
Edenílson decide, os garotos ajudam a segurar a defesa e Tite encontra alívio em uma noite de chances perdidas e contas menos apertadas
Por Rodrigo Barreto
Antes da bola: ganhar virou necessidade
Há jogos em que o torcedor chega ao estádio pensando em uma boa atuação. Em outros, aceita negociar: primeiro os três pontos, depois a conversa sobre futebol. O Botafogo entrou em campo contra o Atlético-MG mais perto da segunda situação.
Depois de duas derrotas consecutivas, o time de Tite precisava interromper a sequência antes que a proximidade da zona de rebaixamento transformasse cada rodada em um exercício de desespero. Do outro lado, havia um Atlético com formação alternativa e a atenção dividida com a semifinal da Copa do Brasil. Era uma oportunidade que o Botafogo precisava aproveitar.
A escalação mostrou a prioridade do treinador: proteger a casa. Justino, Ferraresi e Marçal formaram a defesa, enquanto Montoro e Ziyech ficaram no banco e não entraram. A escolha abria mão de dois jogadores criativos para procurar maior sustentação coletiva.
Era compreensível querer segurança. A dúvida era se o Botafogo conseguiria encontrá-la sem passar a noite inteira esperando o adversário.
Vitinho inventa, Edenílson aparece
O Atlético começou com mais posse, mas foi o Botafogo quem encontrou a jogada que mudaria o placar. Aos 18 minutos, Vitinho avançou pela direita, trouxe a marcação para dentro e encontrou Edenílson. O meio-campista se lançou de carrinho para completar e fazer 1 a 0.
Foi um lance que merece ser lembrado além da conhecida história do jogador que marca contra o antigo clube. Vitinho teve discernimento para escolher o passe, e Edenílson apareceu onde a defesa não conseguiu acompanhá-lo. Quando movimento e decisão se encontram, o ataque deixa de parecer uma tarefa tão complicada.
Tiquinho quase ampliou dez minutos depois, acertando o travessão em uma sobra de escanteio. O segundo gol teria mudado bastante a noite. Como não veio, coube a Gabriel Batista impedir que ela tomasse outro rumo: Alexsander chutou forte, e o goleiro respondeu com uma defesa importante antes do intervalo.
O Botafogo tinha a vantagem. O controle completo da partida, ainda não.
Os garotos dão sustentação; o ataque deixa para depois
Huguinho ajudou a dar firmeza à proteção da área. Justino, depois de um começo menos seguro, também correspondeu defensivamente. Em uma equipe pressionada, ver jovens assumindo responsabilidades oferece um motivo adicional para prestar atenção.
No segundo tempo, o roteiro ficou mais evidente: o Atlético procurava espaços, e o Botafogo tentava encontrá-los quando recuperava a bola. A estratégia produziu oportunidades. Faltou aproveitar melhor as chegadas.
Matheus Martins entrou, deu um chapéu em Léo Duarte e serviu Tiquinho, que finalizou para fora. Depois, Kauan Toledo encontrou Matheus em ótima condição, mas Everson impediu o segundo gol. Já nos acréscimos, o atacante ainda acertou a trave.
Esses lances ajudam a explicar a partida. O Botafogo recuou, mas teve caminhos para ampliar. Defendeu a vantagem, porém deixou escapar chances de torná-la confortável.
E o torcedor conhece bem o custo dessa economia no placar. Uma bola levantada, um desvio, um escanteio: tudo parece carregar uma ameaça maior quando a diferença continua sendo de apenas um gol.
O apito final confirmou o 1 a 0. A comemoração tinha alegria, claro, mas também aquele suspiro comprido de quem passou os últimos minutos conferindo o relógio.
Na coletiva, Tite defende o conjunto — e reconhece a resistência
Depois do jogo, Tite destacou os jovens e explicou as mudanças a partir das necessidades da equipe, das características dos atletas e das condições físicas.
Também avaliou que as oportunidades permitiam uma vitória mais ampla.
Há fundamento nessa leitura. O Botafogo conseguiu fechar espaços e criar chances para aumentar a vantagem. A ressalva está no quanto ainda depende de acertar a escapada seguinte para aliviar a pressão.
Segurança defensiva é uma qualidade; passar longos períodos sem conseguir conservar a bola continua sendo uma limitação.
O treinador também reconheceu a resistência de parte da torcida: “Eu sei que não sou o técnico ideal para muitos botafoguenses”. Ao defender Arthur Cabral, ressaltou a dedicação do atacante nos treinamentos e pediu que o clube estivesse acima das divergências individuais.
É uma fala que expõe o ambiente. Tite sabe que precisa conquistar confiança, e isso dificilmente acontecerá apenas diante dos microfones. O apoio ajuda o jogador, mas o torcedor também espera receber razões para acreditar.
Ao tratar das críticas, o técnico separou cobrança profissional de desrespeito pessoal e rejeitou a ideia de uma solução imediata. Considerou positivas as atuações contra Coritiba, Chapecoense e Atlético-MG, defendendo uma evolução por ajustes.
O ponto agora é dar continuidade. Uma boa noite pode aliviar o ambiente. Para mudar a avaliação do trabalho, será preciso emendar outras.
A tabela melhora; a próxima cobrança já tem endereço
Com a vitória, o Botafogo chegou aos 42 pontos e à 11ª colocação, abrindo cinco pontos sobre o Corinthians, primeiro time na zona de rebaixamento. O próprio clube paulista será o próximo adversário, em 18 de novembro, na Neo Química Arena, depois da pausa para os jogos de seleções.
O intervalo chega em boa hora. Dá a Tite tempo para trabalhar a equipe depois de uma vitória, testar soluções e tentar corrigir o desperdício que voltou a prolongar a tensão. O confronto seguinte, porém, exige atenção: um concorrente direto terá a chance de reduzir a distância.
Contra o Atlético, houve entrega, maior proteção defensiva e oportunidades suficientes para um placar menos apertado. Houve também recuo excessivo em alguns momentos e dificuldade para encerrar uma partida favorável.
Edenílson fez o gol, Gabriel Batista apareceu quando necessário e os garotos ajudaram a sustentar o resultado. O Botafogo ganhou uma folga na tabela e algum sossego para trabalhar.
Para o coração do torcedor, a folga ainda ficou pendente.
Resenha do Bairro
Por: Rodrigo Barreto
Foto: Vitor Silva/Flickr.com Botafogo
Vídeo: BotafogoTv




