Os 51 meses de SAF do Botafogo e os fantasmas que insistem em assombrar o botafoguense – Parte 3

Os 51 meses de SAF do Botafogo e os fantasmas que insistem em assombrar o botafoguense – Parte 3

A constante reformulação do elenco sempre foi algo comum na história gloriosa do Botafogo nas últimas décadas.

O ano era 1999. O Botafogo contava com jogadores como o goleiro Wagner, César Prates, Sérgio Manoel, Fábio Augusto, Reidner, Válber, Paulo Baier, Rodrigo Beckham — a "Joia do Bairro" — além do atacante Bebeto, titular da Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 1994 e 1998. A equipe foi vice-campeã da Copa do Brasil naquele ano. Muitos torcedores afirmam até hoje que o árbitro Márcio Rezende de Freitas, pressionado pela Federação Paulista, anulou dois gols legítimos de Rodrigo Beckham na decisão.

No segundo semestre, porém, com um elenco mais fraco, o clube acabou rebaixado em campo. Posteriormente, a Justiça encontrou irregularidades na documentação do atacante Sandro Hiroshi, e os rebaixamentos daquele ano foram anulados.

O torcedor alvinegro aprendeu, muitas vezes de forma dolorosa, a não se apegar excessivamente aos jogadores. Como diz uma tradicional música da torcida: "os jogadores vão e vêm". A cada semestre, essa máxima parece se confirmar.

A torcida amava Erison, o "El Toro". Sua comemoração cativava especialmente as crianças. Não era um primor técnico, mas possuía algo fundamental: carisma. Para substituí-lo, chegou um grande reforço: Tiquinho Soares, que rapidamente preencheu essa lacuna no coração do jovem torcedor.

Entretanto, veio a má fase. A doença que vitimou seu pai atingiu Tiquinho justamente no momento em que o Botafogo mais precisava dele: a reta final do Campeonato Brasileiro de 2023, quando o Glorioso viu escapar um título nacional aguardado pela torcida havia 28 anos.

Há males que vêm para o bem. A dolorosa derrota também impactou o proprietário da SAF, que decidiu montar um superelenco para buscar as principais conquistas nacionais e continentais. Nomes como Luiz Henrique, Thiago Almada, Jefferson Savarino e Igor Jesus marcaram época recente no clube. Contudo, apenas dois anos após as conquistas, nenhum deles permanece no Clube da Estrela Solitária.

Atualmente, as dívidas e os transfer bans — algo novo na história recente do clube — têm forçado o Botafogo a negociar ativos para garantir o pagamento da folha salarial do elenco, da comissão técnica e do staff.

Nada foi, nem nunca será, fácil para o Botafogo. A certeza, porém, é que o clube jamais estará sozinho. Sua torcida sempre quis o seu bem e nunca o abandonou nos momentos mais difíceis.

Que aqueles que comandam o clube coloquem alma e coração na resolução das pendências. Se isso acontecer, verão que o torcedor continuará ao lado do Glorioso.

Para voltar a ser campeão, hoje o Botafogo precisa, antes de tudo, vencer a si próprio.

Afinal, após 51 meses, a SAF continua sendo uma boa ideia?

Resenha do Bairro

Por: Sérgio Nascimento

Fotos: Vitor Silva/Flickr.com Botafogo

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