
Mesmo com atuação abaixo do esperado e derrota por 1 a 0 no Allianz Parque, torcida cruz-maltina acredita na classificação. Arbitragem de Daronco e desempenho de alguns jogadores aumentam a preocupação para o jogo decisivo.
A festa das torcidas e a confiança na virada
Fala, rapaziada! Saudações vascaínas!
Vamos miuçar um pouquinho o que aconteceu na partida de ontem, no Nubank Parque, pelo jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil, entre Palmeiras e Vasco.
O confronto começou com uma bonita festa das duas torcidas. Palmeiras e Vasco possuem uma relação de amizade entre seus torcedores, que frequentemente compartilham momentos nas arquibancadas. O ambiente era de celebração por mais um grande encontro do futebol brasileiro, agora valendo uma vaga na decisão da competição.
Dentro de campo, porém, quem saiu vencedor foi o Palmeiras, pelo placar mínimo de 1 a 0.
Mas, curiosamente, quem terminou a partida cantando, incentivando e demonstrando confiança foi a torcida vascaína. Pode parecer contraditório perder um jogo e comemorar ao apito final, mas existe uma explicação: o torcedor acredita que esse resultado é completamente reversível em São Januário.
E é justamente aí que mora a esperança do Vasco.
São Januário tem uma atmosfera diferente. A torcida empurra, pressiona e transforma o estádio em um ambiente extremamente difícil para os adversários. Mesmo com a relação amistosa entre as torcidas, quando a bola rolar, a amizade ficará de lado. Serão 90 minutos de disputa por uma vaga na final.
Tenho convicção de que a torcida vascaína fará a sua parte. Vai cantar, pressionar e jogar junto com a equipe. O Vasco tem condições de reverter o placar sem precisar levar a decisão para os pênaltis.
Arbitragem de Daronco começa a gerar questionamentos
A partida começou com um lance que, na minha avaliação, já dava sinais do que seria a arbitragem.
Em um contra-ataque, Colidio avançou com a bola dominada pela intermediária, enquanto dois companheiros disparavam pelos lados. Marlon Freitas, que posteriormente faria uma grande partida, puxou ostensivamente a camisa do argentino para interromper a jogada.
Era um lance clássico para cartão amarelo. Daronco estava próximo, viu a infração, mas assinalou apenas a falta.
Aos meus olhos, foi um erro importante logo no início do confronto, que levantou questionamentos sobre o critério adotado pelo árbitro.
E esse não seria o único lance polêmico da tarde.
Palmeiras domina e Vasco tem atuação preocupante
Falando exclusivamente de futebol, o Palmeiras foi muito superior durante boa parte da primeira etapa. A equipe paulista amassou o Vasco, empurrou o time carioca para o campo defensivo e chegou a alcançar aproximadamente 80% de posse de bola.
O Vasco teve enormes dificuldades para construir jogadas e praticamente não conseguiu ameaçar o adversário.
Léo Jardim teve uma atuação muito ruim. O goleiro vem apresentando uma queda técnica preocupante, com intervenções que não transmitem a segurança esperada de um jogador da sua importância no elenco. É impressionante como seu rendimento caiu.
O Palmeiras teve uma oportunidade clara com Flaco López, que ficou cara a cara com o goleiro, mas finalizou para fora. O argentino, aliás, esteve abaixo do que pode produzir.
Depois, Arias apareceu de cabeça, obrigando Paulo Henrique a salvar praticamente em cima da linha. Maurício também teve uma oportunidade clara após uma saída atrapalhada de Léo Jardim, mas desperdiçou a chance com o gol aberto.
Até que, aos 24 minutos do segundo tempo, em uma jogada construída por Arias, Maurício recebeu em condições de finalizar e abriu o placar.
Arias, na minha avaliação, foi o melhor jogador em campo entre as duas equipes. Venceu disputas, superou a marcação vascaína e foi decisivo na construção da jogada do gol.
No lance, Léo Jardim também teve responsabilidade. A finalização não foi tão forte e veio em seu canto, com possibilidade de defesa. Não considero um frango, mas entendo que o goleiro poderia ter feito mais.
