
Chegou ao fim mais uma Copa do Mundo para a Seleção Brasileira. Com a eliminação, o Brasil alcançará a incômoda marca de 28 anos sem conquistar o torneio. A espera seguirá até 2030, quando ainda seremos os únicos pentacampeões mundiais. Seria simbólico chegar ao centenário das Copas, em 2030, como os atuais campeões, mas esse sonho terminou na noite de domingo, 5 de julho, em New Jersey, palco que também receberá a grande final da competição no próximo dia 19.
O torcedor botafoguense acostumou-se, ao longo da história, a ver jogadores do clube como protagonistas da amarelinha. Atletas que, quando vestiam a camisa da Seleção, não "amarelavam" nos momentos decisivos.
Na conquista de 1958, o Botafogo cedeu Nilton Santos, o lateral que revolucionou a posição ao transformar uma função antes limitada à defesa em uma arma ofensiva. Contra a Áustria, avançou ao ataque e marcou um dos gols da vitória brasileira por 3 a 0. Quatro anos depois, em 1962, Garrincha assumiu o protagonismo após a lesão de Pelé e conduziu o Brasil ao bicampeonato. Jairzinho escreveu uma das páginas mais marcantes da história das Copas ao marcar em todos os seis jogos da campanha de 1970, feito único até hoje. Durante décadas, Botafogo e Seleção Brasileira foram praticamente sinônimos de conquistas.
Nesta edição, o representante alvinegro foi Danilo. Revelado pelo Palmeiras, o meia viveu sua consolidação no Botafogo. A convocação veio após uma atuação memorável diante do Cruzeiro. O técnico esteve no Estádio Nilton Santos para observar Gerson, mas quem roubou a cena foi Danilo, autor de dois gols na goleada por 4 a 0. Artilheiro da equipe no Campeonato Brasileiro e peça fundamental no esquema de Franclim Carvalho, o meia vivia seu melhor momento.
No entanto, a relação com parte da torcida ficou desgastada quando, horas antes da partida contra o Corinthians, o jogador pediu para não ser relacionado por receio de sofrer uma lesão e perder a oportunidade de disputar a Copa do Mundo.
Para muitos botafoguenses, a decisão abriu margem para a interpretação de que o jogador também buscava evitar o 13º jogo no Brasileirão, o que inviabilizaria uma transferência para outro clube da Série A. O interesse de Palmeiras e Flamengo apenas aumentou esse desgaste.
Enquanto isso, dois jogadores que já não pertencem ao Botafogo, mas continuam sendo tratados como "nossos", também representaram o clube no Mundial. O argentino Thiago Almada disputa a competição ao lado de Leonel Messi, e em entrevista a um canal de streaming, fez questão de mandar um abraço à torcida alvinegra, além de afirmar que sonha em voltar a vestir a camisa do Glorioso. Já LuizHenrique, o Pantera Negra, base do Fluminense, segue demonstrando carinho pelo Fogão e por seus torcedores em suas constantes interações nas redes sociais.
E talvez seja justamente esse o sentido do título deste texto. Há jogadores que são nossos, mas não nos pertencem mais. E há outros que ainda nos pertencem contratualmente, mas parecem já não ser nossos no coração do torcedor.
Para a Seleção Brasileira, resta iniciar um novo ciclo, na esperança de recuperar a identidade de um time competitivo, aguerrido e vencedor, capaz de orgulhar novamente o país. Para o Botafogo, a caminhada continua. O clube segue vivo nas principais competições da temporada, recebe um novo investidor com planos ambiciosos e alimenta o sonho de, quem sabe, reunir novamente Luiz Henrique e Thiago Almada com a camisa alvinegra.
Que o futuro da Seleção Brasileira e do Botafogo seja, mais uma vez, glorioso.
O Botafogo volta a campo no dia 16 de julho contra o Santos no Estádio Nilton Santos, partida válida pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Resenha do Bairro
Por Sérgio Nascimento
Foto: Luiz Henrique e Danilo Santos comemoram gol do Brasil (Foto: Rich Storry/Getty Images via AFP)




