
O empate diante do Athletico Paranaense deixou mais do que dois pontos pelo caminho. O Flamengo desperdiçou a oportunidade de diminuir a distância para o líder , segue cercado por desconfiança e vê crescer entre os torcedores uma pergunta cada vez mais incômoda: onde está aquele time dominante, temido e avassalador que recebeu o apelido de “Malvadão”?
O Flamengo que um dia assustava os adversários e carregava com orgulho o apelido de “Malvadão”, hoje parece cada vez mais distante daquela equipe dominante e temida. O time que entrava em campo impondo respeito, intensidade e pressão, agora flerta perigosamente em se tornar um adversário confortável para qualquer rival.
Depois de empate com o Vasco, quando vencia tranquilamente a partida, tirou o pé e viu o cruzmaltino querer mais e buscar o empate, o Flamengo venceu o Grêmio no sul, porém a última semana foi preocupante para o torcedor. Na última quinta-feira, o Rubro-Negro foi eliminado da Copa do Brasil pelo Vitória, no Barradão, em uma atuação apática e sem reação. O clube baiano jogou com organização, personalidade e aproveitou a fragilidade emocional de um Flamengo irreconhecível nos momentos decisivos.
E quando se esperava uma resposta imediata no Campeonato Brasileiro, veio mais um tropeço. No empate diante do Athletico Paranaense, o Flamengo voltou a apresentar dificuldades defensivas, pouca criatividade e viu o goleiro Rossi protagonizar mais um momento desastroso. O argentino falhou feio no lance do gol adversário, em um verdadeiro “frango” que rapidamente tomou conta das redes sociais e aumentou ainda mais a pressão sobre o elenco.
Além da atuação decepcionante, o Flamengo desperdiçou uma oportunidade importante na briga pelo título brasileiro. Com o empate, o Rubro-Negro deixou escapar a chance de diminuir a distância para o líder . A diferença permanece em quatro pontos, o Flamengo possui um jogo a menos em relação ao clube paulista.
Parte da atuação ruim também passa pelas dificuldades do elenco. O Flamengo entrou em campo completamente desfigurado e sentiu demais as ausências de Arrascaeta, Plata e Pulgar, peças fundamentais na estrutura da equipe. Sem opções ideais, o técnico precisou improvisar Léo Ortiz no meio-campo, desmontando setores importantes da equipe e reduzindo ainda mais o poder criativo rubro-negro.
Outro fator que começa a preocupar nos bastidores é o comportamento mais cauteloso de alguns jogadores às vésperas da Copa do Mundo. Em muitos momentos, a sensação é de que parte do elenco evita divididas mais fortes e jogadas de maior contato físico pelo receio de sofrer uma contusão e acabar ficando fora da competição mundial. Isso acaba afetando diretamente a intensidade e a competitividade que marcaram o Flamengo nos últimos anos.
Mas o problema do Flamengo vai além dos resultados negativos. O time perdeu sua identidade competitiva. O antigo “Malvadão” pressionava, sufocava e fazia os adversários entrarem derrotados mentalmente antes mesmo da bola rolar. Hoje, o cenário é diferente: os rivais enxergam um Flamengo vulnerável, desorganizado e emocionalmente instável.
O elenco continua milionário, recheado de jogadores renomados, mas dentro de campo a equipe demonstra pouca intensidade, excesso de erros individuais e uma preocupante falta de liderança nos momentos decisivos. A sensação é que o Flamengo deixou de ser protagonista para se tornar apenas mais um time forte no papel.
No futebol, existe um detalhe que separa equipes comuns dos grandes vencedores: o medo que provocam nos adversários. E neste momento, o Flamengo já não assusta como antes. Pelo contrário, começa a oferecer esperança para quem enfrenta.
E quando o adversário deixa de temer o “Malvadão”, talvez seja sinal de que o Flamengo precise urgentemente reencontrar sua essência.
📝 Por Flávia Mendes Gomes | Resenha do Malvadão
Foto: Reprodução GETTY/ChatGPT