O Palmeiras merecia ter ido para o intervalo com uma vantagem ainda maior. Um placar de 3 a 0 não seria absurdo diante do volume de jogo apresentado.
O Vasco só conseguiu chegar com algum perigo em uma finalização torta de Lescano, por volta dos 40 minutos da primeira etapa.
Jogadores abaixo da crítica e um meio-campo dominado pelo adversário
Alguns jogadores do Vasco tiveram atuações muito abaixo do que exige uma semifinal de Copa do Brasil.
Bruno Duarte foi praticamente uma peça nula. Faltou movimentação, intensidade e participação ofensiva. Em determinados momentos, parecia que o Vasco tinha jogadores a menos em campo.
Colidio também fez um primeiro tempo muito ruim. Adson não conseguiu produzir e deixou evidente que tem dificuldades para participar de partidas desse nível.
Lucas Piton também esteve abaixo tecnicamente, mas é preciso reconhecer que demonstrou disposição, correu e disputou as jogadas. Mesmo com o Palmeiras explorando bastante seu setor, não deixou de lutar.
Thiago Mendes, por sua vez, vem apresentando um rendimento muito abaixo do esperado há algumas partidas. Não sabemos se existe algum problema psicológico, se houve uma queda física ou técnica ou se a situação envolvendo o Boca Juniors teve algum impacto. O fato é que não estamos vendo o mesmo jogador que conduzia a bola, encontrava passes e criava soluções para o meio-campo vascaíno.
Sosa também ficou perdido em determinados momentos, recuando para formar uma espécie de terceiro homem na defesa e deixando espaços no meio-campo.
Com isso, Marlon Freitas e Maurício conseguiram dominar o setor.
E, nesse cenário, Lescano acabou sendo o grande destaque do Vasco. Na minha opinião, foi disparado o melhor jogador cruz-maltino em campo. Marcou, voltou para defender, buscou construir jogadas, apareceu no ataque e tentou encontrar soluções.
Em vários momentos, parecia jogar sozinho no meio-campo.
O pênalti não marcado em Lescano e mais uma polêmica de arbitragem
Na volta do intervalo, o Vasco apresentou uma postura diferente. A equipe parece ter recebido uma cobrança no vestiário e voltou mais ligada, entendendo melhor a importância de uma semifinal de Copa do Brasil.
Logo no início da segunda etapa, aconteceu o lance mais absurdo da partida.
Após um cruzamento de Thiago Mendes, em um raro momento de lucidez do volante na construção ofensiva, Lescano dominou a bola e conseguiu tirar a marcação de Gustavo Gómez.
Na sequência, Barboza atrapalhado na jogada, girou o corpo e utilizou a mão para tocar na bola, interrompendo a progressão do atacante vascaíno.
Na minha avaliação, foi um pênalti gritante. Mais do que isso: considero que o lance merecia uma análise sobre a possibilidade de expulsão, já que Lescano poderia sair em condições claras de finalizar ou criar uma oportunidade decisiva.
Daronco, porém, não marcou a penalidade.
O mais impressionante foi a atuação do VAR, que sequer recomendou a revisão do lance. Segundo as análises divulgadas após a partida, a decisão foi tomada em poucos segundos.
O braço estava aberto, ampliando o espaço corporal do defensor, e a mão interferiu diretamente na jogada. Na minha visão, não há justificativa para deixar de revisar uma situação tão importante.
Muitos torcedores vascaínos demonstraram indignação e chegaram a abandonar a transmissão depois da decisão.
Mais uma vez, a arbitragem terminou no centro das discussões envolvendo o Vasco.
Vasco melhora, mas desperdiça oportunidades
Depois da penalidade não marcada, o Vasco conseguiu equilibrar as ações e passou a jogar de igual para igual com o Palmeiras.
Lescano encontrou um ótimo passe para Cuiabano, que ficou em condições de finalizar, mas bateu muito mal na bola. Era uma oportunidade importante para empatar o confronto.
Mais tarde, o próprio Cuiabano teve outra chance. Recebeu em condições de finalizar, bateu cruzado e obrigou Carlos Miguel a fazer uma grande defesa.
