogar contra qualquer um.
Após marcar o gol da virada, com Sosa cabeceando completamente livre dentro da pequena área, o Palmeiras fez o que o São Paulo deveria ter feito enquanto esteve à frente no placar: acabou com o jogo, encerrando todas as possibilidades do adversário chegar ao seu gol. As únicas escapadas do time do Morumbis foram em arrancadas do garoto Rodriguinho que, ao contrário do resto do time, tentou puxar a responsabilidade para si. Muito pouco para um time desse tamanho.
O erro da arbitragem serviu somente como desculpa para Crespo vociferar na coletiva de imprensa sobre como seu time foi prejudicado, sem se dignificar a comentar sobre a falta de competitividade que demonstrou no segundo tempo.
Em uma situação hipotética, em que o pênalti fosse assinalado e Luciano tivesse convertido, o Tricolor ainda teria tomado três gols e cedido o empate (talvez até tivesse tomado a virada, haja vista tamanha incompetência), sem haver, entretanto, margem para desculpas.
O treinador são-paulino deve estar neste momento agradecendo aos céus pelo pênalti não ter sido marcado, pois caso contrário, não teria desculpas para dar após a partida, teria de assumir a responsabilidade pela falta de competição da sua equipe e, possivelmente, teria acordado nesta segunda-feira desempregado.