Na sequência da jogada, aconteceu outro lance que gerou discussão.
Após a defesa do goleiro, Andreas Pereira afastou a bola. Na disputa seguinte, Saldívia se atrapalhou tecnicamente e acabou se envolvendo em uma disputa física com o adversário.
Daronco marcou a falta e aplicou o segundo cartão amarelo ao zagueiro vascaíno, expulsando o jogador.
Na minha interpretação, não houve infração suficiente para justificar a advertência. Foi uma disputa por espaço, com contato físico dos dois lados. Considero que o árbitro poderia ter deixado o jogo seguir.
A decisão também evidenciou uma diferença de critério difícil de compreender, principalmente quando lembramos do puxão de camisa cometido por Marlon Freitas ainda no primeiro tempo.
Com um jogador a menos, o Vasco precisou resistir durante aproximadamente 20 minutos.
O Palmeiras tentou aproveitar a superioridade numérica para ampliar a vantagem, mas o time carioca conseguiu suportar a pressão e terminou derrotado por apenas 1 a 0.
O resultado, diante das circunstâncias, mantém o Vasco vivo na disputa.
A volta de Andrés Gómez pode ser decisiva
Para o confronto de volta, existe uma expectativa importante em torno do retorno de Andrés Gómez.
É verdade que o colombiano irrita a torcida em alguns momentos. Às vezes escolhe a jogada individual quando deveria tocar, em outras situações prefere o passe quando deveria finalizar. Também apresenta certo excesso de individualismo.
Mas é inegável que gera jogo.
Andrés tem velocidade, drible, força física, capacidade de atacar os corredores e facilidade para chegar à linha de fundo. É justamente o tipo de jogador que fez falta ao Vasco no Nubank Parque.
Marino também teve poucos minutos em campo e pode ser uma alternativa importante.
Minha preferência seria utilizar os dois jogadores pelos lados, com Colidio atuando como falso nove.
Bruno Duarte, infelizmente, não vem oferecendo o rendimento necessário. Spinelli tem limitações técnicas, mas demonstra mais disposição para disputar o jogo e participar das ações ofensivas.
O Vasco precisa de um ataque mais agressivo, com jogadores capazes de atacar os espaços e criar situações de perigo.
Pedro Emanuel precisa corrigir a escalação
Também considero necessário questionar as escolhas de Pedro Emanuel .
A insistência com Adson em jogos desse tamanho precisa ser revista. Sei que o elenco vascaíno tem limitações e que faltam peças, mas talvez fosse o momento de reforçar o meio-campo e encontrar uma alternativa mais eficiente para o ataque.
Colidio não rende como ponta. Seus melhores momentos aconteceram quando atuou mais centralizado, como falso nove.
Com Adson de um lado, Colidio do outro e Bruno Duarte centralizado, o Vasco apresentou um ataque pouco produtivo.
Para o jogo de volta, Saldívia estará suspenso. A tendência é que Emanuel escolha uma alternativa mais conservadora, provavelmente com Gabriel ocupando o lado direito da defesa.
Eu faria diferente.
É um jogo único, valendo vaga na final. Não existe motivo para entrar em campo pensando apenas em se defender.
Minha escalação ideal teria Sosa recuado para atuar improvisado na zaga, função que ele já desempenhou, com Jair entrando no meio-campo ao lado de Thiago Mendes e Lescano.
Assim, o Vasco teria três jogadores com qualidade técnica, capacidade de controlar o jogo, encontrar espaços e sair jogando com a bola dominada.
Nas laterais, Paulo Henrique e Cuiabano oferecem força física, velocidade e capacidade de chegada ao ataque.
Com Andrés Gómez e Marino pelos lados, o time ganharia profundidade, velocidade e poder de enfrentamento individual.
É uma proposta mais ousada, mas acredito que o Vasco precisa jogar para vencer.
São Januário terá papel fundamental na decisão
No próximo domingo, São Januário receberá o jogo decisivo da semifinal.
O estádio teve sua capacidade ampliada para aproximadamente 24 mil torcedores, proporcionando um momento especial para a torcida vascaína.
Há muito tempo não vemos São Januário receber mais de 20 mil pessoas nessa configuração. Será uma oportunidade de transformar o estádio em um verdadeiro caldeirão.
Tenho convicção de que a torcida fará a diferença.
O Vasco precisa acreditar na sua força, impor seu ritmo e buscar a vitória desde os primeiros minutos. O placar de 1 a 0 é totalmente reversível.
Uma classificação para a final da Copa do Brasil pelo segundo ano consecutivo seria importantíssima para o clube. Além da possibilidade de conquistar o título, representaria uma recompensa esportiva e financeira muito significativa.
A diretoria também merece reconhecer a importância desse momento. Mas Pedrinho precisa ser mais enérgico diante dos erros de arbitragem que, na minha avaliação, vêm prejudicando o Vasco. O clube precisa se posicionar com mais firmeza.
Antes da decisão, o Vasco tem um compromisso complicado pelo Brasileirão
Mas antes de pensar exclusivamente no Palmeiras, o Vasco precisa voltar suas atenções para o Campeonato Brasileiro.
Na quarta-feira, a equipe enfrenta o Athletico Paranaense, fora de casa, na Arena da Baixada.
Historicamente, o confronto não costuma ser favorável ao Vasco, especialmente quando a partida acontece no estádio paranaense, que utiliza gramado sintético.
Pedro Emanuel afirmou que pretende utilizar os jogadores que estiverem em melhores condições físicas, os chamados jogadores mais frescos.
Saldívia, que está suspenso para a semifinal de domingo, pode atuar. Robert Renan também deve estar disponível. Puma Rodríguez aparece como uma alternativa para substituir Paulo Henrique, que provavelmente será preservado.
Lucas Piton, apesar das dificuldades técnicas apresentadas contra o Palmeiras, também pode aparecer entre os titulares.
O ataque é a maior incógnita, principalmente pela falta de opções no elenco.
Alerta ligado: a luta contra o rebaixamento continua
A rodada do Campeonato Brasileiro foi péssima para o Vasco.
Concorrentes diretos conseguiram resultados importantes. Corinthians e Grêmio venceram, enquanto o Coritiba também conquistou pontos e se distanciou. O Internacional e o Mirassol acabaram perdendo pontos, mas o cenário geral deixou a disputa ainda mais apertada.
A briga contra o rebaixamento está completamente embolada.
A depender dos resultados, a pontuação necessária para escapar pode chegar à casa dos 44 ou 45 pontos.
O Vasco precisa encontrar duas vitórias e um empate para alcançar uma situação mais confortável, mas não pode escolher jogos para pontuar.
O confronto contra o Athletico Paranaense é fundamental. Trazer pelo menos um ponto de Curitiba seria muito importante para manter a tranquilidade antes da decisão contra o Palmeiras.
Uma combinação desfavorável de resultados pode colocar o Vasco novamente na zona de rebaixamento, faltando apenas cinco rodadas para o encerramento do campeonato.
E existe outro fator preocupante: uma eventual eliminação da Copa do Brasil, principalmente se acontecer de maneira traumática, pode afetar o ambiente do elenco e o rendimento dos jogadores.
Por isso, o Vasco precisa administrar bem os dois compromissos. É necessário jogar com inteligência na Arena da Baixada, buscar pontos e chegar inteiro para a partida mais importante da temporada.
Domingo é dia de acreditar!
Rapaziada, o Vasco perdeu por 1 a 0, mas a disputa continua completamente aberta.
A torcida terminou o jogo cantando que o Vasco é o time da virada. E é nessa força que precisamos acreditar.
São Januário vai pulsar, a torcida vai jogar junto e os jogadores terão a oportunidade de escrever mais um capítulo importante da história cruz-maltina.
Que a semana seja de bons resultados para o nosso Vascão e termine com a classificação para mais uma final de Copa do Brasil.
Domingo é dia de São Januário! É dia de acreditar!
Saudações vascaínas!
Notícias da Colina
Por: Felipe Rodrigues
Foto: Ettore Chiereguini/AGIF/Folhapress)




